TTULO: ANDREW

AUTORA: EDNA BARROS (VANCOUVER)
email: ednabarros@uol.com.br
Site onde voc pode encontrar todas as minhas histrias: 
www.wfics.hpg.com.br 

RESUMO: Quando tudo parecia flores na vida de Mulder e
Scully, uma coisa muito importante acontece, e eles 
precisam aprender a conviver com isso. 

Classificao: Livre. Shipper. Noromos, caiam fora.

Retrataes: Tudo de AX pertence a Chris Carter e a quem 
mais ele deu direito. Estou usando seus personagens sem nenhuma
inteno de lucro ou dano ou fraude. A histria  minha, 
mas nem imagino que ele v ler este contedo. O que  uma 
pena.  Podia ter dado umas idias pra ele. :)

Nota da autora: Desde que vi os 'Kurts Crawfords' nos 
episdios de cncer, eu fiquei com essa idia na cabea. Como nunca 
li algo parecido, achei que seria interessante tentar. E olha 
que at eu fiquei surpresa com o resultado.

Quero agradecer  Dia e Mrcia, minhas beta-leitoras, que
me ajudaram com o desenrolar da histria. Obrigada, migas, 
por me darem to boas idias. Eu no poderia escrever isso 
aqui sem a ajuda de vocs duas.
Ah... pra MaritaCovarrubias, pra Jo e pra Rose, que leram
a fic e deram o dedo pra cima, dizendo que estava tima 
para postar.
E a todas vocs, que me incentivaram a escrever de novo 
depois que escrevi a fic 'Uma Verdade', achando que eu levo 
jeito pra coisa.  Depois de tantas maravilhosas histrias 
traduzidas por 
mim, fica  difcil considerar que alguma coisa =escrita= por mim 
seria to boa quanto essas histrias. Mas adorei escrever essa fic  
aqui,  e espero que  vocs apreciem a histria, e se apaixonem pelo 
Andrew,  assim como eu me apaixonei pela idia de cria-lo.

Vou tentar escrever uma histria em andamento, e espero 
no me desapontar, e nem a vocs.

Ah... a histria no tem um perodo certo de Ter novas 
partes.

 medida em que eu tiver idias, vou escrevendo, mas 
pode deixar que no vou demorar.
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Tempo desconhecido
Apartamento de Scully


Scully estava indo descansar no sof, por insistncia de Mulder,que 
desde que descobriu que ela estava grvida aumentou em um milho de 
vezes os cuidados dele com ela, quando a campainha tocou.

Ela no reclamava da ateno dele, que j h algum tempo estava 
praticamente morando no apartamento dela. Agora mesmo, 
ele estava arrumando a cozinha pra ela, e como a gravidez 
ainda estava no comeo, em plenos dois meses, ela ainda 
se sentia estupidamente cansada. E ela nunca mais ia 
olhar torto para nenhuma 'frescura' de grvida, sabendo 
bem o que elas passavam. E mesmo depois de tudo que 
aconteceu com ela, conseguir de fato segurar uma gravidez 
no s a espantava, como a seu prprio mdico tambm.

E Mulder sabia disso. Foi ele que a acompanhou por tudo 
que ela passou. Desde o rapto dela, e o cncer, e todos 
aqueles tratamentos, e a vacina, o sangue dela, alis, 
todo seu corpo e clulas eram praticamente lixo txico, 
e essa gravidez estava sendo considerada de alto risco, 
ainda mais que ela estava com mais de trinta anos. 

Tudo isso ajudou, e muito, para que o senso de proteo de Mulder por 
ela aumentou tanto.

"Deixe que eu atendo, Mulder", ela falou, j ouvindo o som dele 
derrubando tudo na pia para poder atender a porta.

"Tudo bem, mas no demore. Voc precisa descansar." ele falou da 
cozinha, atento aos mnimos sons que ela fazia na sala. 

A gravidez dela tinha sido uma surpresa. Depois de trs meses juntos, 
um ano depois daquele louco resgate na Antrtida, onde ele quase se 
declarou para ela no corredor, Mulder decidiu que no poderia mais 
agentar ficar sem ela, sem a presena dela ao seu lado. E ento, durante 
a recuperao de ambos ao tratamento contra ulcerao e desintoxicao 
- Scully estava em estado pior, o que no era de fato uma surpresa-, ele 
comeou a corteja-la, diretamente, de fato a surpreendendo. 

E finalmente ela se declarou para ele tambm. O alvio imenso que 
Mulder sentiu ao ouvir as palavras ''Eu te amo, tambm", dos lbios dela 
foi indescritvel. Depois, a sensao de felicidade e intensa alegria quase 
o matou de to forte que foi. Mas, preferindo aproveitar a vida dele com 
ela, em vez de morrer de alegria ali mesmo, no apartamento de Scully, 
eles concretizaram o amor deles um pelo outro, e descobriram a 
intensidade de seu amor.

Desde ento, a necessidade para protege-la aumentou, e muito, o que no 
o surpreendeu. Ele sabia que desde o rapto dela, no comeo de seu 
trabalho com ele, Mulder se responsabilizava pelo que acontecia na vida 
dela. E depois de vrios assassinos, loucos e do Sindicato, 
terminando com o cncer dela, essa sensao de cuidar para que ela no 
sofresse mais ao lado dele  o  fez tomar a atitude de praticamente morar 
com ela sem ser convidado, o que incrivelmente no gerou reclamaes 
da parte dela, exceto as de praxe: 'olha a tampa do banheiro'; 'aperte a 
pasta de dentes direito', 'lave o que sujou'; 'no beba direto da caixa', e 
por a vai. Mulder estava mais do que contente em fazer tudo que ela 
pedia.

E ele quase a perdeu quando Diana apareceu. Envolvente, ela o enganou 
novamente, e se no fosse por Scully, ele teria novamente ido atrs da 
traidora e teria renegado a prpria busca pela verdade que ele to 
altamente proclamava aos quatro ventos.

E agora, um ano depois, quando Mulder achava que nada mais poderia 
acontecer para faze-lo  mais feliz, ela veio lhe dizer que estava grvida. 
No comeo ele ficou preocupado - preocupado? A quem ele estava 
tentando enganar? 

Ele tinha ficado completamente apavorado com os constantes desmaios 
que ela estava tendo, achando que seria um efeito colateral de tudo que 
havia acontecido com ela, como por exemplo a vacina que ele lhe deu na 
Antrtida, confiando plenamente no homem da limusine, no fazendo 
nenhum teste antes de aplicar o antdoto, ou seja l o que era, dentro do 
corpo dela, que, alis, j estava sendo contaminado com alguma coisa 
viva. Ainda bem que eles estavam de licena mdica e administrativa 
depois da confuso que aconteceu no ltimo caso deles, e os desmaios 
dela no aconteceram em campo, e nem no trabalho deles.

E no final, os desmaios eram apenas sinais do corpo dela para Scully ir 
mais devagar para suportar uma gravidez, depois de tudo que seu corpo 
havia passado. Mas o mais importante, era que ela estava grvida dele, 
mesmo depois que ele recebeu a notcia de que ela era estril. E depois 
do que aconteceu na Antrtida, com aquela abelha, e depois a vacina, e 
diabos, o prprio vrus, agentar um beb seria de alto risco, e era assim 
que eles estavam lidando com o fato.

Mulder poderia ver a felicidade e preocupao dela ao mesmo tempo. 
Felicidade pois agora ela poderia ser uma me, depois de tudo que havia 
acontecido com ela. E preocupao, pelos mesmos fatos que ele havia j 
pensado antes.

E agora, eles estavam em casa, em pleno domingo, com Mulder, como 
sempre, grudado nela. Ele percebeu que ela nunca mostrou nenhum 
desagrado com a presena dele ali, e era bom mesmo, pois nunca mais 
ele sairia do lado dela, principalmente agora.

Depois de um lauto almoo, onde ela apenas mexeu a comida ao redor, 
pois ainda tinha enjos regulares, e conseguiu comer um pouco devido a 
insistncia de Mulder, ele insistiu para que ela se deitasse no sof 
enquanto ele arrumava a cozinha, pois sabia que ela no descansaria 
enquanto tudo estivesse limpo. E ento, l estava ele, arrumando uma 
cozinha depois de um almoo, com muito prazer, alis, mesmo sabendo 
que sua prpria cozinha estava um lixo. Mas arrumar esta aqui era 
diferente. Era porque ele sabia que estava agradando a ela. E s isso 
bastava. 

Ele a observou indo, de m vontade, para a sala, e ficou rindo pelo 
simples fato de que sabia que ela ia ficar mais irritada ainda com tudo 
que viria pela frente, e pela constante proteo que ela teria no s dele, 
mas com certeza de Skinner, e dos Pistoleiros, s pra comear.

Ouvindo a campainha, ele se preparou para atende-la, soltando tudo na 
pia, e a ouviu dizendo "Deixe que eu atendo, Mulder." Ele enrugou as 
sobrancelhas, aborrecido, mas deixou passar, pois nenhum inimigo deles 
tocaria uma campainha, e com certeza no era trabalho, pois eles 
estavam de licena, e, afinal de contas, era domingo.

Mesmo assim, no resistiu e insistiu. "Tudo bem, mas no demore. Voc 
precisa descansar." e se preparou para continuar a limpar o resto, quando 
um sentimento estranho veio nele, e ele percebeu que um som abafado 
veio da porta. Se virando na direo do som, a cena que o presenteou foi 
uma das mais terrveis. 

Um rapaz estava segurando Scully, que tinha deslizado para o cho, 
entre os braos dele, obviamente pega em outro desmaio. Mulder 
alcanou a arma dele, que nunca saa de perto dele, e a apontou para o 
jovem. 

"Solta ela!" Mulder gritou de onde estava, se aproximando lentamente, 
arma em punho.

Alguns segundos se passaram, com os dois homens imveis, at que 
finalmente o jovem disse "Mas se eu soltar ela vai cair" de maneira 
tranqila, mas no menos firme, falando para Mulder o bvio.

Ele ficou parado, observando o que estava vendo. Pelo que percebeu, 
no havia nada de ameaador no rapaz, mas ele no confiaria nisso. E 
no queria que Scully ficasse no cho, e se ele a soltasse, no poderia 
leva-la pra cama enquanto no prendesse o garoto. Decidindo 
finalmente, ele disse. "Leve-a para o sof, mas tenha cuidado. Estou com 
a arma apontada para sua cabea."

Mulder viu o rapaz acenando com a cabea de uma maneira um pouco 
familiar, mas no prestou mais ateno a isso. Agora mesmo, sua 
preocupao era com Scully nas mos desse estranho. Ele observou 
quando o rapaz ergueu Scully nos braos com facilidade, e a levou para 
o sof, deitando-a com extremo cuidado, e com um olhar que deixou 
Mulder incomodado. Que diabos estava acontecendo?

O rapaz ficou olhando para Scully, pouco se importando com Mulder 
apontando uma arma pra ele.

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Andrew estava nervoso. Ele tinha conseguido fugir do complexo 
laboratorial em que estava quando tudo explodiu sem mais nem menos 
na Antrtida. Ele sabia da existncia da nave dentro do gelo, mas as 
pessoas que estavam l, inclusive o 'poderoso chefo' como era 
conhecido, no sabiam da existncia daquele complexo no gelo.

H dez anos, o Sindicato havia sido dividido em duas partes, por 
questes polticas, e desde que haviam dvidas sobre a ndole do 
'poderoso chefo' (o que se pode esperar de um homem que trai o prprio 
planeta?) esse brao do Sindicato foi mantido s escondidas, ficando 
totalmente independente, com a nica e exclusiva funo de criar seres 
humanos para repovoar a terra, em caso de invaso extraterrestre 
eminente. 

Usando tcnicas de clonagem, estudando as vrias pesquisas feitas 
atravs de dezenas de anos, mas que com o avano tecnolgico das 
ltimas dcadas avanou vertiginosamente, eles conseguiram criar um 
ser humano, com poucos defeitos, e tinham a inteno no s de 
aperfeioar isso, mas tambm de guardar a pesquisa em tantos lugares 
quanto possveis, em caso de destruio do laboratrio matriz.

E no ltimo estgio, o que tinha levado mais tempo, alis, eles 
conseguiram o que queriam: o ser humano bsico, mas no um que 
nascesse recm-nascido, com poucas chances de sobreviver sozinho, mas 
um j desenvolvido, praticamente saindo da adolescncia para a 
mocidade, onde j nasceria sem estar to indefeso, e com capacidade 
mental para absorver rapidamente qualquer tipo de ensinamento o mais 
rpido possvel. O QI desse ser humano teria que ser superior a 130, no 
mnimo, para poder entender e raciocinar as informaes de maneira 
clara e concisa, podendo assim saber o que fazer numa emergncia ps 
colonizao.

At ento, no tinham tido sucesso at h poucos anos. J conseguiam 
desenvolver clones crescidos, mas a capacidade mental deles era o de um 
beb, levando o mesmo tempo para desenvolver. Eles no podiam 
esperar anos para isso, e ento, quando achavam que no conseguiriam, 
encontraram as matrizes perfeitas: Mulder e Scully.

Ela, que havia sido catalogada desde seu nascimento, e ele, igualmente, 
j tinham contribudo de maneira indireta para a pesquisa. E depois de 
tudo que eles passaram, cncer, vacina, vrus, tiros, recuperaes 
fantsticas em hospitais, trabalhando controle da mente, desenvolvendo 
capacidades de raciocnio lgico e de f, e com o QI naturalmente 
superior dos dois, os cientistas conseguiram provas fsicas de que o 
material gentico que possuam dos dois valia uma
tentativa, que no final das contas se mostrou um sucesso: Andrew.

Ele sabia quem eram seus pais. E sempre os acompanhou, mesmo de 
longe, usando a tecnologia de ponta que tinham e informantes. Mesmo 
sem conhece-los, Andrew os amava e admirava, pois era bvio que ele 
no s tinha herdado a inteligncia de ambos, mas tambm a paixo pelo 
trabalho e pela justia. Todos eles estavam lutando pelo planeta, contra 
os aliengenas, e ele, mais do que nunca, desejava encontra-los e falar 
com eles. 

E depois de tanto tempo, e finalmente chegando ali, ele estava nervoso 
sobre como ia ser recebido. Conhecia, e muito bem, a desconfiana dos 
pais. O quanto eles apenas confiavam em si, nunca dando abertura para 
mais ningum, nem mesmo o chefe deles, com quem falavam e at 
mesmo aceitavam ajuda, mas que no fundo no confiavam. 

Sonhava com o dia em que poderia conversar com sua me. Sabia que 
ela era bonita, mas quando se deparou com ela na frente do apartamento 
cujo endereo ele tinha decorado nos h muito tempo, ele quase caiu 
para trs com tanta beleza.

E aturdido com tal viso to desejada e almejada durante sua curta mas 
j crescida existncia, ele somente conseguiu falar uma palavra.

"Me?"

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Quando Scully foi em direo  porta, ela riu intimamente  demanda de 
Mulder, para ela no demorar em atender a porta e ir descansar. 'Oh, meu 
Deus. Acho que vou ficar doida nesses sete meses', ela pensou, achando 
realmente muito lindo da parte de Mulder todo esse exagero. 

Afinal de contas, ela no era de vidro. Apesar de que os enjos e 
sintomas que ela estava tendo no ajudavam em nada o argumento dela 
de que sabia se cuidar. "Pelo menos eu estou aqui pra te ajudar quando 
voc simplesmente cai no cho", ele praticamente gritou quando ela 
tentou explicar os motivos dela. E Scully viu  o desespero de Mulder e a 
necessidade dele em protege-la. Ela aceitou tudo sem reclamar muito, 
sabendo que isso estava fazendo Mulder se sentir bem. 

Abrindo a porta, ela deparou-se com um rapaz de uns vinte anos  sua 
frente, alto como Mulder, com cabelo levemente ruivo. Os olhos 
esverdeados eram familiares  ela, assim como o nariz, e Scully ficou 
confusa com o sentimento estranho que teve ao olhar para ele. E depois 
de sete anos com Mulder, depois de vrios casos onde ela 'via' coisas que 
no queria admitir, ela percebeu, apavorada, que este rapaz  sua frente 
no era um desconhecido. 

Quando percebeu que ele a olhava de uma maneira intensa, e abriu a 
boca para falar, ela instintivamente j sabia o que ia ouvir. Ento, 
quando a escurido to comum a ela agora veio, Scully praticamente 
sentiu sua presso baixando, e enquanto deslizava para baixo, ouviu a 
palavra que sabia que ele diria. "Me?", e depois, mais nada.

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Andrew no esperava por isso. Sempre achou sua me forte e corajosa, e 
desmaios no eram bem coisas de mulheres assim. Ento, ele percebeu 
que alguma coisa poderia estar errado com ela, e a agarrou debaixo dos 
braos dela antes que ela casse, e quando ia pega-la nos braos, ouviu 
uma voz firme e perigosa na direo dele.

"Solta ela!" 

Ele observou o homem dentro do apartamento. Papai. 

Seu pai era to forte quanto imaginava. Empunhando uma arma, vindo 
para ajudar sua me, Andrew ficou contente com o que viu. E percebeu 
que tinha que dizer alguma coisa antes que ele virasse picadinho ali 
mesmo. No ia falar "Pai?" como tinha feito com sua me, e ento, 
decidiu ser lgico. E contar a verdade, sabendo o quanto seus pais 
apreciavam isso.

"Mas se eu soltar ela vai cair" respondeu de maneira calma, no 
querendo levar uma bala no meio da testa. Percebeu a confuso no rosto 
de Mulder,  a mesma que tinha visto no de sua me, e no entendeu 
tambm. Mas respirou aliviado, intimamente, quando ouviu Mulder 
falando, "Leve-a para o sof, mas tenha cuidado. Estou com a arma 
apontada para sua cabea."

Ele a pegou nos braos, se maravilhando com o peso leve que era sua 
me. Ele tinha pego pesos mais pesados enquanto fazia ginstica no 
laboratrio, nos testes de aptido fsica. Levando-a com cuidado, como 
se ela fosse quebrar, ele a deitou no sof, e mais uma vez ficou 
maravilhado com a beleza dela.

Perdeu a noo do tempo at que ouviu uma voz perto dele.

"Saia de perto dela."

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Mulder observou, mudo, a adorao inexplicvel do rapaz por Scully. 
No entendia e nem podia explicar o motivo, mas sabia que ele no a 
machucaria. Mas atento de que Scully no tinha recuperado os sentidos, 
ele precisava tira-lo de perto dela para quando ela acordasse.

"Saia de perto dela." ele falou, ainda apontando a arma.

O jovem levantou os braos pra cima, e se erguendo,  se afastou com 
cuidado dela, no tirando os olhos de Mulder. Mais uma vez Mulder 
sentiu essa estranha sensao de familiaridade, e quando fixou o olhar 
nos olhos do rapaz, percebeu que eram iguais aos seus.

Reparando bem, ele um nariz parecido com o dele tambm. E os cabelos 
vermelhos no eram muito diferentes da cor dos de Scully, e Mulder 
arregalou os olhos ao perceber o que podia estar  sua frente. "Quem  
voc?" perguntou, finalmente, no tendo muita certeza de que queria 
ouvir a resposta.

Andrew pensou qual seria a melhor resposta para dar neste exato 
momento. E, como sempre, optou pela verdade 

"Eu sou seu filho."

Mulder ficou esttico, sem saber o que fazer. A arma que segurava ainda 
estava apontada para o jovem, e at que as palavras penetraram em sua 
mente, ele pensou em todas as aes do rapaz desde a chegada dele ali. 
Segurando Scully, levando-a para o sof com bvio cuidado e a adorao 
dele por ela, alm de ter uma segurana e presena que Mulder tinha que 
reconhecer que ele possua. Alm disso, a aparncia fsica dele no 
desmentia algumas coisas, se bem que parecer fisicamente no queria 
dizer nada.

"Podemos conversar?" Andrew perguntou, sentindo a confuso de seu 
pai. Ele permaneceu afastado de sua me, atento da arma apontada em 
sua direo, mas quando ela gemeu, ele prontamente foi para ela.

"Sai de perto dela!" Mulder apontou a arma, mas Andrew no se 
importou. Sabia que ele no atiraria enquanto ela estivesse no caminho. 

"Eu sou mdico. Deixe-me cuidar dela", ele disse, a voz firme e sincera, 
e Mulder abaixou a arma, vendo que ele no era uma ameaa para 
Scully. E ficou surpreso quando o rapaz ordenou. "Traga um pano 
umedecido com gua gelada,e  um copo de gua fresca". Mulder se virou 
e fez o que foi dito, e em segundos voltou com tudo, entregando o pano 
para o rapaz. 

"Voc no acha que  muito jovem para ser mdico?" Mulder perguntou, 
intrigado com o que via  sua frente. 

"No com o conhecimento dela", Andrew respondeu, pegando o pano e 
passando-o pelo rosto e pescoo de Scully, enquanto ela gemia de leve, 
ainda no abrindo os olhos. "Venha aqui, continue fazendo isso e fale 
com ela, e quando ela acordar, lhe d a gua."

Mulder tomou o lugar do jovem, e fez exatamente isso. Sempre que 
Scully desmaiava, ele no sabia o que fazer no comeo. Ficava sempre 
apavorado, e depois que a levava pra cama, ou para o sof, o que 
estivesse mais perto, ele pegava um pano e fazia isso. Desde que essas 
coisas comearam, ele fez uma bateria de perguntas para o mdico de 
Scully, querendo saber se isso era normal. O mdico lhe respondeu que 
sim, principalmente devido ao pronturio de Scully. 

'Incrvel  ela estar tendo essa gravidez', o mdico falou para ele. E os 
sintomas dessa gravidez poderiam ser todos, menos os normais. O 
mdico mesmo estava admirado que at agora nada havia acontecido, a 
no ser os desmaios e enjos comuns a esta altura da gestao.

Chamando o nome de Scully suavemente, ele continuou passando o pano 
mido, e quando ela abriu os olhos, ele olhou para ela com calma, 
sabendo que no deveria deixa-la nervosa. Pegando o copo de gua, ele a 
fez beber tudo, apoiando sua cabea. Ela agradeceu, e continuou deitada. 
Com os olhos fechados, ela perguntou. "Mulder? O que aconteceu?"

Ele trincou os dentes e falou. "Voc desmaiou. De novo."

Suspirando, ela abriu os olhos e olhou para ele. "Mas como....?" ela 
arregalou os olhos ao ver o homem atrs de Mulder. "Mulder...."

"Calma, Scully. Ns j vamos conversar com ele. Parece que ele tem 
muita coisa para nos dizer." Mulder respondeu, ajudando-a a se sentar 
contrariado, pois queria que ela continuasse deitada.

Scully olhou para o jovem  sua frente. Ela fez a mesma pergunta que 
Mulder tinha feito anteriormente. "Quem  voc?"

Andrew decidiu ser mais completo dessa vez. Apesar de ter vinte anos, 
sempre sonhou com este momento, mas sabia que no ia ser fcil que 
essa mulher o recebesse de braos abertos, o aceitando como filho. No 
mesmo. Mas ele ia fazer de tudo, tentando. "Meu nome  Andrew." Uma 
pausa. "Eu sou seu filho."

Scully ouviu um suspiro, e olhou para Mulder  sua frente, que estava 
com os olhos fechados. Virando a cabea mais uma vez para Andrew, 
ela notou toda sua aparncia, e percebeu a familiaridade que tinha 
achado ter visto antes. Ele era praticamente uma mistura dela com 
Mulder, em toda sua glria. Mas estava sem palavras no momento. 

Foi Mulder que comeou com o questionrio previsvel. "E como voc 
poderia provar isso? Voc no acha que vai chegar aqui e que vamos 
aceitar a palavra de algum que simplesmente se diz 'nosso filho'."

Andrew acenou com a cabea, concordando plenamente. Ele pegou um 
papel dentro do bolso da jaqueta que usava, e os entregou para Scully, 
que levou o papel e abriu-o.  medida que lia, seu espanto era cada vez 
mais evidente. Ao final da leitura, ela estava ofegante. Mulder sentiu seu 
nervosismo. "Scully? O que foi? O que diz nesse papel a?"

Ela olhou para ele, em choque. Estava novamente revivendo os 
resultados dos exames que fez em Emily Sims quando desconfiava que 
ela era filha de Melissa, mas que no final ficou provado que era filha 
dela. O que tinha  sua frente eram resultados de testes tambm, de um 
laboratrio renomado, e ela sabia que dificilmente eles seriam falsos, 
mesmo porque Andrew saberia que eles fariam mais testes s para 
comprovar estes resultados aqui. Ela nem percebeu que no havia 
respondido a Mulder, at que sentiu ser sacudida por ele, de leve. 
"Scully?"

Piscando os olhos, ela viu Mulder pela primeira vez depois que recobrou 
a conscincia. Olhando para Andrew, ela no queria acreditar que este 
era seu filho. Precisava de provas que ela mesma faria. Mas sentia, bem 
no fundo, que ele era mesmo seu filho. Virando-se para Mulder, ela 
respondeu: "Mulder, isso aqui  o resultado de testes genticos, e que 
dizem que Andrew  99.99% nosso filho."

Silncio permaneceu no ar.

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Andrew olhou para eles, percebendo o espanto do casal  sua frente.
No era todo dia que voc recebe a noticia que tem um filho de vinte 
anos, e que nunca saiu de dentro de voc. Mas ele podia ver que o 
espanto no era o sentimento maior ali. Em seu pai, era raiva, e na sua 
me, tristeza e angstia .

Ele sabia o motivo da raiva. Tinha aprendido tudo do pai antes de vir 
para c, assim como da sua me, atravs de arquivos confidenciais do 
Sindicato. Sabia que a raiva era porque mais uma vez eles foram usados 
com propsitos escusos para que o Sindicato conseguisse realizar mais 
testar com vidas inocentes. Mas ele no conhecia essa parte do sindicato.

Quanto  sua me, ele sabia o motivo. E esse era um dos pontos dele se 
sentir to protetor em relao  ela. De acordo com os estudos dele, ela 
havia sido seqestrada, testada, retiraram seus vulos (e um deles era 
ele), recebeu um chip no pescoo, sofreu de cncer por causa dos testes, 
sofreu por causa dos tratamentos para combater o cncer, foi picada pela 
abelha, teve o vrus em seu organismo, e recebeu uma vacina altamente 
classificada, tendo sido curada por isso. Fora os perigos que ela havia 
passado no trabalho, com assassinos, mutantes, alucinaes, traies, e 
por a afora.

Andrew sempre ficava admirado ao se lembrar disso. E rapidamente ele 
percebeu que, se ela sofreu tudo isso, seu pai sofreu mais ainda, pois ele 
se sentia responsvel por tudo que havia acontecido a ela, o que no era 
verdade. Dana K. Scully era um objeto de testes, e o fato de que ela 
trabalhava nos arquivos x foi apenas uma infeliz coincidncia. 

Era exatamente essa a parte do Sindicato que eles estavam tentando 
combater.

E agora, vendo a atitude dos dois em frente a ele, Andrew tentou falar, 
mas calou-se ao olhar fulminante de Mulder, que claramente lhe dizia, 
'agora no.' Andrew no soube como entendeu aquele olhar, mas ficou 
quieto assim mesmo.

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Mulder, como isso  possvel?" Scully disse, nervosa. Suas mos 
tremiam, e ela estava incapaz de controlar isso. Ela pegou o papel com as 
duas mos, e mais uma vez leu o resultado.

Estava l, preto no branco: Andrew era filho deles. 

Ela ergueu o olhar, e viu no rapaz  sua frente o mesmo olhar que havia 
em Mulder quando ele se sentia triste ou desamparado, ou mesmo 
querendo provar uma coisa e ela no aceitava na hora, achando aquilo 
ridculo. Mais uma vez ela notou a semelhana, e ento, olhou para 
Mulder, que agora estava segurando as mos dela, deixando o papel de 
lado.

"Scully, acalme-se. Vamos escutar o que ele tem a dizer, e ento, eu 
quero que voc v se deitar um pouco, ok?" Mulder falou, ciente do 
estado de nervos que estava sua esposa. Desde a gravidez, Scully estava 
praticamente 100% hormonal, e cada emoo ficava trs vezes mais forte 
para ela agentar. Ele no queria que uma noticia como essa a atingisse, 
mesmo sabendo ser impossvel. Ele mesmo estava tendo dificuldade em 
acreditar que isto estava acontecendo.

"No, Mulder. Eu no vou deitar. J estou ansiosa o suficiente para ficar 
acordada umas trs noites seguidas, e no vai ser agora que vou 
conseguir dormir." Ela se virou para Andrew, e entao o notou 
clinicamente. "Quem te mandou aqui?"

"Ningum. Eu vim por conta prpria." ele respondeu, olhando para os 
dois. Parecia que Mulder iria ficar quieto, enquanto Scully ia fazer as 
perguntas.

"Como voc sabia onde nos encontrar?" ela continuou com o 
questionrio, sabendo que Mulder a cortaria se fosse necessrio.

"Eu tenho observado vocs durante algum tempo, e j que vocs moram 
no mesmo apartamento h tanto tempo, descobrir onde vocs moram no 
foi difcil.Na verdade, todo mundo sabe disso."

"Todo mundo quem?" ela perguntou.

"O Sindicato, os aliengenas, seus inimigos, o FBI, os Pistoleiros,... quer 
que eu continue?" ele disse numa voz calma.

"Como voc sabe sobre o Sindicato?" Mulder perguntou.

"Por que eu sou uma parte deles." Andrew respondeu com cuidado, 
sabendo o que essa declarao poderia causar. E estava certo. Mulder 
reagiu imediatamente.

"E como voc ousa vir at aqui, com essa cara lavada?" Mulder se 
levantou, ficando cara a cara com Andrew. Scully permaneceu no sof,
no tendo foras para mais nada. Toda essa situao j estava sendo 
demais para ela, e junto com a gravidez, e as recordaes sobre
Emily s por estar segurando um papel com resultados de testes 
genticos j estavam levando seu quinho. Ela colocou a mo na barriga, 
e sentiu a cala dela ficar mida.

=Oh,no Oh,no Oh,no Oh,no Oh,no=

"Mulder?" ela disse, com uma voz pequena.

Mulder estava olhando para olhos iguais aos dele, que mostravam a 
mesma coragem, e se virou imediatamente ao som medroso que ouviu na 
voz de Scully. Ele a viu se curvando pra frente, com as mos no 
estmago, e foi at ela. Andrew imitou os seus gestos.

Mas Mulder no ligou para isso. Sua ateno agora estava totalmente 
focalizada em sua esposa, que obviamente estava em dor. 

"Scully? O que foi? O que voc est sentindo?" ele disse, tentando passar 
tranqilidade. "O que est acontecendo?" ele disse isso para Andrew, se 
lembrando de maneira conveniente que o rapaz havia dito que era 
mdico, apesar de no aparentar ter idade pra isso.

Mas Andrew no lhe deu ateno. Ele estava focalizado completamente 
na mulher  sua frente. "Me?" ele no conseguiu se impedir de falar. 
No sentia direito para ele chama-la de Scully, ou Dana, ou qualquer 
outra coisa, depois de tanto tempo ter esperado por encontra-la. Notou 
que a testa dela estava cheia de suor, e que ela estava fria, e colocando 
uma mo no pulso dela, viu que estava rpido demais. 

Ela estava entrando em choque.

"Vamos deita-la no sof", ele disse, com firmeza, e viu Mulder pegar ela 
pelos ombros, e ele levou os joelhos dela, e juntos a deitaram com 
cuidado no sof. Andrew logo notou o sangue na cala dela. "Ela est 
grvida?" ele perguntou, olhando para Mulder, que a esta altura estava 
com uma expresso desesperada no rosto.

"Sim, de dois meses, e no est sendo uma gravidez muito fcil." ele 
disse, apoiando a cabea de Scully, que estava tremendo. "Abra os olhos, 
por favor... por mim, abra os olhos." ele implorou.

Scully abriu os olhos, e viu Andrew  sua frente. Ela no queria ver a 
presena fsica dos testes que fizeram com ela, na sua frente. Mas 
precisava se algum para ajuda-la a sair dessa situao imediata.
"Eu estou.... grvida."

Andrew enrugou as sobrancelhas, e pegou uma das mos dela. Estava 
fria demais. "No se preocupe, ns vamos cuidar disso. S relaxe e nos 
deixe leva-la para o hospital." ele disse, e ela fechou os olhos, e Andrew 
percebeu que ela havia desmaiado.

"Ela desmaiou de novo. Isso acontece muito?" ele perguntou, 
sinalizando para Mulder para carrega-la nos braos enquanto ele abria a 
porta.

"Sim. Como eu disse, no est sendo uma gravidez fcil para ns. 
Principalmente para ela." E  obvio que voc  responsvel por esse 
aqui, ele pensou. Mas Mulder no queria entrar em detalhes agora. S 
queria leva-la em segurana para o hospital, e cuidar para que 
ela no perdesse o sonho dela, e o dele tambm. Se fosse preciso, ele a 
envolveria com algodo, e a guardaria dentro do quarto s para que ela 
ficasse segura. Ele quase sorriu ao pensamento, imaginando o que ela 
diria.

Quanto a Andrew, ele estava bem preocupado, e no queria dizer nada a 
Mulder para no preocupa-lo tambm. No era incomum esse tipo de 
ocorrncia em gravidezes de alto risco, ainda mais com o histrico de 
sua me. Ele tremeu a cabea, e parou de pensar nisso.

"O que foi?" Mulder perguntou a ele, enquanto desciam as escadas, no 
querendo esperar o elevador.

"Ela est sangrando. Pouco, mas o suficiente para ser um comeo de 
aborto." ele disse de maneira calma, mas concisa, deixando bem claro 
que no iria esconder nada dele.

Mulder apertou-a nos braos, e negou com a cabea. "No, isso no pode 
estar acontecendo. No seria melhor esperar a ambulncia?" ele falou, 
dando as chaves do carro para Andrew abrir a porta. 

"No temos tempo.  melhor levarmos ela imediatamente. Pode me dar 
ela por aqui." ele estendeu os braos, e Mulder parou. 

"No seria melhor coloca-la no banco da frente?"

"Ela no deve se sentar, se est sangrando. Deve ficar deitada o mximo 
possvel." ele falou, pegando no tnis que ela usava, e puxando-a pra ele, 
pegando na cala jeans, passando pelos joelhos, e coxas, at envolver a 
cintura dela, enquanto Mulder apoiava a cabea 
dela ombros, at que finalmente ele a deixou para Andrew, que estava no 
banco de trs, se ajeitando para segura-la. 

Instintivamente Mulder fez um movimento para ficar com ela. Mas 
Andrew o cortou, sempre de maneira tranqila, mas firme.

" melhor voc dirigir. Voc conhece o caminho, e, alm disso, tem 
carteira de motorista." ele disse, olhando diretamente para Mulder, que 
estava indeciso de qual deciso tomar, olhando para a forma inconsciente 
de Scully nos braos do rapaz.

Mas Andrew sabia exatamente o que dizer para convence-lo a fazer o 
que ele queria. "Assim vamos chegar mais rpido ao hospital para 
os mdicos cuidarem dela."

Isso fez o truque. Mulder fechou a porta do carona, deu a volta no carro e 
rapidamente se sentou no banco do motorista, cantando os pneus, 
sabendo que Andrew a estava segurando.

Durante o caminho para o hospital, Mulder estava a ponto de bala. Mil 
pensamentos passavam por sua cabea, a maioria deles sendo sobre 
Scully, e o que podia acontecer com ela. Ele virou o espelho retrovisor 
para baixo, na direo dela, e viu como Andrew a tinha deitado de forma 
confortvel, o pequeno corpo dela menor ainda nos braos dele.

Mulder estava se sentindo um pouco desconfortvel nessa situao, no 
gostando nada do carinho com que o jovem estava segurando sua esposa. 
Ele tinha se auto-proclamado ser filho deles, mas Mulder ainda no tinha 
aceitado o fato. E, no momento, Scully era mais importante para ele, 
como sempre.

"Como ela est?" ele perguntou, nervoso. Andrew lhe respondeu sem 
tirar os olhos de sua me. 

"Ela ainda est fria, suando, e sangrando. Pouco, mas ainda sangrando. 
No posso diagnosticar nada sem examina-la. Mas no hospital, eles vo 
fazer o possvel para segurar o beb. Ei, ela est voltando a si. Me?"

Mulder tirou os olhos um momento da estrada e olhou pelo espelho, 
vendo Scully com os olhos abertos, olhando para Andrew, confusa. 
"Scully? Voc est bem?" ele perguntou.

Ela olhou na direo dele, e mexeu com a cabea, ainda um pouco 
atordoada. Mulder carranqueou quando no ouviu a resposta padro dela 
para a pergunta padro dele: 'eu estou bem'. Ele xingou entre dentes e 
acelerou mais ainda.

Um minuto depois, Mulder avistou o hospital, e parou bem em frente  
emergncia, saindo carro, batendo a porta e dando a volta para ajudar 
Andrew, que j tinha aberto a porta. Dois enfermeiros que estavam  
porta, viram a comoo, e pegaram a maca que estava na entrada. 
Enquanto isso, Andrew e Mulder tiravam Scully com cuidado de dentro 
do carro, e logo ela estava sendo colocada em cima da maca, fechando os 
olhos. Os enfermeiros empurraram a maca para dentro, e Andrew seguiu 
de perto, no querendo deixa-la fora da viso dele, mas antes se virou 
para ver Mulder.

Um guarda estava falando com ele a respeito de no poder deixar o carro 
ali, o impedindo de entrar.

"Mas eu preciso entrar! Minha esposa est l e---" ele disse, ansioso.

"Senhor? Senhor, vai levar apenas um minuto, o carro pode ficar mais  
frente, por favor, senhor, seno vou ter que rebocar o seu carro e---" o 
guarda continuou, e Mulder ficou mais nervoso. No sabendo o que 
estava pensando, ou se estava pensando direito, ele olhou para Andrew. 
"V com ela." ele disse ao garoto, sabendo que ele ia cuidar bem de 
Scully. Rapidamente Mulder entrou no carro, e passou o carro para 
frente, num arranco, e saiu, nem mesmo se passando um minuto para 
isso, e voltou correndo para a entrada do hospital.

Andrew tinha entrado, e logo um mdico apareceu ao lado da maca. 
"Qual  o problema?", ele perguntou, verificando os olhos de Scully, e 
ajudando a empurrar a maca para uma das salas na emergncia.

"Ela est em estado de choque. E grvida de dois meses. H 
sangramento, possivelmente um aborto, acontecendo neste minuto. Ela 
ficou inconsciente por dez minutos depois do desmaio, recobrou a 
conscincia, mas no falou nada, e depois desmaiou de novo. Isso foi h 
uns cinco minutos."

O mdico o olhou por um breve momento aos dizeres claros e precisos
do rapaz, surpreso ao tom de certeza que ouviu nele. Se virando, ele foi 
em direo ao seu staff. "Temos que estabilizar o beb! Enfermeira, 
chame o Carter aqui, e voc, prepare o sangue tipo ----" o mdico 
comeou a dar instrues, enquanto as enfermeiras ajudavam a tirar as 
roupas de Scully. Uma delas se virou para ele. "Voc  da famlia?"

Andrew ficou mudo por um momento, e ento respondeu. "Sou o filho 
dela."

A enfermeira arregalou os olhos, e olhou para a paciente na cama, 

achando que ela era muito nova para ter um filho deste tamanho. Mas 
rapidamente voltou ao profissionalismo que aprendeu na faculdade e 
desenvolveu em todo seu trabalho. "Voc pode esperar do lado de fora, 
por favor? Assim que tivermos a situao sobre controle, vamos lhe 
informar sobre tudo, ok?" ela disse, o levando em direo  porta.

Andrew se virou para reclamar, tanto quanto seu pai costumava fazer, 
mas entendeu a necessidade dela ficar sob cuidados especiais. Ele 
concordou,e deixou se levar docilmente para o lado de fora da sala, e 
quando a enfermeira entrou, ele ficou de frente para a porta, de prontido 
para qualquer noticia.

Sentiu uma mo em cima do ombro e se virou. Mulder estava atrs dele, 
ansiedade descrita em todo seu rosto. "Onde ela est? Ela vai ficar bem? 
O que aconteceu?" ele disse, numa seqncia de perguntas

"Calma, pai, ela est sendo atendida agora. Daqui a pouco vo nos 
informar o que est acontecendo." E Andrew se aproveitou de uma 
vantagem que ele possua, e que raramente usava, somente em casos de 
extremo perigo. Ele, assim como Gibson Praise, lia pensamentos, pois 
essa era uma das obrigatoriedades dos resultados dos testes. E usou essa 
habilidade para poder saber o que estava se passando dentro daquela sala 
de emergncia. E ao fazer isso, se acalmou um pouco.

O 'novo ser humano' deveria ser capaz de ler mentes, principalmente 
para descobrir aliengenas disfarados, para sua prpria segurana. E 
Andrew quase nunca usava essa habilidade. Quando ele chegou ao 
apartamento, tinha bloqueado completamente os pensamentos de seus 
pais, no querendo invadir sua privacidade. E agora, se fazia necessrio 
saber o que estava se passando dentro daquela sala de emergncia, se no 
por ele, pelo menos para Mulder, que parecia que ia morrer ali mesmo de 
angstia.

Andrew sentiu a tranqilidade dos mdicos, e a mente ainda um pouco 
obscura de sua me estava tranqila tambm, sem dor. E por enquanto, 
isso bastava.

Mulder ficou quieto, andando de um lado para o outro, ao ouvir a 
resposta de Andrew. Ele queria era entrar naquela sala, e pegar na mo 
de Scully, para conforta-la e deixa-la saber que ele estava ali, mas sabia 
que isso, agora, no seria possvel. Ele ouviu uma voz ao longe.

"Pai?" Andrew perguntou, preocupado, querendo tranqiliza-lo.

"No me chame assim, garoto. Voc no me conhece", Mulder disse, de 
maneira sarcstica, atento de que 'isto'  sua frente era o resultado de 
algum tipo de teste. Ele estava agora com muitas preocupaes na 
cabea para lidar com esse tipo de informao. 

Andrew deu um passo para trs ao sentir a raiva em Mulder, mas o 
entendia. Haveria tempo para conversarem. Pelo menos era o que ele 
esperava.

"Mulder? Ser que no devemos chamar o mdico dela?" Andrew 
insistiu, sabendo que a prioridade de Mulder sempre seria sua me. 
No que no estivesse triste com isso, mas ele sabia que no seria 
fcil ganhar a confiana deles. 

Mulder olhou para ele, o focalizando pela primeira vez, e percebeu que 
isso deveria ser feito imediatamente. "Claro, claro. Fique aqui que eu 
vou at o balco e---" ele foi interrompido por um mdico que saiu da 
sala de emergncia.

"Voc  o filho dela?" o homem perguntou, ignorando Mulder, e indo 
direto para Andrew. Mulder ficou to atordoado com o que estava 
acontecendo que simplesmente ficou mudo  cena to surrealista  sua 
frente. Mas Andrew no vacilou. 

"Sim, eu sou. Como ela est?" Ele perguntou por cortesia, pois j sabia 
que as coisas haviam sido estabilizadas l dentro. Por isso ele estava to 
tranqilo, ao passo de que seu pai estava subindo pelas paredes.

"Ns a estabilizamos. Ela saiu do estado do choque completamente 
lcida. Ela e o beb esto passando bem, mas s teremos certeza
depois dos resultados dos testes que fizemos. Mas vamos coloca-la em 
observao por 24 horas, s por garantia. At l, seria melhor chamar o 
mdico dela para que tudo seja verificado antes dela receber alta." O 
homem continuou falando a Andrew, e Mulder aproveitou a deixa para 
entrar na conversa.

"Mas, ela est bem mesmo? Eu posso v-la? " ele perguntou, j um 
pouco aliviado. O mdico o olhou, com uma pergunta no olhar. "Sou o 
marido dela."

O mdico olhou de um para o outro, antes de responder. "Sim, mas s 
daqui a uns dez minutos. Ela vai ser levada para um quarto, aqui mesmo 
nesse andar, s para ficar em observao esta noite. Assim que voc 
preencher o formulrio de entrada, a enfermeira vai leva-lo at l. Voc 
preencheu a ficha com os dados dela na entrada?" O mdico perguntou, 
ao mesmo tempo em que uma enfermeira apareceu ao lado deles, com 
uma prancheta. 

"Voc precisa vir comigo preencher um formulrio", ela disse, olhando 
para Andrew, ignorando Mulder. Havendo sido informada que o parente 
da paciente era seu filho, ela se dirigiu ao rapaz. Mas estranhou quando o 
outro homem se adiantou e falou. "Ela  minha esposa. Eu vou preencher 
qualquer coisa que voc precisar. E voc", ele disse, apontando o dedo 
para Andrew. "Fica aqui." Mulder se apressou, com a enfermeira, e foi 
para o balco, para ligar para o mdico de Scully, e preencher o bendito 
formulrio. 

Tudo que queria neste momento era entrar naquele quarto, e falar com 
ela. Mas precisava chamar o mdico dela, e preencher tudo o que fosse 
necessrio, para que ela tivesse atendimento. Alm disso, o FBI poderia 
dar uma licena mais extensa para ela, depois disso. 

Quanto a Andrew, que se dizia seu filho, Mulder no tinha certeza do 
que pensar. Ele estava muito perturbado neste momento para pensar com 
clareza, mas ao ver a atitude dele, preocupada, um reflexo da prpria 
atitude dele, ele decidiu dar uma chance ao garoto.

Andrew acenou com a cabea, entendendo e aceitando a ordem. Ele viu 
quando saram com a maca pela porta lateral do corredor, e correu na 
direo dela. Scully estava deitada, olhos fechados, e ele seguiu a maca 
at o quarto designado. Esperou do lado de fora enquanto  ela era 
ajeitada dentro do quarto, e assim que a enfermeira saiu, ele entrou, 
resoluto. 

A imagem dela deitada numa cama de hospital o atingiu fortemente. 
Depois de testes e mais testes sofridos por ele, Andrew no se sentia 
muito confortvel com hospitais, camas e o cheiro forte de remdios. E 
estava ainda mais angustiado com o fato de que era sua me que estava 
passando por isso, mais uma vez. 

Se aproximando da cama, ele notou a brancura da pele, o cabelo 
vermelho (seu pai no tinha condies de ver essa cor to bonita nos 
cabelos dela - o que era uma pena), o corpo pequeno, e ento, ele 
suspirou fundo, colocando o rosto nas mos.

Ele estava com medo de no ser aceito por ela, e nem por Mulder. Desde 
sua breve existncia, ele sempre se sentiu conectado a esses dois, de 
alguma maneira. E mais ainda com a sua me, devido a algo que eles 
tinham em comum. Um chip.

Um chip que tinha vrias funes, mas que s podia capacitar uma de 
cada vez. Em sua me, o chip alterou as clulas de seu corpo, 
exterminando as clulas cancerosas, em clulas saudveis. E quanto a 
gravidez.... ele no tinha idia de como isso tinha acontecido, devido ao 
triste histria dela nos testes.

Nele, o chip ativava sua habilidade para ler mentes. E ele podia controlar 
quando e onde poderia fazer isso. E agora, ele no queria pensar. Ele 
queria sentir.

Se aproximando mais, ele pegou a mo dela entre as dele, e a acariciou 
com o polegar. Podia sentir a pele lisa, a mo pequena e ainda um pouco 
fria, e v-la sumindo entre as mos grandes e quentes dele. Apertando-as 
um pouco mais, ele se abaixou, de joelhos, e ficou quase cara a cara com 
ela, e viu claramente os olhos dela se mexendo.

Ficou quieto, esperando para ver o que aconteceria.

"Mulder....?" ela sussurrou, ao sentir o toque em sua mo. Ainda um 
pouco exausta do que havia acontecido, Scully estava ainda sonhando, 
mas sentindo o mundo ao seu redor. Ela podia sentir uma mo tocando-a, 
com o mesmo toque de Mulder, mas ainda assim, havia uma diferena. 
Ela enrugou as sobrancelhas, e lentamente abriu as plpebras pesadas.

Viu  sua frente um rapaz, e ela o conhecia.... e subitamente tudo veio  
sua mente. Ela puxou a mo que ele segurava, e ele a soltou 
imediatamente, levantando ambas as suas mos. 

"O que voc est fazendo aqui? Onde est Mulder?" ela disse, pnico 
crescendo a cada minuto.

"Calma, calma... Mulder est vindo a. Ele foi ligar para o seu mdico. E 
est tudo bem com o beb, antes que voc pergunte." Andrew 
rapidamente anunciou, antes que ela ficasse mais nervosa.

O beb! Scully fechou os olhos, e levou a mo at a barriga, esfregando-
a inconsciente. E se recusou  a abrir os olhos novamente, no querendo 
ver a prova viva dos testes que fizeram com ela. 

"O beb est bem... me." Andrew falou num tom triste, mas 
tranqilizador. Scully abriu os olhos, e sentiu aquela estranha conexo
que havia sentido assim que tinha aberto a porta pra ele. E agora,
a expresso que via nos olhos to iguais aos de Mulder era de 
angstia, e carinho, e de uma fragilidade que ela j havia visto antes:
em Emily.

Ser que era assim que todos os filhos olhavam para suas mes? 
Mesmo tendo ficado com Emily poucos dias, ela via nos olhos da
filha uma necessidade por carinho que no via nas outras crianas.
Parece que quando a conexo me-e-filho  estabelecida, os olhares
so diferentes sim.

E agora, com Andrew  sua frente, ela via o mesmo olhar. Seu filho...
meu Deus... s agora ela compreendia o que estava  sua frente.

Ela tambm tinha necessidades. E depois do que aconteceu com Emily,
um vcuo tinha estado ocupado um lugar em seu corao, e no parecia
que coisa alguma ou algum, nem mesmo Mulder, poderia preenche-lo.

Ser que Andrew poderia preencher esse vcuo?

Ela no havia percebido que tinha fechado os olhos. E nem que
Mulder no estava ao lado dela. Talvez porque se sentia segura, 
mesmo sem saber o motivo, ao lado de Andrew.

Sentindo um aperto na mo, ela abriu os olhos, e viu Andrew
segurando a mo dela entre as dele. Parecia que ele tinha a mesma
persistncia que Mulder em no deixa-la. Ela sorriu, triste, ao
pensamento. 

To igual ao pai... ela estava tentando encaixar tudo, mas depois
de ver o quanto eles eram parecidos fisicamente, e ao que parecia,
terem os mesmos sentimentos de proteo em relao a ela, Scully
no podia deixar de compara-los.

Estava receosa de se entregar a esta nova vida, mas quando olhou
nos olhos de Andrew, os procurando, ela viu algo que quebrou seu
corao. Ele estava chorando em silncio.

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Andrew no sabia o que fazer. No sabia o que dizer para fazer com
que esta mulher o aceitasse. Sua necessidade por um carinho materno
era grande, pois s teve 'pais' durante toda sua existncia. Mesmo que
Mulder fosse seu pai, e que ele o amava muito mais do que os outros
'pais' adotivos que teve, era ela que ele sempre quis. Em todos os 
seus sonhos, todos os momentos em que leu sobre eles, seus casos,
e suas 'aventuras', era nela que ele sempre ficava focalizado.

Talvez fosse o fato dela ser cientista, como ele. Talvez fosse o fato dela
ser controlada, como ele era a maioria das vezes. Sim, porque de vez
em quando, Andrew sentia necessidade de 'chutar o pau da barraca', 
como diziam por a. Mas ele sempre se comparava a ela, procurando
sinais de que eles eram do mesmo sangue.

E sempre percebeu que havia puxado  me. Enquanto ela estava de
olhos fechados, ele sorriu a esse pensamento. Sabia que era fisicamente
igual ao pai, mas emocionalmente, ele era uma mistura dos dois, mas
com certeza ele tinha puxado mais a sua me do que seu pai em relao
a sentimentos.

Sempre foi fechado. Muito mais devido  sua natureza de criao do
que por qualquer outra coisa. Testes, exames, horrios... tudo isso
tinha contribudo para que ele fosse educado, amvel, mas no se
envolvesse com ningum emocionalmente. E sempre tinha guardado
esse sentimento, desabafando em incontveis noites, com seus pais, 
em pensamentos.

E agora, tinha medo de no ser aceito por eles. Decidindo que daria
tempo ao tempo, e que deveria sair, e falar com Mulder antes de
ir embora e permitir que eles tomassem uma deciso, e se quisessem,
entrasse em contato com ele, ele pegou a mo de Scully para sentir
mais uma vez a maciez das mos que ele um dia pensou que o 
segurariam como um filho.

E no agentou a emoo. Chorando silenciosamente, ele continuou
fitando aquela mo to pequena, no percebendo que estava sendo
observado.

Ele levantou os olhos, e fixou o olhar naqueles olhos azuis to 
incrveis, e perdeu o flego ao ver o que estava l. Algo havia mudado:
ela o estava olhando de outra maneira, agora. Um olhar com que ele 
sonhou muitas vezes, e que agora parecia ser realmente verdade.

E ento, o sonho dele virou realidade. Logo, com um breve qu de
hesitao, ela abriu os braos um pouquinho, e ele, ajoelhado, se
jogou com cuidado dentro dos braos dela, enfiando o rosto no 
pescoo dela , chorando, como uma criana desamparada, nos braos
de sua me.

Finalmente.

FIM DA PARTE 1


ANDREW - PARTE 2

Autora: Edna Barros (Vancouver)
ednabarros@uol.com.br
www.wfics.hpg.ig.com.br

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Scully fechou os olhos, aliviada, sentindo ter finalmente aberto seu
corao  emoo que sempre esteve presa dentro dela. No pensou
em como foi rpida a aceitao de tudo isso, mas de uns tempos para
c tinha aceitado o fato de que seus instintos eram muito aguados, 
mais do que qualquer um. 

Pensou em sua me, que vrias vezes sonhara com ela, principalmente
no rapto, e que havia sim uma ligao.

Pensou em seu pai, que 'apareceu' na sala dela, bem na sua frente, 
pouco antes de morrer, mesmo estando a milhares de distncia dali.

Pensou at mesmo em Luther Boggs, e em tudo que ele disse.

Pensou em quando Mulder estava sumido, e que havia sido dado
como morto, mas que em sonho a avisou de que estaria voltando para
ela. 

Lembrou-se tambm das aparies de Harold Spiller e a menina 
degolada. 

Sabia que tinha um sexto sentido muito aguado.

E depois de todas esses acontecimentos, ela sabia que este aqui era
seu filho, e que ele precisava dela, assim como Emily tinha precisado
dela. E como ela no havia conseguido ajudar Emily, ela ia tentar 
ajudar Andrew no que fosse necessrio.

Por isso, j se sentiu agradecida por poder dar esse carinho para ele.
Ele se parecia tanto com Mulder... to carente... to necessitado...
e ela tinha muito amor pra dar. Tanto para Mulder, quanto para
Andrew, e para o beb que estava vindo. E sabia que esse amor
ia ser recproco. Alis, j o era.

Sentiu quando Andrew passou os braos ao redor dela, por trs,
se ajoelhando mais ainda, se aproximando mais dela quanto possvel.
A proximidade que ele precisava ter nesse momento era a mesma que
ela precisava. E ela o apertou mais ainda nos braos. 

Sentiu as lgrimas do menino pararem, mas ele a continuou abraando,
e ela o permitiu fazer isso. Foi quando ela se deu conta da presena
de outra pessoa no quarto. Abrindo os olhos, ela viu Mulder, parado
na porta, os olhando com confuso. 

E com os olhos, ela implorou que o aceitasse tambm, que confiasse
nela nesse sentimento, e como sempre acontecia quando eles se 
olhavam, milhares de palavras foram ditas, e compreendidas, e ele
acenou com a cabea, se aproximando da cama, e envolvendo os
dois dentro dos braos dele. 

E foi a vez de Scully chorar.

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Mulder estava frentico. Como se no bastasse ter que preencher 
essa porcaria de papelada, ele ainda teve que esperar para receber
a confirmao de que o mdico iria o mais rpido possvel ao hospital
para atender Scully. 

Ele queria estar l, ao lado dela, mas sabia ser importante fazer isso
aqui tambm. Tudo precisava ser bem feito, para que no houvessem
problemas adiante. 

Ainda estava pensando em Andrew, e no que ele havia dito. Dvidas
ainda pairavam sobre sua cabea, mas Mulder no podia deixar de
notar o quanto ele era parecido com os dois, e de quanto ele parecia
gostar de Scully. Seu sexto sentido no tinha 'clicado', avisando-a de
que algum poderia machuca-la. Pelo contrrio. Com Andrew, mesmo
relutante, ele teve que aceitar que seu instinto dizia que podia
confiar nele, implicitamente.

Mas estava confuso. Enquanto andava pelos corredores, na direo
do quarto que a enfermeira tinha lhe dito que Scully estava, ele pensava
no que ia acontecer agora, com esse garoto entre eles. Scully estava
esperando um beb, o beb dele, e Andrew estava entrando no meio
disso tudo. Como as coisas ficariam ento?

Ele parou junto  porta, pronto para entrar, mas uma viso o parou. 
Mesmo ali, de longe, ele poderia ver Scully deitada, com os olhos
fechados, e Andrew perto dela, tocando-a pela mo. E viu o rapaz
chorando. O corao de Mulder se apertou estranhamente, e ele
no entendeu a reao que estava tendo ao ver o garoto chorando.

Mas com certeza foi o olhar dela que mexeu com ele. 
Mulder nunca tinha visto aquela expresso to serena, to calma
no rosto de sua esposa. Mesmo no dia em que casaram, e naquele
dia o olhar dela era de pura felicidade, assim como no dia em
que ela descobriu que estava grvida, no havia aquela serenidade
no olhar.

E isso era dirigido para Andrew. Mulder ficou um pouco ciumento
ao perceber isso, mas logo parou de pensar nisso quando viu Scully,
que no tinha dito uma palavra, abrir os braos, hesitante, para 
Andrew, que prontamente entrou no abrao carinhoso, chorando.
Dali da porta ele podia ouvir os soluos abandonados dele, e
ele mesmo ficou emocionado, e confuso ao que estava sentindo.

Foi pensando nessas emoes que ele entrou no quarto, vendo
o exato momento em que Scully o percebeu. E, entendendo
claramente a mensagem que ela estava lhe passando em silencio:
ela estava lhe pedindo para confiar nela, e aceitar sua deciso.

Ele acenou com a cabea, sabendo que nunca recusaria nenhum
pedido dessa mulher to importante para ele, e, se aproximando,
ele fez o que tinha vontade de fazer desde que viu Andrew entrando
nos braos de Scully. 

Ele os abraou. Toda sua famlia. Scully, o beb que ainda estava
dentro dela, e, ao que parecia, o beb superdesenvolvido que estava
chorando em seus braos.

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Depois dos nimos acalmados, todos se recompuseram, se olhando,
com Andrew ainda segurando a mo de Scully. Quando Mulder ia
dizer alguma coisa, a porta se abriu. A enfermeira entrou, junto com
o mdico, e ambos pareciam estar com pressa .

"O que vocs dois esto fazendo aqui?" o mdico perguntou, e a 
enfermeira fo na direo de Scully para conferir os sinais vitais
dela, ignorando os dois homens. 

"Ns viemos para ficar com ela", Mulder disse, resoluto. No ia sair
dali to cedo. E ao que parecia, Andrew era da mesma opinio.

"Sinto muito, mas neste momento, o horrio de visitas terminou,
e eu vou lhes pedir para que se retirem para que eu possa examinar
a minha paciente." o mdico falou, gesticulando para os dois sarem
do caminho.

Andrew se dirigiu ao mdico, enquanto Mulder tirava o distintivo
do bolso. "Doutor, meu nome  Andrew McInney, e eu pleiteio a 
norma sobre assistncia a entes queridos para que eu possa permanecer
aqui, incluindo a norma sobre jurisprudncia mdica das normas
oficiais do cdigo legal de medicina." ele disse isso com autoridade,
para que no houvesse dvidas quanto  sabedoria dele em relao
s normas.

O mdico olhou para ele de maneira estranha. "Quanto anos voc
tem, rapaz?"

"20 anos. Sou clnico geral habilitado, e se ainda tiver dvidas,
sinta-se livre para verificar os meus registros, senhor." ele 
respondeu, sem titubear.

Mulder entrou na jogada. "E eu sou o marido dela. E como tal,
tenho direito a ficar aqui como acompanhante dela, e  o que
vou fazer. " ele decidiu no mostrar o distintivo, achando no ser
necessrio. As coisas ali pareciam bem calmas.

O mdico viu a expresso resoluta dos dois homens  sua frente, e 
olhou para sua paciente, que parecia estar dormindo tranqilamente.
Ele olhou para a enfermeira, que acenou para ele, dizendo logo
depois que os sinais vitais dela estavam bons, mostrando-lhe a 
prancheta. O mdico decidiu ento no esquentar a cabea ali. Ao
que parecia, o mdico dela logo estaria chegando para confirma-la,
e ele no se aborreceria com esses dois aqui. Sua noite j estava bem
cheia sem esses problemas.

"Ok, tudo bem. Vocs podem ficar. Mas a qualquer sinal de 
perturbao, vou pedir-lhes para sarem imediatamente, certo?"

Os dois homens acenaram, e olharam a enfermeira e o mdico
saindo do quarto, e logo se viraram para Scully, que estava dormindo
por causa do leve remdio que deram pra ela. Toda aquela passagem
emocional dos dois a havia desgastado mais do que ela pensava, e 
ela estava calma, sabendo que depois falaram. Queria ter ficado
acordada, mas simplesmente no agentou.

Mulder puxou uma cadeira entre as pernas, e sentou-se ao lado da
cama, bem prximo ao rosto dela. Procurou qualquer linha de tenso,
que indicasse que ela poderia estar sentindo algum tipo de dor, mas
no viu nada. Ele ficou alguns minutos assim, e viu quando Andrew
se moveu para o outro lado da cama, olhando fixamente para ela, e
ento estender a mo para tirar uma mecha de cabelo do rosto dela,
colocando-o atrs da orelha, com cuidado, para no acorda-la. 

O silncio dentro do quarto o permitiu escutar o sussurro que era
a voz do menino.

"Voc sabe o quanto eu esperei por este momento, pai?" ele
disse, no olhando para Mulder.

Estranhamente, Mulder no sentiu raiva ao ouvir o termo pai vindo 
de um homem que ele acabara de conhecer. Pelo contrrio. Ele sentiu-
se como um pai que tinha encontrado um filho. Ouviu a pergunta, mas
no respondeu, entendendo que era retrica.

"Desde que descobri sobre voc. E sobre ela", ele falou suavemente,
concluindo, "Ela  tudo que eu esperava, e muito mais."

Mulder entendia o sentimento. Ele mesmo se achava indigno de receber
o amor dessa mulher, uma mulher que o acompanhou durante anos, lhe
deu fora, f, credibilidade, carinho, amizade, confiana, e amor...  
muito amor.

Numa vida cheia de traies, desde da dos seus pais, e de 'amigos', ela
foi o porto seguro dele, um refgio onde ele poderia se esquecer das
maldades do mundo e acreditar que havia felicidade na terra para ele.

"Sim, ela ." ele disse, muito baixinho. Olhando para Andrew, ele
sentiu uma necessidade para dizer algo mais. "Ela  tudo pra mim."
ele concluiu, esperando a resposta de Andrew para esta declarao.

"Sim, eu sei. Eu conheo vocs h muito tempo, e eu j havia 
percebido que sem ela, voc teria morrido h muito tempo." ele
disse numa franqueza de dar d. "Voc deu muito trabalho para
ela, pai."

Mulder sentiu que essa conversa de pai pra filho no era para Scully
ouvir. Mas ele no ia ser recriminado por Andrew. No ia deixar
isso acontecer. "Olha s.. talvez fosse melhor conversamos sobre
isso depois, ok?" ele disse, cortando a conversa.

"Voc  quem sabe, pai." Andrew respondeu, no querendo ter uma
contenda aqui agora mesmo. Neste momento, o nico objetivo deles
era passar a noite com a mulher mais importante da vida de ambos,
e no brigarem.

Brigarem como pai e filho. 

Andrew sorriu.

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A volta pra casa, na manh seguinte, foi feita em silncio. Andrew 
estava no banco de trs, quieto, assim como Mulder, que estava
dirigindo. Scully, exausta, estava dormindo desde que entraram
no carro, ao sarem do hospital, pois o mdico havia lhe dado a 
primeira dose dos remdios que ela teria que tomar para controlar esta 
fase da gravidez de risco.

Mulder achou melhor assim. S assim ele no teria que conversar com
ela a respeito desse novo 'beb' na vida deles. Ele no estava 
confortvel em ter a ateno dela dividida com este jovem, to
descaradamente necessitado da ateno dela tanto quanto ele.
E ainda assim, ele estava dividido, pois sentia uma forte ligao
com Andrew, mesmo no dando o brao a torcer.

Quanto a Andrew, ele no conseguiu de se impedir de ler a mente
de Mulder. E viu todas as dvidas, e cimes que estavam l. Seria
melhor esclarecer as coisas agora, antes que elas ficassem piores.
Mas antes de comear a falar, ele sondou a mente de sua me, e
s depois que teve certeza de que ela estava dormindo, ele comeou
a falar.

Sabendo que Mulder ainda estava ressentido com tudo isso, ele evitou
chama-lo de pai, por enquanto. "Mulder?" Andrew perguntou, em voz
baixa.

Mulder no responde de imediato. No queria ter essa conversa, mas
sabia que ela era necessria. Ah --- melhor acabar com isso. "O que 
, Andrew?" ele perguntou, meio a contragosto.

"Voc tem alguma pergunta a me fazer?"

"Onde voc vai ficar?" Mulder perguntou. No era uma pergunta to
necessria assim, pois ele sabia, indiretamente, que Scully no o 
deixaria ficar na rua. E nem ele, afinal de contas. Mas Mulder estava
muito dividido. E alm do mais, ele queria realmente saber como
Andrew se sustentava.

"Eu estou atualmente num hotel. Tenho minha prpria renda, eu posso
dizer assim." Ele falou, certo de qual seria a prxima pergunta. No
precisava ler mentes para saber o que seu pai queria saber. "No vou
ficar com vocs, pode ficar tranqilo. No, a menos que vocs me 
convidem." ele continuou, no muito esperanoso de que aquilo 
aconteceria, pelo menos por parte de Mulder.

Mulder olhou para Scully, ainda dormindo, tranqila, no banco da
frente. Ele sabia que ele iria convida-lo, se tivesse escutado isso. Ela
era uma pessoa dadivosa por natureza. Afinal de contas, ela mesma
se deu para ele durante todos esses anos, sem reclamar, sempre 
cuidando dele. Com Andrew no parecia que ia ser diferente. 

Alm disso, Mulder tinha a leve impresso de que ela ficaria muito
angustiada por no poder conversar com Andrew assim que acordasse.
Ela at que tentou, mas os remdios fizeram efeito antes, e sono a
colheu. Por isso ele disse o que no queria, no naquele momento.

"Eu gostaria que voc ficasse conosco, at que Scully acordasse, 
para podermos conversarmos. Mas, se voc quiser ir embora, depois
eu posso te ligar para voc vir e nos encontrar mais tarde." 

Assim que Mulder disse essas palavras, Andrew respondeu 
imediatamente. "Eu adoraria ficar. Muito obrigado. Prometo 
no incomodar." ele disse, solcito.

Mulder acenou com a cabea, e ficou quieto, assim como Andrew.

Rapidamente chegaram ao apartamento, e Mulder estacionou. Andrew
saiu logo, e abriu a porta de Scully, mas Mulder o olhou por cima do 
carro, e ele se afastou. Mulder se aproximou dela, se agachando.

"Scully? Scully, acorde, j chegamos." Ele esperou, e at mesmo a
sacudiu um pouco, mas ela no me se mexeu. Ele olhou para Andrew,
que permanecia do lado do carro, mos nos bolsos, ansioso para ajudar, 
mas ficando quieto. 

Mulder no perguntou o que precisava fazer. Mesmo se fosse errado,
ele a pegou nos braos, e a levou pra dentro, no sem antes dizer, 
"Tranque o carro." para Andrew, que o seguiu de perto para dentro
do apartamento. 

Mulder a levou para o quarto, e olhou para Andrew, deixando claro 
para ele esperar na sala a sua volta. Mulder a colocou com cuidado 
na cama, tirou a roupa dela, e a vestiu com uma das camisas dele,
que ela adorava usar, e a deixou s de calcinha. A cobrindo com
cuidado, ele beijou-lhe os lbios, e ficou um longo tempo ajoelhado
ao lado da cama, olhando-a, procurando algum sinal de angstia, 
mas no vendo nenhum, sussurrou para ela:

"Eu vou entrar naquela sala, Scully. Mas o que devo fazer? Como
devo reagir a tudo isso? E se ele no for quem diz ser? Eu no
me importo, mesmo, mas estou preocupado com voc, com mais
esse baque." ele disse, no esperando uma resposta.

A beijando mais uma vez, ele se levantou, se virou e foi para a porta. 
Andrew estava de p, no mesmo local que ele o havia deixado, e 
Mulder foi direto para a cozinha. 

"Quer alguma coisa para beber?" Mulder perguntou, educado.

"Sim. gua, por favor."

Em silncio, Mulder encheu o copo, e lhe entregou, e tambm 
tomou um. Ambos estavam cansados dos recentes acontecimentos,
e no iriam dormir agora, pois no podiam baixar a guarda em relao
a Scully. E agora, ele tambm no tinha vontade de conversar com
ningum. Tudo que queria era subir naquela cama, abraa-la, e 
ficar com ela at ela acordar. E se pudesse dormir, seria timo, 
tambm.

Mas com Andrew ali... ao mesmo tempo em que queria que ele 
fosse embora, e sumisse, como se nunca tivesse aparecido, Mulder
no queria perde-lo de vista, s para ter certeza, de uma vez por todas,
se ele era realmente o que dizia ser. E se fosse... bem, eles iriam ver 
como as coisas ficariam. Ele bocejou, e Andrew aproveitou a deixa.

"Noite longa, hein?" ele perguntou, tambm demonstrando um cansao
que no sentia.

Mulder pegou a deixa. "Voc quer descansar? Eu no quero saber nada
enquanto Scully no acordar. Assim, voc nem vai precisar dizer as 
mesmas coisas duas vezes. Eu vou pro quarto, e se voc quiser, o sof 
todo seu." Ele no ofereceu roupa de cama, nem nada. Deixaria 
Andrew se virar. 

Andrew se sentou, e respondeu, "Obrigado. Descansar seria bom". Mas
ele no disse a Mulder que no precisava descansar. Um dos objetivos
do projeto era 'construir' um 'ser humano' que no precisasse dormir
muito, nem descansar, para no ser pego de surpresa. Quando os 
tempos difceis chegassem, eles teriam que ser resistentes, e sono no
poderia atrapalha-los.

Mas Andrew, que desde que saram do carro no estava mais lendo a
mente de Mulder, foi pego de surpresa ao que ele disse. 

"Eu vou para o quarto. Minha arma est l. Se eu ouvir um som, 
qualquer que seja, eu vou atirar, sem olhar, entendeu? E preste 
ateno no que voc vai dizer, pois se voc colocar Scully em
risco, ou em angstia, eu pessoalmente vou te jogar pela janela,
sem piscar."

E sem piscar, Andrew o viu saindo para o quarto. Ele ficou na 
mesma posio no sof, e ficou pensando no que poderia dizer, e como 
poderia provar tudo.

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Mulder entrou no quarto, e trancou a porta por dentro. Colocou a orelha
na porta, mas no escutou nada na sala. Suspirando, sabendo que ainda
ele e Scully tinham um longo caminho a percorrer, ele se virou para
a cama, e viu seu anjo dormindo pacificamente. 

Em silncio, ele tirou as roupas, e as dobrou na cadeira, e foi para
o banheiro para se limpar. Logo depois, foi para a cama, e com muito
cuidado, para no acorda-la, ele se deitou, e a puxou contra ele, e
escutando o som da respirao dela, ele conseguiu relaxar o suficiente
para fechar os olhos e dormir.

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Por volta da uma da tarde, Scully acordou, se sentindo um pouco 
desorientada. No pela claridade, pois as cortinas estavam fechadas, 
mas pela sensao de cansao que estava tendo. E logo, as recordaes
do que havia acontecido no dia anterior vieram  sua mente. Ela tentou
se sentar na cama, e sentiu um peso na cintura. 

Era Mulder, que a apertava contra a cama. Ele havia acordado, 
quando sentiu os movimentos dela, e agora, os dois estavam muito 
acordados.

"Scully? O que foi?" ele perguntou, se sentando, e olhando para ela.

"Mulder, onde est Andrew?" ela perguntou, ansiosa. 

Mulder no gostou muito de ver essa ansiedade latente no rosto dela.
A primeira preocupao dela teria que ser com o beb, no com 
algum que simplesmente =caiu= em suas vidas.

"Bem, Scully, at onde eu sei, ele est descansando no sof." ele
disse, a ajudando a se sentar. 

"Eu preciso falar com ele. =Ns= precisamos falar com ele, Mulder.
Saber o que est acontecendo. " Ela falava rapidamente, e comeou
a tentar sair da cama, mas Mulder no a deixou sair assim.

"Tudo bem, Scully. Eu entendo a sua necessidade para falar com
ele, mas antes, ns precisamos falar um pouco, ok?" ele olhou 
nos olhos dela, pedindo uma chance para que esclarecessem tudo.

Ela suspirou. "Certo, Mulder. O que voc acha disso tudo?" ela
falou, se deitando na cama de novo.

"Eu no sei, Scully, isso est muito estranho. Um rapaz aparece, 
do nada, e diz que  nosso filho? Eu sei que nossa vida sempre 
envolveu coisas estranhas, surpresas, mas =isso=,  demais
at mesmo pra mim!" ele disse num tom leve, realmente achando
graa do improvvel da situao.

Scully sorriu, apesar de tudo. Essa era a inteno de Mulder. 

"E agora, que voc est grvida, com o nosso filho, eu no quero
que voc se sinta coagida, ou tensa, agravando ainda mais a sua 
gravidez." ele parou de falar, mas em algum momento de seu 
discurso, ele tinha pego a mo dela com uma mo, e estava acariciando 
o rosto dela com a outra. 

Ela fechou os olhos, e suspirou. 

"Mulder, eu no sou feita de vidro, sabia?" ela disse, um pouco irritada.

Ele abriu a boca para protestar, mas ela olhou para ele, claramente lhe
dizendo para ficar quieto, pois agora quem iria falar era ela.

"Eu, como mdica, conheo bem a minha situao, e o quanto  
arriscado pra  mim e para o beb continuar esta gravidez. Mas eu sei
que esta pode ser a ltima chance que posso ter de carregar um beb
dentro de mim, e dar  luz, e me sentir como uma me normal, e no
uma cobaia para aquelas coisas que se chamam de humanos." a esta
altura, ela estava falando baixo, mas o tom no deixava dvidas quanto
 raiva e indignao que ela estava sentindo.

Mulder fechou os olhos, entristecido, e continuou acariciando-a no
rosto e mo, acalmando-a,  sem interrompe-la.

"Voc se lembra de Emily? O quanto foi injusto o que aconteceu?
Que eu tentei adota-la, minha prpria filha, e no consegui? E como
ela morreu? Mas o mais importante, Mulder, e o que no vou me 
esquecer, foi que voc me disse que ela tinha me encontrado, e eu 
a tinha amado, e tentado cuidar dela. Mesmo no sendo o suficiente
o que fiz, fico confortada ao pensar assim."

"E agora, Andrew aparece." ela falou, parou, e fechou os olhos, 
comeando a chorar. 

"Shhh..." Mulder a abraou completamente, e eles ficaram assim 
durante muito tempo, ela chorando baixinho, e Mulder a abraando,
lhe dando sua fora. Depois de alguns minutos, ela se recomps, e
ele se afastou o mnimo possvel, olhando na profundidade dos olhos
azuis.

"Eu quero acreditar nele, Mulder. Ele trouxe os testes, e pelo que
sei, ele no tentaria nos enganar, sabendo que faramos ns mesmos
os nossos testes para provar o que ele est dizendo. Ele se parece
demais com voc, Mulder. Em quase tudo." ela sorriu, se lembrando
da cena no hospital.

"Que foi?" ele no entendeu o sorriso dela.

"No hospital, quando acordei, achei, pelo toque que senti na mo, que
era voc ao meu lado, mas era ele. Mulder, ele at age como voc! Tem
coisas que no se consegue apenas imitando algum, Mulder. Alm 
disso, aqui dentro de mim, eu j o aceitei, e  isso que est me deixando
mais tranquila." ela olhou para ele, que desviou o olhar.
"Mas voc no engoliu a histria, no ?" ela insistiu.

Ele olhou para ela, mudo, no querendo desanima-la. Ela realmente 
parecia estar aceitando aquele fato com mais facilidade do que ele, 
e Mulder no entendia isso.

"Como voc pode aceitar tudo isso to passivamente? Depois de Emily,
e ainda por cima sabendo que aquilo que est l na sala  fruto do que
fizeram com voc, e comigo? E como eles conseguiram pegar a minha
parte, para juntar com a sua? Scully, tem muita coisa aqui que precisa
ser esclarecida, e eu no quero aceitar as coisas como elas so. Eu 
preciso de provas."

Na hora em que disse isso, Mulder olhou para ela, maravilhado ao que
viu l. Ela estava sorrindo de novo!

"Voc escutou o que acabou de dizer, Mulder? Acho que nossos papis
esto invertidos aqui." ela riu, baixinho, achando graa disso.

Ele sorriu, ao ver que ela estava certa.  E ela, aos poucos, ficou sria.

"Mas vou te dizer uma coisa, Mulder. Eu quero acreditar e aceitar o
fato de que aquela criana l na sala, e no 'aquilo', como voc
se referiu,  nosso filho."

"E se ele no for?" Mulder insistiu.

"E se ele for?" ela fechou o crculo.

Ambos ficaram calados. Scully continuou.

"Mulder, eu acho que ele   nosso filho sim, e quero acreditar nisso,
e aproveitar cada momento de felicidade com ele. Mas quero fazer
isso com voc. Eu sei que voc est relutante, mas vamos conversar
com ele, e  claro que no vamos nos conhecer de uma hora pra outra.
Isso leva tempo. E caso algo acontea, eu quero aproveitar, como
eu j disse, cada momento com ele, e com voc, ns juntos, como
uma famlia. Prefiro viver achando que ele  nosso filho, e ama-lo
como tal, do que viver na dvida, pensando 'ser que ele  nosso 
filho, ou ser que no?' Se temos que decidir, vamos decidir que
ele == realmente nosso beb, Mulder, pois  isso que ele . Uma
criana que no teve o amor de uma me, de um pai, e neste momento,
eu tenho muito amor pra dar."

A esta altura, era Scully que estava acariciando os cabelos e rosto
de Mulder, tentando faze-lo aceitar sua idia. Mas ela sabia que isso
no era necessrio. Ela sabia que ele faria tudo que ela quisesse
e achasse o que era melhor para ela, o beb, e para ele.

"Mas de uma coisa voc pode ter certeza, Mulder. Eu te amo, mais
do que tudo. Voc  tudo pra mim, e nada vai mudar isso, ok?"
Ela o puxou contra ela, o beijando firme, e Mulder se afundou nos
braos amorosos de sua esposa.

Deus... ela era to forte que o humilhava. E agora, depois de ter 
passado a noite num hospital, aqui estava ela, pronta para ele, pronta
para ama-lo, e acalma-lo em relao a seus medos. Ele a beijou mais
profundamente, e a acariciou, e o clima mudou completamente. 

"Scully....  seguro?" ele perguntou, ofegante.

Ela olhou para ele, e vendo sua necessidade, rapidamente o 
tranquilizou. "Deixe comigo, Mulder." 

Ela o pegou pela mo, mas no final ele a carregou para o banheiro.
Scully sorriu e tremeu a cabea, no sabendo mais o que fazer para
faze-lo parar de se preocupar tanto.

No chuveiro, mesmo sob protestos, ela o satisfez, sabendo que seu
marido precisava deste ato para saber o quanto ela o amava, e o 
quanto ele era importante para ela. Devido  situao dele, ela no 
demorou muito para que ele viesse, mas mesmo assim ela se cansou
um pouco.

Mulder ficou parado, respirando fundo, olhando para ela com olhos
selvagens e a levantou com as mos dele.

"Scully... voc  maravilhosa..." ele falou, e eles saram do chuveiro,
com Mulder pegando uma toalha e a enrolando na cintura, enquanto
pegava uma maior e secava Scully com carinho, para logo depois
enrola-la na toalha e carrega-la de volta pra cama.

"Mulder! Assim no d! Desse jeito eu vou desaprender a andar!"
ela falou, rindo, e ele tambm riu.

"Ora, assim eu vou unir o til ao mais do que agradvel." ele sorriu
para ela, levantando as sobrancelhas.

Ela olhou para ele, confusa, ainda nos braos dele, que tinha parado
no meio do quarto.

"Eu carrego voc, e ainda fao exerccios - levantamento de peso."
Ele a desceu um pouco e a levantou nos braos, como se estivesse
realmente fazendo exerccio. 

Ela riu e deu um tapinha no ombro dele. "Mulder! Voc est me
chamando de gorda?"

Ele riu mais ainda, e tremeu a cabea, a carregando pra cama.
"Imagina! Na academia eu levanto pesos mais pesados do que 
voc."

Ele a sentou na cama, e falou, olhando-a nos olhos. "Me escute
bem: eu vou trocar de roupa, e vou enfrentar a fera." ela riu ao
jeito como ele disse fera. "Ento, voc, =bem devagar=, vai
secar o seu cabelo, deixa-lo com aquelas ondas que eu adoro, e
usar minha roupa preferida. Ento, vai para a sala, para que todos
ns possamos almoar, e ento, s ento, vamos conversar, ok?
Voc precisa se alimentar, docinho."

Ela riu, e ficou olhando enquanto ele vestia a roupa. Mais uma vez
Scully admirou o corpo de seu marido, com admirao.

"Ei, no me olhe assim, ou voc no vai sair dessa cama", ele disse,
brincando, sabendo que ela no teria condies de fazer isso. Agora.

Saindo do quarto, Mulder deixou Scully se arrumando e viu
Andrew sentado no sof, na mesma posio, e num relance quis saber 
se ele tinha dormido,tambm. 

Andrew se levantou assim que Mulder se aproximou. Os dois estavam
novamente sem jeito na presena um do outro. 

"O que voc gostaria de comer?" Mulder perguntou, pegando o 
telefone. Ele ia tentar, por causa de Scully.

"No quero incomodar, Mulder." Andrew respondeu depressa.

"Olhe, Scully vai sair do quarto daqui a pouco, e vamos todos almoar
juntos. Ela no vai gostar de ver que voc no vai comer conosco."
Mulder disse, tentando ser gentil. Ele ainda estava reticente em aceitar
Andrew to prontamente quanto Scully.

Andrew acenou com a cabea, e lhe disse que qualquer coisa estava
bom, e Mulder fez os pedidos. Dali a meia hora a entrega seria feita.

Largando o telefone, Mulder foi  cozinha e lavou o rosto, para se
manter mais acordado, e bebeu um suco. Dessa vez no se incomodou
em perguntar se ele queria alguma coisa. E assim, Mulder na cozinha,
e Andrew no sof, eles esperaram a entrada de Scully na sala.

Vinte minutos depois, ela aparece, de cala jeans e uma das camisas de
Mulder, bem solta, para se sentir o mais confortvel possvel. Ela no 
estava usando sapatos, ficando apenas de meias, e Mulder adorou a
viso. Ela era uma discrepncia de qualidades. Forte, enchendo 
qualquer ambiente com sua presena, mas ao mesmo tempo delicada,
frgil, e nesses momentos ele via o quanto ela era pequena, usando
as roupas dele.

Scully se aproximou de Mulder primeiro, e o beijou. Ele brincou, 
relaxando a primeira vez desde que entrou na sala : "Essa  uma das 
minhas roupas favoritas?"

Ela respondeu no mesmo tom brincalho. "Voc no pode negar que
adora essa blusa." ela pegou o tecido.

"Agora que voc a est usando, ela est dentro das =dez mais=."

Ela riu, e se virou para Andrew. Scully sentiu Mulder ficar um pouco
tenso, mas apertou-lhe a mo, tentando transmitir uma confiana que
ainda no tinha. Isso no ia ser fcil.

Quando a Andrew, ele estava adorando cada momento desde que ela
entrou na sala. S com a presena dela, sua me tinha conseguido 
relaxar tanto seu pai quanto ele mesmo. Ele olhava para os dois, 
percebendo o quanto o lao entre eles era intenso. E sorriu a isso.

Foi nesse momento que Scully se virou, e ela tambm estava 
sorrindo da brincadeira que tinha acabado de fazer com Mulder. 
Para Andrew, esta era uma das mais bonitas vises que ele tinha
visto. Sabia muito bem porque seu pai tinha se apaixonado por ela.

Ficando de p, ele olhou para ela, mas o sorriso que estava nos 
lbios de ambos foi diminuindo, at que ela o estava olhando, sria,
e ele tambm devolvia  o mesmo olhar. Ento, Andrew achou, num
momento de medo , que ela tinha decido que ele deveria ir embora.

Mas ela se aproximou, e estendeu os braos, e Andrew prontamente
a envolveu em seus braos, e comeou a chorar, de alegria, alvio
e amor, agarrando-a forte.

Scully sentiu o corao leve, sabendo instintivamente o quanto 
Andrew precisava de algo para conecta-lo a um mundo real, fora
de laboratrios, testes, fatos frios e at mesmo inumanos. Ela o 
acalmou com 'shhh...s' e passando a mo sobre o cabelo dele, at
que Andrew se endiretou com ela nos braos, tirando-a do cho.

"Wow!" ela falou, e Mulder rapidamente veio para o lado dela, 
inseguro do que fazer. Ao ver o olhar dela, ele parou, mas ficou
olhando atentamente para qualquer sinal perigoso.

Quanto a Andrew, ele permaneceu de olhos fechados, apreciando
este momento nico para ele, e um primeiro, onde ele a via por
completo, inteira, e a sentia o abraando, o acariciando, assim como
uma me faz com seu filho. Ele a apertou mais ainda, e a ergueu do
cho, querendo aprofundar o toque dele nela. Ele no sentiu Mulder se 
aproximando, profundamente imergido na proximidade, cheiro, 
toque e voz de sua  me. 

Era disso que ele precisava, e de mais nada. 

Quando, depois de muito tempo, ele se acalmou, ele abriu os olhos,
s para ver os olhos de seu pai fixos nele. Andrew percebeu o que 
estava fazendo, e com cuidado desceu Scully no cho.

"Desculpe, eu... me desculpe, me... - quero dizer, Dana , ou 
Scully..." Andrew no sabia para onde olhar.

Scully colocou uma mo sobre o rosto dele, tranquila. "Tudo bem, 
Andrew. Est tudo bem. Pode me chamar de me, se quiser."

Andrew no acreditou no que estava ouvindo. No acreditou que seu
sonho estava se tornando real. 

"Srio?" ele perguntou, maravilhado.

Ela sorriu para ele, com os olhos cheios de lgrimas, e acenou com
a cabea.

"Eu tenho tanta coisa para falar com voc, me..." ele parou e se virou
para Mulder, mas mais srio. "... e com voc tambm, Mulder."

Mulder no lhe deu a brecha que Scully havia lhe dado, e ela no
insistiu. Ela conversaria com ele depois. 

"Eu imagino que sim. Mas antes, vamos comer, relaxar, e s ento 
vamos conversar, ok?" Mulder falou, ao mesmo tempo em que o som 
da campainha encheu a sala.

"Deve ser o almoo. Scully, por que voc no se senta na mesa 
enquanto eu pego tudo? Andrew, v com ela." Mulder falou, mas
Scully tremeu a cabea. 

"Pode pegar o almoo, Mulder, mas eu vou prepara-lo. Voc e
Andrew esperem na mesa." 

Ele abriu a boca para reclamar, mas mais uma vez, ela o interrompeu.

"Mulder..." ela falou, levantando uma sobrancelha em advertncia.
Mulder conhecia bem aquele olhar para no fazer o que ela estava 
dizendo.

Andrew riu intimamente ao que estava vendo, ansioso para ficar
mais perto dela, pois neste momento, ela era a nica pessoa que o 
tinha aceitado ali. Ele sabia que seu pai ainda estava relutante, mas
sabia que sua me o dobraria. Que timo!!!! Ele estava adorando 
tudo isso. Era como ter uma famlia que ele nunca teve.

Mulder foi, a contragosto, pegar o almoo, e o levou para a cozinha. 
Scully foi com ele, e o empurrou de leve, na direo da mesa em
que Andrew j estava se posicionando. Os dois ficaram olhando
Scully enquanto ela  pegava os pratos, preparava a mesa, e arrumava
o almoo. 

Todos sabiam que ela precisava fazer isso. Precisava mostrar que
ainda estava bem, apesar do susto do dia anterior.

Eles comeram em silncio, mas era um silncio tranquilo. Ao
terminaram, Mulder e Andrew fizeram questo de tirar tudo, no
deixando-a fazer nada, insistindo para que ela fosse para o sof.
Ela reclamou, mas fez o que eles pediram.

Os dois ficaram trabalhando em silncio, desta vez sendo Scully
que estava notando como eles agiam um com o outro. Era bvio
que Andrew estava mais calmo, e aparentemente, Mulder no 
demonstrava muita intimidade, claramente hesitante de mostrar 
qualquer tipo de afeio pelo seu filho. Ela guardou em sua memria
esta lembrana para poderem conversar mais tarde.

Acabando a limpeza, eles se sentaram, e Scully sentou-se na poltrona 
em frente ao sof. Durante alguns momentos, ela olhou para Andrew, 
analisando-o, e procurando seus olhos para ver algum sinal de maldade 
neles. No encontrou nada negativo. Pelo contrrio, a sensao de 
conforto que  sentia perto dele era intensa, e ela pensou em como 
poderia se sentir  to bem com algum que acabara de conhecer. 

Quanto a Mulder, estava ao lado dela, de p, ansioso, tenso, pronto
para agir caso a situao exigisse isso. Ele ainda no confiava em
Andrew, e agora seria a oportunidade para conversarem.

Scully comeou as perguntas, e Andrew as respondeu da maneira mais
sincera possvel. Mulder tambm fez perguntas, mas enquanto as 
dvidas de Scully girassem ao redor da cincia, as dele eram voltadas
para o Sindicato. 

No final, descobriram, pelas palavras de Andrew, que o Sindicato ainda
funcionava, e que preparava a colonizao, tendo feito acordo com os
aliengenas para poderem se salvar. Egostas, decidiram que poucos
sobreviveriam, e por isso um outro Sindicato foi criado. Um dos 
lderes foi um homem chamado 'Garganta Profunda', e Andrew deixou
bem claro o quanto gostava saber sobre aquele homem. 

Mulder acenou com a cabea, se lembrando das ocasies em que o 
Garganta o tinha ajudado a tentar descobrir a verdade. Ele fechou
os olhos numa lembrana querida.

Scully perguntou a Andrew. "Quem mais estava na liderana deste 
projeto?"

Ele deu de ombros. "Na verdade, o Garganta foi o nico que fiquei
sabendo que fazia parte do grupo original, e s porque ele morreu.
Mas por que vocs no me perguntam logo como eu fui criado?"
ele disse, lendo a mente de seu pai, e de sua me tambm. 

"Eu estou realmente com uma dvida imensa em relao a isso,
Andrew. Apesar de no ser uma lembrana muito querida, eu estou
certa de que a 'matria prima' foi retirada de mim na minha abduo,
mas e quanto a Mulder?" ela perguntou, olhando para Mulder, e ento
para Andrew.

Ele respirou fundo, e comeou a falar. "Vocs se lembram quando,
h muito tempo atrs, vocs foram investigar um caso em que Mulder
foi levado pelos militares?" ele parou, e olhou para seus pais, que
estavam sorrindo. "O que foi?"

"Voc tem que ser mais especfico, Andrew. Eu j fui levado pelos
militares milhares de vezes." Mulder falou, sorrindo, mas ficou logo
srio ao se lembrar dessas ocasies. 

"Voc invadiu uma base militar, para investigar a denncia de discos
voadores escondidos l." ele insistiu.

"De novo, Andrew, voc vai Ter que ser mais especfico. Mulder
j fez isso milhares de vezes tambm", agora era Scully que olhava
para Andrew, tentando entender do que ele estava falando.

"Foi sobre pilotos de jatos experimentais , que usavam tecnologia
aliengena para testes, e que no tinham a estrutura corporal capaz
de suportar tamanha presso e velocidade das aeronaves de teste."
Andrew falou firme, e continuou. "E que um militar, disfarado de
reprter, tentou levar voc para longe dele, me."

Scully se lembrava muito bem daquele caso. Ela tinha ficado com
muito medo de perder Mulder, mas no podia demonstrar fraqueza,
ento, gritava a plenos pulmes com aquele desgraado, apontando
a arma para sua cabea, e fazendo a troca dele por Mulder, que 
apareceu no porto da base dopado, desorientado e obviamente 
extenuado.

"Vejo que vocs se lembram", Andrew falou, ao ver a expresso
de dor de sua me, e de raiva de Mulder.

"Mas como eles conseguiram? Como eles ---?" Mulder tentou 
falar, mas no conseguiu.

" bem bvio como eles conseguiram tirar a sua matria prima,
Mulder. Enquanto voc estava sob o domnio deles, eles puderam
fazer com voc o que quiseram." ela se virou para Andrew. "Mas
como vocs conseguiram isso deles? Sim, porque foram eles que
tiraram isso de ns, no foi? O lado ruim do sindicato?" 

Andrew sorriu de leve. "Ns tnhamos pessoas infiltradas l. Elas
roubaram alguma coisa aqui, outra ali, e vois-l! O Sindicato bom
estava com o material necessrio para criar um ser humano imune
aos ataques aliengenas, ou bem resistente."

Scully suspirou, e falou. "Andrew, voc sabe o que eles fizeram 
comigo?"

Ele parou de sorrir, e abaixou a cabea. "Eu li tudo a respeito. E 
sinto muito por tudo que voc passou, me." ele colocou as mos
no rosto. "E por eu ser o resultado daquilo."

Ele falou isso com tanto pesar e dor, que Scully no aguentou. Ela
se levantou, e foi at ele, e Mulder apenas ficou olhando, tentando
ler o rapaz  sua frente. Mulder estava usando suas capacidades
profissionais de profiler para tentar entender rapidamente o que
via  sua frente, esta pessoa que dizia ser filho deles. Um filho
criado num laboratrio. E, at agora, ele no tinha encontrado
nada que dissesse o contrrio.

Scully se ajoelhou na frente de Andrew, e tirou as mos dele do
rosto. "Calma, Andrew. Voc no tem culpa de nada. Voc no tem 
culpa de que algum sequestrou a mim e a Mulder, tirou o que 
quiseram de ns, juntou tudo isso, e te criou. Voc nasceu pela
vontade deles, mesmo sendo o lado bom do Sindicato." ela continuou
falando, mas ele continuava com a cabea baixa, no erguendo a 
cabea. 

Scully olhou para Mulder, pedindo socorro.

Mulder tinha acabado de notar tudo. A pose de Andrew, o rosto, seu
olhar antes que ele abaixasse a cabea ao ouvir a pergunta de Scully...
ele no queria, mas era difcil no acreditar no rapaz. E se a intuio
de Scully estivesse certa, e este garoto estava falando a verdade...
era seu filho que estava ali sofrendo. 

Ele tomou uma deciso, por ele mesmo, de fazer o possvel para aceitar
a idia de que Andrew era filho dele e de Scully.

Scully viu a transformao na expresso e no olhar que Mulder lhe 
deu, e ofegou, seus olhos comeando a se encherem de lgrimas.

Mulder ficou de p, e colocou uma mo no ombro de Andrew , que 
ficou tenso por um momento, e ergueu os olhos para seu pai, vendo
ali a mesma expresso que tinha visto no hospital, quando sua me o
abraou, e ali, quando eles voltaram para casa um pouco mais cedo,
quando sua me tinha acordado.

Andrew no tirou os olhos de Mulder. Ele ficou parado, quieto, 
no querendo ler a mente do homem  sua frente, somente para Ter
o momento de nico de sentir a emoo ao ouvir as prximas palavras
de Mulder.

"Voc  to inocente quanto ns nisso tudo..." Mulder falou, e
continuou.

"...filho."

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Fim da parte 2



ANDREW - PARTE 3

Autora: Edna Barros (Vancouver)
ednabarros@uol.com.br
www.wfics.hpg.ig.com.br

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Scully ergueu os olhos para Mulder, que no parava de olhar para
Andrew. Mulder puxou seu filho para cima, e o agarrou, forte, 
surpreendendo o rapaz. 

Ela levou a mo  boca, abismada ao que estava vendo: a aceitao
de Mulder para a realidade  sua frente. Como ele conseguiu inibir
suas desconfianas e dar esse passo to grande? Ela estava um pouco
confusa com isso, mas com certeza, estava muito contente tambm.

Andrew tambm no conseguia acreditar, assim como Scully, no
que estava acontecendo. Ele estava sendo abraado, e com muita fora,
por seu pai. E quando pensou que as coisas no podiam melhorar, ele
escutou Mulder dizendo:

"Voc pode me chamar de pai, se quiser..."

Andrew, sem querer, leu a mente de seu pai, e sorriu.

Mulder continuou, tentando aliviar a emoo do momento.
"Se bem que vai ser difcil de explicar como eu posso Ter um filho
desse tamanho". Ele olhou para Scully, mas antes dele falar mais
alguma coisa, Andrew o cortou.

"Voc no vai Ter problemas quanto a isso, pai - voc aparenta a
idade que tem. Agora, quanto a voc, me..." ele olhou para Scully,
que olhou para Mulder, achando graa na situao mas ao mesmo 
tempo receosa de como ele levaria a piada.

Mas Mulder foi junto com seu filho. Afinal de contas, no que se referia
a Scully, os dois tinham o mesmo pensamento, e ao que parecia, seu
filho tinha um pouco de seu senso de humor, e um pouco da sua 
audcia tambm.

"Nisso eu tenho que concordar com voc, Andrew. Sua me est em
tima forma." Ele bateu nas costas do filho, que sorriu, aliviado.

Mas Andrew ficou srio, de repente, e todo mundo notou. Scully foi
a primeira a falar. "O que foi, Andrew? Alguma coisa errada?"

Ele olhou para seus pais, com dvida no olhar. No sabia como 
dizer sobre a leitura de mentes, mas no havia outro jeito de contar a
no ser falando diretamente.

"Tem uma coisa que eu no contei pra vocs..." Ele falou, e sentiu
que eles ficaram alertas. E continuou. "Eu posso ler mentes."

Silncio.

Mulder e Scully se olharam, olhos arregalados, pensando na mesma
coisa: Gibson.

Andrew acenou com a cabea. "Sim. Assim como Gibson Praise. Mas 
no por causa do DNA modificado, mas devido a um chip implantado
em mim, que aumenta minhas capacidades mentais em dez vezes. 
Vamos dizer que  uma intuio melhorada." ele falou, dando de 
ombros.

Scully se aproximou dele. "Onde est o chip, Andrew?" ela falou, e
ele olhou para ela, lendo em sua mente o que ela queria perguntar
realmente.

"Atrs da minha orelha. No  igual ao seu, que est em seu pescoo. E
no tem a mesma funo. O seu  um dispositivo remoto de controle
da mente. Permite a quem o controla comandar suas aes, me, 
fazendo-a ir onde eles querem. Como aconteceu naquela ponte." ele
falou, triste, e continuou. "E ele realmente curou o seu cncer."

"Isso quer dizer que ela no pode tirar o chip?" Mulder falou, 
nervoso, se lembrando de toda agonia que sentiu ao se lembrar
dessa ocasio. Ao ver uma mulher parecida com Scully, morta
naquela ponte, ele ficou sem ao, at que Skinner se aproximou  e o
levou at onde ela estava, inconsciente. 

Ele se aproximou dela, e colocou as mos nos ombros tensos. Mulder
sentiu que ela estava tremendo tambm. "Scully?"

"Eu estou bem, estou bem..." ela falou, de maneira no muito 
convincente. "Mas preciso me sentar um pouco." ela estendeu a
mo para trs, para a poltrona que estava sentada, e se sentou. 
Andrew se ajoelhou na frente dela, um pouco preocupado, tentando
entender o que estava acontecendo.

"No seria melhor continuarmos a conversar depois? Eu tenho tempo
de sobra", ele falou, querendo realmente dar tempo para eles poderem
entender o que ele era, e quem ele era tambm, em suas vidas.

Scully acenou com a cabea, concordando, a princpio. Ela no queria se 
lembrar do cncer, nem daquelas cenas horrveis da ponte, apesar de Ter 
ouvido a prpria voz numa fita contando tudo. E agora ela notou que 
estava bem cansada, com a gravidez, o susto de ontem e com todas essas 
revelaes.... ela levantou a cabea e olhou para Mulder, que a fitava
com ateno. 

Andrew, por sua vez, segurava as mos dela, frias como gelo, e
percebeu que ela estava cansada ao extremo. E que a presso dela
poderia estar baixando de novo. No querendo que ela desmaiasse,
ele olhou para ela, e perguntou. "Voc j tomou o seu remdio?" 

"J, antes de almoar. E pode deixar que eu no vou desmaiar, 
Andrew." ela sorriu para ele, que ficou aliviado com isso. 
"Eu vou me deitar, mas pode continuar a falar." ela falou isso, e deitou
no sof. Mulder se agachou ao lado dela, esperando Andrew falar.

Andrew olhou para Mulder, que acenou com a cabea. Ele continuou.
"Seu chip  uma das unidades mais simples que o Sindicato tinha. 
Estava em fase de testes em relao  unidade remoto de controle.
Em relao ao... cncer...." Andrew parou de novo, sentindo a dor
que ela estava sentindo ao se lembrar disso. "...ele controla as 
clulas cancergenas, no deixando-as agirem."

"Mas, eles podem me chamar de novo, no ?" ela perguntou, 
a voz fraca de medo. S Mulder conhecia esse lado dela em 
relao a essa impotncia do que havia sido feito a ela. Andrew
tambm leu a mente de sua me, e descobriu seus medos. Ele
tentou tranqiliz-la. 

"Sim, eles podem. Mas eu tambm posso construir um outro chip
que vai cortar os efeitos de transmisso remota desta unidade. 
Ele no vai conseguir ser receptor, apenas emissor.  fcil. S
preciso da tecnologia certa."

Mulder pensou imediatamente nos Pistoleiros. Mas ele ainda estava
na dvida se confiaria o chip de Scully, a nica coisa que a mantinha
bem, e viva, nas mos dele. Andrew leu a mente dele. 

"Confie em mim, pai. Sei o que estou fazendo. Pode Ter certeza de
que a ltima coisa que eu quero que acontea  que algo de ruim 
acontea com a minha me." Ele falou com convico, ainda segurando 
as mos de Scully, sentindo-as ficarem quentes. "Eu posso explicar todo 
o processo para os seus amigos... Pistoleiros, no ? Eles vo entender o 
que eu vou fazer, e te dizer se est certo ou errado. O que voc acha?"

Ele perguntou, e esperou a resposta de Mulder, que no demorou a 
responder, mas com outra pergunta. "Ela corre o risco de ser levada
agora mesmo?" 

Scully acenou com a mo. "Ei, rapazes! Eu ainda estou aqui!" ela 
falou, querendo lembrar o fato de que era sobre ela que eles estavam
falando. 

Andrew e Mulder sorriram para ela, em acordo. "Claro que est,
Scully", Mulder respondeu. "E queremos saber o que voc acha."

Ela olhou para Andrew. 'Voc sabe o que eu estou pensando?' ela 
pensou, e Andrew acenou com a cabea. 'Voc pode parar com isso?" ela 
perguntou, e Andrew novamente acenou com a cabea, cortando a 
ligao. Ela o agradeceu. "Obrigada." e sorriu.

Scully sabia que sua situao era difcil. Seu corpo estava em 
processo de transformao devido  gravidez e no seria fcil retirar 
o chip, tendo o risco de desenvolver o cncer. Ela olhou para Mulder, 
e falou isso. "Mulder, no quero correr esse risco. Estou 
grvida do nosso beb, e se eu tirar o chip,  bem provvel 
que o cncer venha com fora total. No vou me arriscar agora."

Mulder olhou dentro dos profundos olhos azuis dela, e entendeu. Ele
mesmo estava apavorado com essa possibilidade, e se sentiu aliviado
por ela no querer fazer isso. Mas ainda havia o risco dela ser chamada.
O que fazer agora? Ele se virou para Andrew, que olhava para eles dois.

Mulder precisava saber de uma coisa antes de comearem a falar de 
novo. "Andrew, voc pode bloquear sua leitura de nossas mentes? No
 muito agradvel saber que tem algum que sabe o que voc est
pensando por perto." ele falou, e Andrew respondeu.

"No tem problema, pai. Pode deixar que eu no vou ler a mente de
vocs. S quando algum de vocs estiver em perigo." ele falou,
convicto, e disso ele no abria mo. Seus pais, agora, eram a coisa 
mais importante que havia em sua vida, e ele queria mante-los sos
e salvos por muito tempo. "Mas se eu fizer isso, sem querer, podem 
me chamar a ateno que eu paro na hora."

Mulder e Scully entenderam bem a posio dele, e Mulder falou de 
novo, olhando para Scully. "Mas, se o chip ainda est permitindo que 
ela possa ser comandada, por que isso no aconteceu de novo?" ele
terminou a pergunta olhando para Andrew.

"Vocs destruram um trabalho de muitos anos que estava acontecendo
na Antrtica. Isso fez com que eles ficassem focalizados em outra coisa
alm dos abduzidos. Eles precisam Ter aquele poder de volta, e posso 
avisar que eles querem vingana." ele falou numa voz grave, no 
deixando dvidas qual era o tipo de vingana a que ele se referia.

Mulder se virou para Scully, que estava de olhos fechados. Ela no
podia imaginar que isso no tinha acabado ainda. Tudo bem que algo
como uma invaso aliengena no ia acabar de uma hora para outra s
por causa da nave que Mulder jurava que tinha tirado ela de l. Mas
 que ela s queria curtir seu marido, o beb, e a mudana defitiniva
de Mulder para o apartamento dela.

"Scully? Voc est bem?"

Ela ouviu a voz de Mulder, cheia de preocupao, e ao abrir os olhos,
viu no s Mulder, mas Andrew tambm em cima dela. Grande! Agora
ela tinha dois super-protetores! Ela levantou a mo para acalma-los.

"Estou tima, na medida do possvel. Mas voltemos ao tpico da 
vingana." ela parou e respirou fundo. "Como voc acha que eles
podem executar essa  vingana?" ela perguntou, no querendo saber 
muito a resposta.

Andrew tambm respirou fundo e falou, sabendo que ela no ia
gostar  muito de ouvir isso. "Eles podem tirar os Arquivos X de
vocs, ou desacredita-los, fazer vocs perderem o emprego, matar
um de vocs dois, ou os dois, ou levar voc de novo, me, matar o beb, 
ou lev-lo embora." 

Isso foi dito  no tom mais suave e sincero que ele conseguiu falar, mas 
mesmo assim, Andrew viu como seus pais ficaram abalados com essas 
idias, principalmente sua me. Mas ele se apressou em continuar. "E 
esse  um dos motivos que eu estou aqui. Para protege-los." Essa 
parte foi dita com segurana, e at mesmo um pouco de presuno. 
Mulder olhou para ele, e perguntou, enquanto segurava Scully pelos
ombros, sentindo-a tremer um pouco depois de ouvir aquelas terrveis
possibilidades. "E quais so os outros motivos, Andrew?" 

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Mulder sentiu um frio pela espinha quando ouviu Andrew dizer sobre
os planos do Sindicato de acabar com eles.  claro que ele ainda tinha
um afeto muito grande pelos Arquivos X e seu trabalho, assim como
Scully tambm tinha, mas isso no era mais importante em sua vida. Por 
isso, quando ele ouviu sobre a possibilidade de Scully ou o beb 
sofrerem alguma coisa, ou serem levados de novo, ele gelou.

Ele podia admitir tudo: perder o emprego, os arquivos, at mesmo a
reputao (reputao? e ele ainda tinha isso?) - mas Scully? E o beb? 
Ele no podia nem imaginar que seus bebs (Scully nunca iria ouvi-lo
se referindo a ela dessa maneira) pudesse Ter um fio de cabelo  
machucado. Aquele pequenino ser que estava crescendo no 
pequenino corpo de sua esposa era a segunda pessoa mais amada por ele 
neste  mundo, desde que descobriu a sua existncia. A primeira, claro, 
era Scully.

E era por ela que ele estava se sentindo mal. Mulder podia ver as linhas
de tenso que ela tentava esconder to bem, mas que ele agora conhecia
muito intimamente. Ela no podia engana-lo mais.  Mas Mulder no 
conseguiu manter a curiosidade de lado ao ouvir
a expresso de Andrew de que ele os protegeria de qualquer um que
os tentasse machucar. E que esse era um dos motivos que ele tinha 
vindo aqui. Apertando Scully nos braos, ele perguntou para Andrew.
Mulder estava comeando a ficar inquieto.

"E quais so os outros motivos, Andrew?" 

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Scully no queria saber quais eram esses motivos. Desde que ouviu
Andrew dizendo que o beb estava em perigo, tudo em sua mente se
fechou. Ela pensou nas tragdias em sua vida, nesta gravidez de risco
e no perigo que era sua vida, a vida que ela havia escolhido. 

Ela colocou a mo na barriga, e fechou os olhos, sentindo o brao de 
Mulder ao redor dela. E, de repente, ela se sentiu muito cansada para
isto tudo. Mas ela queria ouvir a resposta de Andrew. Ela se forou
a abrir os olhos, e virou a cabea para Andrew, esperando sua resposta,
mas sentindo a inquietao de Mulder.

Ela sabia o que o estava preocupando. Ela no podia ler mentes como
Andrew, mas quando vinha a Mulder, ela o lia muito bem. Sabia que
o que o Andrew disse sobre ela estar em perigo o preocupou, mas ela
no se preocupava com ela, mas sim com o beb. 

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Andrew se levantou e foi para a janela, olhando para o lado de fora.
Ele sabia que essa pergunta viria mais cedo ou mais tarde. E agora, 
ele saberia o que poderia esperar de seus pais. Dependendo da resposta,
ele ficaria ali, ou iria embora, ficando  margem da vida de seus pais.

Ele fechou os olhos ao sentir a dor daquele pensamento.

"Eu fui criado sem pais. Mas, devido  minha inteligncia, boa vontade
e sagacidade, rapidamente tive pessoas que me adotaram como um 
filho ou amigo muito chegado nesses poucos anos que tive de vida at agora."

Ele se virou para Mulder e Scully, e viu que os dois estavam olhando
para ele, prestando muita ateno. Ele continuou perto da janela, mas
fitou intensamente  Scully.

"Sempre tive uma figura masculina para me guiar, me mostrar como
fazer as coisas, mas sentia falta de uma figura feminina na minha 
vida, uma figura de me. De vez em quando eu pegava os caras 
l do laboratrio com uma foto de namorada, ou at mesmo de uma
me, e eu perguntava como era Ter uma mulher em sua vida."

"Todos sorriam ao ouvir a minha pergunta, mas muitos choravam 
tambm. De saudade. Percebi que tinha saudade de algo que nunca
tive. Por isso senti a necessidade de conhecer voc, me, e mais tarde, 
voc pai. Eles ficavam dizendo como era bom Ter algum para amar,
e eu nem sabia o que era amor. Mas o que mais mexeu comigo era
quando eles diziam o quanto era bom ser amado. E eu no tinha 
isso."

Mulder e Scully suspiraram, mas ficaram quietos.

"Ento, sorrateiramente, comecei a acompanhar a vida de vocs, pela
internet, acessando bancos de dados. Assim como o Sindicato sabia o 
que vocs faziam, eu tambm. Mas eu no deveria participar dessa 
atividade, alis, nem saber quem vocs eram, s que eles nunca 
descobriram que eu sabia de tudo. Eu sou xereta, e bem dissimulado.
Quem ser que eu puxei?" ele falou isso dando um meio sorriso.

Mulder sorriu ao ouvir isso. Tal pai, tal filho. Scully olhou para Mulder,
e sorriu brevemente tambm.

"Antes de acontecer o desastre, com meus conhecimentos de 
informtica, aprendi a base lgica do funcionamento de equipamentos
eletrnicos, em especial computadores, e forjei documentos, conta
bancria suprida com o dinheiro do inimigo, s em caso de emergncia,
sabe?" ele perguntou, querendo que seus pais no achassem que ele
tinha feito algo errado. Ao que parecia, no era esse o caso.

"Depois que aconteceu o desastre, eu sabia que a hora havia chegado.
Descobri que o Sindicato estava irado com o que voc fez na
Antrtida, pai. Deixar uma nave como aquelas ir embora no  uma
boa propaganda para eles. Com certeza isso os deixou em maus lenis."
Ele sorriu, pensando em como aqueles traidores se viraram para arrumar
toda aquela baguna.

Andrew continuou. "Mas, depois que fiquei sozinho, senti uma imensa
necessidade de estar com vocs. Ter uma famlia de verdade. Ser
amado, e no testado por toda minha vida. Foi por isso que vim 
aqui. Para que vocs me aceitassem como um filho que voltou,
mas que na verdade nunca saiu daqui." 

Pausa.

"Eu posso vir morar com vocs?"

Andrew no tinha inteno de fazer essa pergunta, mas  que os 
pensamentos que tinha pego de sua me desde que chegou aqui, e de
seu pai tambm, lhe deu coragem para isso. Seus pais estavam 
comeando a aceitar a idia de que ele era filho deles!!!! Ento, que
tal forar a sorte um pouquinho mais?

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A primeira resposta de Mulder era dizer no. Ele ficou de p, e ficou
andando impaciente de um lado para o outro, sem responder. Scully
e Andrew ficaram olhando para eles. Todos sabiam que por parte dela,
a resposta seria sim, mas o apartamento dela era pequeno, e Mulder
j estava morando ali, mesmo que de vez em quando ele voltasse para
o apartamento antigo dele, que estava sendo quase sublocado.

Mulder pensava em como seria ter Andrew ali morando com eles, e 
Scully s pensava em como ajeitar todo mundo ali. Novos apartamentos
j estava passando por sua cabea. Mas ela sabia que a resposta 
dependeria de Mulder, que ela via que estava muito nervoso. 

Scully percebeu o que precisava ser feito. Ela decidiu deixar todos os
pensamentos a respeito sobre o Sindicato, e se fixar em sua famlia.
Com essa nova deciso, ela sentiu uma onda de energia passar pelo
corpo dela e se levantou de repente. 

Mulder parou e olhou para ela, querendo entender o que ela estava
fazendo. Ela no estava cansada agora mesmo?

"Scully? O que foi?"

Ela sorriu para ele, e para Andrew, que tambm a olhava, mas no estava
lendo a mente dela, a seu pedido. Ele at que gostou disso, pois ali no
havia necessidade de ficar sempre em alerta, preocupado com o que eles
estariam pensando ou querendo dele. Afinal de contas, eles eram seu 
pais.

"Tive uma idia. Que horas so?" ela olhou ao redor, procurando o 
relgio dela. Andrew respondeu automaticamente. 

"So nove horas da noite, me." 

Ela olhou para Mulder, e perguntou. "Voc j trouxe todas as suas 
roupas do seu apartamento?" ela sabia que ele estava fazendo a mudana
aos poucos, pois ela estava tentando ajeitar o apartamento para ele, e
faltava pouco. Na verdade, s o sof dele faltava aqui, mas ela ainda 
no sabia onde coloca-lo. E com certeza o sof viria!

"Sim, eu trouxe. Mas o que..."

"timo. Voc poderia pegar uma bermuda e uma camisa para o 
Andrew?" ela perguntou, indo para o banheiro. "Andrew, troque de
roupa assim que ele te der a bermuda e a camisa, sim? Mas fique de 
tnis"

Andrew somente sorria, nem imaginando o que estava se passando
na cabea de sua me, mas sabendo que era uma coisa boa 
para todos eles.

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Mulder estava confuso. O que ela estava querendo fazer? Pra que
ele precisaria pegar roupas para Andrew? 

Ele no conseguia pensar direito desde que Andrew lhe contou sobre
a ameaa para ela e para seu filho. Ele estava se sentindo inquieto, 
nervoso, com necessidade para ....

Mulder parou de pensar, e sorriu. Ele tremeu a cabea, devagar, 
sorrindo. Scully o conhecia to bem....

Ela percebeu a necessidade dele para correr, extravasar este nervosismo,
e de pensar. Fazendo exerccios, Mulder pensava melhor, pois sua
tenso era relaxada e ele poderia se concentrar profundamente. Pensar
e ficar tenso ao mesmo tempo no funcionava para ele em certas 
situaes, como essa aqui.

"Genta a, filho. Vou pegar o que sua me pediu." Ele foi para o quarto,
ainda se sentindo muito estranho ao falar dessa maneira. Caramba! Que
reviravolta deu a vida deles nesses dias!!! O beb, e agora, Andrew!

Mulder procurou as roupas no armrio, trocando ele mesmo as prprias
roupas. Scully entrou no quarto, e sem nem mesmo lhe dar uma olhada,
ela ficou zumbindo, calando um tnis. Mulder sorriu. Ele sabia que ela
no gostava muito de usar tnis, no por ser deselegante, pelo contrrio:
Mulder adorava v-la usando aquelas coisinhas brancas, bem diferentes
dos sapatos de saltos enormes que ela usava no trabalho. 

Mas o fato era que ela ficava baixinha demais com eles! E era isso 
que a deixava pau da vida por usar tnis. Ela disse que se 
encontrasse um tnis bonito, e que fosse de plataforma, ela comprava!

"Voc no vai trocar de roupa?" ele perguntou, olhando para a camisa
que ela usava, que, alis, era dele. 

Ela se virou para ele, surpresa pela pergunta. "Eu no estou bem para
sair na rua? J escovei o cabelo, passei um batonzinho, e voi-l!"

Ele sorriu para ela. "Voc sabe que est sempre maravilhosa. Est 
querendo elogios?" ele se aproximou, e a abraou ao redor da cintura.
"Mas, eu sei que voc  rigorosa consigo mesmo, e dependendo para
onde vamos, a sua roupa pode no ser adequada."

Ela se apoiou na ponta dos ps, passou os braos pelo pescoo dele,
e Mulder, se lembrando do que Andrew fez, se endireitou, e a apertou
pela cintura, forte o suficiente para levanta-la do cho. Ela riu.

"Mulder!"

"Nem d para perceber que a gente te tira do cho, Scully. Voc
 muito levinha..." ele riu tambm, ainda segurando-a no ar.

"Aposto que voc no vai falar isso quando eu tiver sete meses de
gravidez." ela afastou o rosto e ficou dando beijinho de esquim no
nariz dele. 

"Acho que o beb vai ser at mesmo mais pesado do que voc." ele
falou isso, e a deixou descer.

"Ha-ha". Ela disse, e deu um beijinho nele, ficando sria logo depois.
"Obrigada, Mulder." 

Ele olhou para ela, sem entender. "E por que?"

"Por voc estar se esforando para aceita-lo. Mesmo que ele seja
uma desiluso, o que eu acredito bem aqui no fundo que no  o caso,
voc est at mesmo se esforando para chama-lo de filho. Obrigada."
ela disse, lgrimas nos olhos, deixando-os ainda mais brilhantes e 
azuis.

Mulder se afogou neles. Tentando clarear o ambiente, que ficou cheio
de emoo, ele falou. "Como eu disse, vai ser difcil ter um cara
daquele tamanho me chamando de 'papai'."

Ela riu, e percebeu a ttica dele de tentar melhorar o humor. Ela foi
junto. "Mas, voltando ao assunto das roupas... pode tratar de escolher 
uma camisa e uma bermuda decente para o  Andrew, t bom? No quero 
que ele ande esfarrapado por a igual ao pai dele quando vai fazer 
exerccios..." ela disse isso em tom  de piada, e Mulder entendeu.

"Ei! Voc precisa estar bem  vontade quando vai fazer exerccios" ele 
falou, se virando para ela, pois j estava pegando a camisa dele de correr. 
"E voc est falando de uma lendria camisa dos Knicks!"

"Do jeito que voc se veste pra correr, para ficar mais 'bem  vontade',
s falta voc correr nu! E quanto a camisa, pe lendria nisso! Isso devia 
estar num museu, na rea de antiguidades! Mulder, essa camisa no tem 
mangas, e o menor furo  por onde que voc enfia a cabea! Nem sei 
como ela ainda fica no seu corpo"  ela falou isso e saiu do quarto, quase 
correndo, rindo, e ouviu quando um sapato foi jogado do outro lado da porta.

Mas ouviu tambm o que ele disse, e ela sabia que era verdade.

"E que voc adora vestir..."

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Andrew sorria, sabendo de tudo que estava acontecendo no quarto.
Ele no queria, mas sua curiosidade foi maior. Ele precisava Ter provas
concretas do amor entre seus pais, s para se sentir seguro. No se 
arrependeu.

Se bem que ele quase fechou a leitura de mentes quando seu pai fez o
mesmo que ele tinha feito e tirou sua me do cho, abraando-a. O ato
em si no era nada de mais, mas a intimidade que foi gerada ali no
era para um filho ver de seus pais.

Ele olhou sua me voltando, com a mesma roupa, mas agora de  tnis. 
Logo atrs veio seu pai, com roupas na mo. Mulder estava usando tnis 
tambm, uma cala de moletom e uma camisa que parecia ter visto dias melhores.

Ele quase pediu uma camisa daquela, pois era bvio que a blusa tinha
participado de muitos momentos com seu pai. Mas, ao invs, recebeu
uma camisa, tambm dos Knicks, quase novinha, que foi jogada na
direo dele, junto com  a bermuda. 

"Toma cuidado com essa camisa a, ouviu?  de estimao." ele 
falou, resmungando. 

Andrew pegou a camisa, e olhou para o que estava escrito. "Knicks?
O que  isso?  algum tipo de bebi---" ele parou quando ouviu a risada
de Scully, que estava na cozinha pegando uma garrafinha de gua, e 
Mulder ofegando, como se tivesse perdido a respirao e tendo um
ataque cardaco.

"Parece que ele no conhece os seus adorados New York Nicks, 
Mulder." ela falou, adorando a idia, pois sabia que Mulder no iria
resistir fazer algum bandear para os jogos de basquete do seu
time to adorado. Se ele fazia isso com um estranho, imagine com seu
prprio filho?

Ela balanou a cabea, ainda sorrindo, se preparando para o que estava
por vir. E se elogiando por ter pensado em fazerem isso agora. Com
certeza o lao entre ele e Andrew iria aumentar. O que o esporte no
fazia entre os homens...

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Mulder quase engasgou com o ar ao ouvir que Andrew no sabia quem
eram os Knicks. Esse lapso tinha que ser corrigido. Mas, primeiro, ele 
precisaria saber em que p estava.

Ele se aproximou de Andrew como faria com qualquer outro amigo
que ele tinha a chance de transformar em mais um f dos Knicks.
Colocando o brao ao redor dos ombros de Andrew, numa atitude
camarada, ele comeou.

"O que voc sabe de basquete, filho?" ele perguntou, e pelo olhar
confuso que Andrew lhe deu, Mulder viu que teria que comear do
zero. 

"Eu sei que  um jogo onde duas equipes disputam uma partida.
Cada equipe tem cinco jogadores na quadra, e o objetivo  colocar
a bola na cesta adversria. Sei todas as regras, e vence quem tiver feito
mais pontos." Ele disse, orgulhoso, mas seu orgulho no durou muito
tempo. Mulder estava com uma cara de horror, como se ele tivesse 
ouvido a maior besteira do mundo.

"Basquete  o esporte mais maravilhoso de todo o mundo." ele falou,
e Andrew poderia ouvir o bufo da me dele "Alm do beisebol, claro!" 
Mulder completou de boca cheia, sem se importar com a reao de
Scully, que j estava vindo na direo deles.

"Chega de conversa. Voc pode mostrar para ele como  esse jogo
'to perfeito e maravilhoso', Mulder, na quadra aqui perto." ela falou,
e quando eles saram, ela saiu por ltimo, pegando o casaco dela e 
empurrando os dois  sua frente. Mulder estava muito animado em 
explicar a Andrew sobre tudo relacionado ao basquete. 

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Felicidade era o nome do meio de Andrew agora. Ele estava to 
contente que sentia como se fosse explodir de tanta alegria!!!!
Aqui estava ele, numa quadra deserta, de noite, em Georgetown,
pronto para aprender, com seu pai, COM SEU PAI!!!  como se 
jogava o basquetebol, que, de acordo com a 'imparcial' opinio de
seu pai, era o melhor esporte do planeta, e que o melhor time do
mundo, na mesma opinio 'imparcial' de seu pai, era um tal de 
New York Knicks.

Sua me estava na arquibancada, bebendo gua, olhando para os dois
com muita ateno, rindo para as primeiras tentativas de Mulder de 
ensinar para Andrew como jogar basquete de maneira correta. No
foi difcil, pois Andrew era um jogador nato (Scully achava que essa
habilidade era hereditria) e ele sabia todas as regras, at mesmo mais
do que Mulder, pois ele havia tentando enganar Andrew, roubando 
alguns pontos, ou tentando fazer jogadas 'malandras', mas Andrew
estava muito bem apoiado nas regras, e no se deixava enganar, at 
mesmo levando vantagens em algumas regras que Mulder tinha
esquecido, ou que no se lembrava, o que era bem difcil de acontecer.

Scully se perguntou quem estava enganando quem ali naquela 
quadra.

Quanto a Mulder, a agitao e o exerccio o tinha acalmado, e ele estava
quase aceitando o fato de Andrew morar com eles. Seria bom ter um
colega dentro de casa, um aliado contra Scully. Mas por que ele achava
que Andrew ficaria do lado de Scully, e no dele, quando surgisse uma
situao? Parecia que Andrew, assim como ele, no queria desaponta-la
de maneira nenhuma.

Ele tremeu a cabea e voltou ao jogo.

"Preste ateno, Andrew!!! Mano a mano no significar ter que jogar a
bola na cesta assim que pegar na redonda. Voc precisa fintar, enganar,
fazer uma jogada. No basta ter que pegar a bola e jogar na cesta, e fazer
o ponto!!! O que, alis,  o que voc tem feito desde que pegou na 
bola! Voc no erra nunca!!!" Mulder estava abismado, e se bem que um
pouco orgulhoso (mas isso ele no ia admitir) com a aptido nata do
seu filho em relao ao basquete.

Quem sabe se ele no poderia jogar profissionalmente? Quem sabe se 
ele...

"Ei, Mulder!!! Quer jogar uma partida?" . Uma voz gritou do fim da 
quadra.

Mulder se virou, e viu Karl, e mais dois caras, se aproximando. Os 
outros dois ele conhecia de vista dos jogos de fim de semana ali mesmo,
quando ele tinha tempo de jogar. Ele no jogava perto de casa, pois
sempre estava na casa de Scully mesmo. Sua casa era ali agora.

Mulder respondeu depressa. "Claro!!!! Ei, Karl, quem so esses dois
a?" ele acenou com a cabea para os outros dois. Andrew tinha vindo
ficar ao seu lado. Mulder falou em voz baixa. "Calma, Andrew. Eles
so boa gente."

"Tem certeza, pai?" ele falou, olhando para sua me, que estava de p
na arquibancada. Ela os olhava com ateno, mas no mostrava nenhum
alarme em relao ao que estava acontecendo. Andrew relaxou. 

Mulder depressa chegou mais perto dele. "Shhhhh... no me chame de
pai aqui! Eles no entenderiam!!!" diante do olhar magoado de Andrew,
Mulder se apressou em responder. "Em casa eu te explico, Andrew, ok?"

Andrew balanou  a cabea, no muito convencido. Mas ele 
compreendia que seria complicado explicar para estes conhecidos de seu
pai como ele poderia ter um filho sem mais nem menos. 

"Esses dois caras eu conheci em outro jogo. A gente tava passando 
por aqui, e decidiu dar uma olhadinha para ver se tinha algum na
quadra. Esse  o Marc, e aquele ali  o Joe. Voc quer dois a dois? O 
Joe pode esperar a vez dele." ele disse, e Joe j foi se afastando para o 
lado da quadra.

Mulder olhou para Andrew, e sorriu de lado. "No, Karl. Pode ser trs
de vocs contra ns dois. Ah, esse aqui  o Andrew, um parente meu."
ele bateu nas costas de Andrew. Todo mundo se cumprimentou e se
posicionou. Antes se comearem, Karl falou:

"Nem precisa dizer que  parente, Mulder. O garoto  a sua cara!"

Mulder somente riu, e o jogo comeou.

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Scully estava muito bem. Relaxada, calma, tranquila.... era essa a
sua inteno. Um momento para fazer nada, s ver o tempo passar...
e de preferncia vendo os dois homens da sua vida dando uma lavada
em outros trs homens que estavam cada vez mais abismados com o
entrosamento e as jogadas que Mulder e Andrew faziam entre si. Era
como se eles lessem os pensamentos um do outro. E do outro time
tambm, sempre sabendo quais eram as jogadas que iam ser feitas.

Scully sorriu. Aqueles dois estavam trapaceando!!!

Ela se levantou, e olhou para os lados, procurando um bebedouro. Queria
encher a garrafa de gua para Mulder, para levar para ele na quadra. 
Ela viu o quanto ele estava suando. Quanto a Andrew, parecia perfeito,
sem um pingo de suor. Alis, os dois eram o retrato da beleza e 
perfeio: Altos, bonitos, educados, gentis e amorosos, principalmente
com ela, o que os fazia ainda mais especiais.

Ela viu o bebedouro do outro lado, perto das rvores, e foi para l,
no se incomodando em avisar a Mulder o que ia fazer. Afinal de 
contas, no era longe.

Scully foi para bebedouro, e quando comeou a encher a garrafa, 
sentiu algum agarra-la por trs. Ela tentou gritar, mas sua boca foi
tampada por uma mo enorme, e ela sentiu que pegavam os
seus ps e suas mos, erguendo-a do cho. Eram dois homens que 
a estava levando para longe dali.

Ela chutou, e conseguiu acertar o estmago de um deles. Se mexendo 
mais ainda, ela conseguiu soltar uma das mos e arranhar o rosto do
outro. 

Mas um pano enfiado no rosto dela a fez perder os sentidos, e ela
sentiu tudo ficando preto.

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Andrew estava animadssimo! Que coisa boa era jogar basquete! Ainda
mais quando se vencia! Ele rapidamente ficou ganancioso em vencer, 
s para mostrar ao seu pai que ele sabia das coisas. Quando Karl tinha
perguntado sobre jogar dois contra dois, ele leu a mente de Mulder e 
entendeu o que ele queria: vamos vencer.

E Andrew fez isso: comeou a ler as jogadas do pai, e ler as jogadas 
adversrias, e logo ele e Mulder estava dando uma senhora lavada neles!
Ele estava to concentrado em jogar, que nem percebeu que sua me no
estava mais l.

Mas, sentiu quando um zumbido fraco comeou a soar em seus ouvidos,
como se fosse um mosquito. Nada demais, apenas um som chato e 
incmodo, e Andrew no sabia o que era aquilo. O zumbido ficou mais
alto, e ele parou, e num estalo, olhou para arquibancada, e entendeu
o motivo: sua me no estava ali, e estava em perigo!!!

Ele nem percebeu a bola que Mulder lanou pra ele. Muito menos que
tinha corrido da quadra, na direo em que seu sentido dizia para ir.
Nem percebeu que Mulder gritava seu nome, mas nada o faria parar
de salvar sua me. 

Nada.

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Mulder nunca pensou que fosse to bom vencer, e com uma margem
to boa! Ele era bom no basquete, mas no praticava sempre, e Karl 
geralmente o vencia. Sempre que eles jogavam, o placar era acirrado, 
principalmente no mano a mano.

Ele nunca teve um cara para chamar de parceiro no basquete, e agora,
ao que parecia, teria isso com Andrew. Mulder estava comeando a ver
as vantagens em se ter um filho j crescido, e que, de tabela, ainda podia
ler mentes.

O que significava que ele podia ler as jogadas deles, e do prprio 
Mulder, rapidamente sabendo que ia acontecer, e o que precisava ser
feito. 

Mas alguma coisa estranha aconteceu. Mulder viu Andrew parar, e 
achou que ele tinha lido alguma coisa na mente de Karl, pois ele 
mesmo no pensou em jogada nenhuma naquele momento. Precisava
limpar a rea. 

Mas Andrew parecia ter lido alguma jogada, ento Mulder jogou a
bola para ele. S que o rapaz continuou parado, e de repente, olhou
para a arquibancada, s para logo depois sair correndo numa velocidade 
que deixou Mulder de boca aberta. 

Ele olhou para a arquibancada, no viu Scully l, e somou dois mais
dois. Gritando o nome de Andrew, ele saiu correndo atrs do garoto.
Os outros comearam a ir tambm, mas Mulder os parou. 

"Pode deixar. De vez em quando ele faz isso. S no me pergunte o
por que." ele falou, e comeou a correr, deixando os homens para 
trs, confusos.

Mulder no conseguiu acompanhar a velocidade de Andrew. Ele s
sabia, tinha certeza, de que era alguma coisa relacionada a Scully.

Entrando no bosque, ele ainda correu uns bons metros antes de 
escutar sons de luta. A primeira coisa que ele viu foram os tnis 
brancos de Scully na luz fraca da lua. Ela estava deitada no cho,
com a camisa um pouco aberta, e a cala jeans tambm. 

Raiva e, medo passaram por seu corpo, e Mulder correu at ela. 
Do que podia ver, e do que j conhecia de ataques assim, ela no
havia sido estuprada. Parecia que quem quer que estivesse querendo
fazer isso, havia sido interrompido logo no comeo do ato. 

Ele ajeitou a roupa dela, tentando acorda-la ao mesmo tempo, 
mas no conseguiu. Olhando ao redor, ainda escutando os sons de luta, 
ele viu o pano branco, e entendeu tudo: algum a tinha dopado e a 
trazido at aqui para  poder estupra-la.

Mulder estava pronto para ergue-la no braos, quando algum voou
sobre a cabea dele na outra direo. Ele se abaixou sobre o corpo 
dela, e olhou para o lado, vendo um homem, todo de preto, cado, 
inconsciente, no cho. 

Ele olhou para o outro lado, e a viso que o cumprimentou foi a mais
incrvel possvel: Haviam duas pessoas lutando, e eram dois homens.
Um estava vestido como o outro, todo de preto, e era aparente que ele
estava perdendo a luta. Esses homens de preto no eram bandidos 
comuns!

Agora, quanto ao outro.... se no fosse pelas roupas, Mulder no teria
reconhecido Andrew. O rosto era praticamente o mesmo, mas o corpo...
meu Deus! Parecia que ele tinha tomado uns bons anabolizantes de
repente! No que fosse igualzinho, mas parecia que Andrew tinha 
ficado bem musculoso! Mulder piscou os olhos, quase esperando
ver a pele verde, mas percebeu que Andrew no tinha mudado
tanto assim, mas era evidente que ele tinha ganho massa muscular
de repente.

Mas o que mais deixou Mulder de boca aberta eram os golpes. De
ambos. O homem de preto lutava muito bem, e mesmo Mulder achava
que numa luta, mesmo com sua experincia em defesa pessoal, ele
perderia. 

E Andrew estava vencendo, o que queria dizer que ele sabia lutar, e 
muito bem, por sinal. Mulder virou a cabea, e olhou para o outro 
homem, ainda inconsciente. Andrew tinha enfrentado dois deles, e com
as mos nuas!!! 

Scully gemeu, e Mulder virou sua ateno para ela. Ele a ergueu nos 
braos, e se afastou um pouco do embate, ainda temeroso de quem 
Andrew era realmente, e como essa luta ia terminar. Mas no demorou
muito tempo. Ele deitou-a no cho, meio que a apoiando no colo dele,
e continuou ouvindo os sons.

Mulder ouviu  um barulho tpico de um pescoo se quebrando, e fechou
os olhos. Intimamente ele sabia quem tinha vencido, no sabendo se
estava contente com o resultado, devido s implicaes disso.

Quieto, ele observou um homem surgir pelas sombras. A mudana
muscular ainda estava l, mas Mulder viu Andrew na expresso desse
novo homem, que era seu filho.

Ele deixou Andrew se aproximar deles, e o rapaz se ajoelhou ao lado de
sua me. A mo dele, to firme antes enquanto lutava at a morte com
um assassino, agora tremia ao ver uma leve contuso no rosto de Scully,
ainda inconsciente, e de pensar o quanto ele esteve perto de perde-la.

Mulder sentia a mesma coisa. Tudo aconteceu to rpido.... alis, o
que tinha acontecido aqui?

Ele olhou para Andrew, e percebeu que ele aos poucos voltava  sua
antiga forma, mas ainda acariciando o rosto da me. Mulder sabia,
pela respirao de Scully, que ela estava bem, e parecia que eles tinha
chegado a tempo de impedir que algo grave acontecesse. E por isso,
ele ficaria eternamente agradecido a Andrew. Ele fechou os olhos,
aliviado.

"Pai?" 

Mulder olhou para Andrew sem saber o que fazer. O rapaz perguntou.

"Eu posso levar ela at em casa? Por favor?" 

Por que ser que ele tinha a leve impresso de que mesmo se no 
concordasse, o rapaz iria fazer isso, e ele no teria como impedir?
Mulder queria fazer isso, mas compreendeu, no fundo, que o garoto
parecia ter mais necessidade para fazer isso do que ele. Ambos 
precisavam ter certeza de que ela estava bem.

Scully gemeu de novo, e sentiu o toque no rosto dela. "Mulder?" ela
perguntou, mas o toque ainda era o de Andrew.

Mulder se aproximou mais ainda, e disse. "Estou aqui. Como voc est?"
ele perguntou, preocupado. 

Ela mexeu as sobrancelhas, e perguntou, sem responder a ele. "O que
aconteceu? Onde esto---?"

"Est tudo bem, Scully. Andrew est aqui, e vamos todos para casa.
L a gente conversa." ele disse, acenando com a cabea. Andrew se
levantou, carregando-a.

"Pode deixar que eu posso andar e---" ela falou, mas Andrew a
cortou.

"Me deixe fazer isso, me. Por favor." ele disse, e a voz dele tremia.
Ele colocou o rosto no cabelo dela, como se estivesse se escondendo.

Scully olhou para Mulder sem entender a atitude de Andrew, mas
Mulder lhe falou, sem palavras, para ela esperar. 

Ela esperaria.

Juntos, eles voltaram a p para o apartamento. Um carro de polcia
at os parou na rua, estranhando o fato de dois homens altos estarem 
andando tarde da noite, um deles carregando uma mulher pequena, 
e quiseram saber o que estava acontecendo, se Scully estava passando 
mal e se precisava ir para o hospital. 

Mulder estava sem documentos, assim como Andrew, e somente depois 
de ouvirem de Scully que tudo estava bem, que ela havia se sentindo mal 
na quadra de basquete e que por insistncia de seu filho ela estava
sendo carregada para casa, foi que os policiais aceitaram a histria,
no sem antes acompanha-los at o apartamento dela. Um dos 
guardas insistiu em leva-los at a porta dela, e s a se convenceu
de que tudo estava bem.

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Scully no entendia o que estava acontecendo com esses dois.
Ambos, Mulder e Andrew, estavam calados, quietos, pensamentos
profundos que, ao que parecia, no seriam compartilhados com ela. 

Mas Scully, sendo a mulher forte que era, no ia se deixar intimidar
por um simples silncio. Ela estava calma, apesar do terror que havia
passado ao sentir sendo levada para dentro do bosque. Ela pensou
que ia ser estuprada, e nem teve tempo para reagir, somente 
conseguindo dar um chute num e arranhar o outro antes de ser dopada.

Mulder havia aberto a porta, e deixado Andrew passar com ela para
dentro. Ela foi colocada de novo no sof, deitada, e Andrew se 
sentou ao lado dela, acariciando-lhe os cabelos. Scully estava 
confusa, olhando para Mulder, exigindo, com o olhar, uma explicao.
Era evidente que de Andrew ela no conseguiria nada. 

O rapaz estava totalmente escoado, mas no fisicamente. Era o lado
emocional dele que parecia estar fora de controle. Desde que saram
do bosque, ele estava tremendo, tendo se controlado um pouco quando
se encontraram com os policiais. Mas assim que entraram no 
apartamento, ele deixou as lgrimas correrem pelo rosto, no deixando
de olh-la, e nem de tocar seus cabelos.

"Mulder, o que aconteceu?" ela perguntou, mas Mulder acenou com
a mo, claramente lhe pedindo um tempo. Scully ficou quieta, e se
encostou nas almofadas, se resignando em esperar. Parecia que nem
de Mulder ela conseguiria uma explicao agora.

Com o toque suave de Andrew no cabelo dela, e de Mulder a 
observando, Scully, ainda meio dopada com o que tinham dado pra
ela, dormiu, sentindo-se segura mais uma vez.

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Assim que Mulder percebeu que ela tinha dormido, ele entrou em 
ao. J tinha tido bastante tempo para pensar no que acontecera no
bosque, e queria umas perguntas respondidas, e queria isso agora!

"Andrew, ela dormiu?" ele perguntou para seu filho, s para ter 
certeza de que ela no ouviria nada do que conversariam.

Andrew sondou a mente dela, e viu que estava nublada. O sono
dela no era tranquilo, mas nem agitado. Era somente sem sonhos.
Ele balanou a cabea. "Sim, ela est dormindo."

"Quer leva-la pro quarto, por favor?" ele pediu, e esperou at
que Andrew acenou de novo com a cabea, e se levantou, de novo
erguendo-a nos braos. Ele ajeitou a me, apoiando a cabea dela
com cuidado no ombro dele.

Mulder foi na frente, abrindo a porta, e tirando a colcha da cama. 
Andrew deitou-a na cama suavemente, e Mulder tirou os tnis dela,
se maravilhando mais uma vez em ver como eram pequenos. E se
lembrou da fragilidade dela ao ve-la deitada no cho do bosque, 
inconsciente. Ele tremeu.

"Voc pode sair, por favor?" ele pediu para Andrew, pois queria trocar a
roupa dela. 

"No".

Mulder se virou, pronto para enfrenta-lo, mas Andrew no se intimidou.
Apenas se virou de costas, dando-lhe a privacidade para ele fazer o 
que precisava ser feito.

Ele suspirou, sabendo que nada tiraria o rapaz do quarto. Mulder foi
at o armrio, pegou uma das camisas dele, e voltou para a cama, 
trabalhando depressa, deixando-a apenas de camisa e calcinha, e de
meias. Ele a cobriu com a manta e a colcha, at o queixo, e beijou-lhe
os lbios, apreciando mais uma vez a beleza dela , e agradecendo a 
qualquer um que a salvou para ele hoje.

Andrew se virou ao ouvir o beijo, e logo depois de Mulder, ele se 
aproximou, sem pedir licena, e beijou o rosto de Scully, para logo
depois contempla-la, assim como Mulder tinha acabado de fazer.

"Vamos sair, por favor?" Mulder mostrou a porta, mas Andrew ainda
tinha uma coisa para fazer. Ele verificou as janelas, o banheiro e at
mesmo dentro do armrio. Depois disso, ele fechou os olhos e 
s depois de alguns momentos, ele acenou com a cabea e saiu, no
sem antes olhar de novo para a figura pequena na cama.

Mulder suspirou e saiu logo atrs, e antes de fechar a porta, fez o 
mesmo que seu filho. Num ltimo impulso, ele deixou a porta aberta.

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Andrew foi para a sala, nervoso. Ele estava confuso com o mar de 
emoes que inundou seu corpo. Pavor, dio, ansiedade, alegria, 
amor e culpa... tantas emoes em to pouco tempo, e ele nunca havia 
sentido tudo isso antes.

Enquanto jogavam basquete, ele sentiu a alegria, a felicidade de estar
ali desfrutando momentos com seu pai, e o amor que sentia vindo da
sua me, que estava na arquibancada.

De repente, tudo mudou. Pavor e ansiedade tomaram conta dele,
que s tinha um pensamento: salvar sua me do que estava 
acontecendo com ela. E por culpa dele.

Quando ele se aproximou de onde eles estavam, o que ele viu lhe
fez ficar cego de raiva: dois homens em cima de sua me, indefesa,
inconsciente, um deles abrindo a roupa dela, expondo-lhe o estmago.
O outro estava com uma injeo nas mos,  se preparando para injetar
algo nela.

Mas o alvo no era ela. Era o beb que estava dentro dela. Andrew,
mesmo correndo, conseguiu ler as mentes deles: eles iam matar o 
beb, e depois usar o corpo inconsciente da me dele para ----

E isso foi o gatilho. Ele se transformou, literalmente, numa mquina
de guerra. Alis, naquilo para o qual ele havia sido criado.

Ele colocou as mos no rosto, pensando. Sentiu um toque leve no
ombro, e se virou, com medo do que seu pai poderia fazer. Ele sabia
que Mulder tinha visto o que acontecera com ele.

"Eu no estou com medo de voc, Andrew." Mulder disse, e o abraou.
Andrew chorou de novo, infeliz por se lembrar do que ele era de 
verdade: um resultado de testes, um homem criado para ser capaz de
se transformar num monstro, s para combater outros.

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Mulder chegou na sala, s para ver Andrew com as mos no rosto. 
Ele sentiu um elo forte com seu filho, e se aproximou, sabendo que 
precisava tranquilizar o rapaz, antes de poder conseguir qualquer tipo
de informao ali. Seu interesse era saber o que tinha acontecido a ele
naquele bosque, para poder ajuda-lo a controlar isso.

"Eu no estou com medo de voc, Andrew." Mulder disse, e o abraou.
Ele sentiu Andrew chorando, e esperou at que ele se acalmasse.

Logo depois, o rapaz se controlou, e, envergonhado, disse. "Sou um
beb choro, no ?" ele falou, e Mulder sorriu.

"Voc ficaria abismado a quantas vezes eu j me transformei num 
beb choro tambm. Nesse ponto, somos parecidos: se algo 
acontece com ela, a gente perde a nossa base."

Silncio os rodeou. Nada mais a respeito desse tpico precisava ser
dito.

"Vamos sentar um pouco? Voc sabe que eu quero fazer algumas
perguntas, no ?" Mulder falou, indo para o sof, e Andrew se sentou
na poltrona que Scully tinha se sentado mais cedo.

Andrew falou. "Tem certeza de que est preparado para ouvir o que
vou dizer?"

" a respeito do que aconteceu no bosque, no ?" Mulder falou, no
muito surpreso mesmo com isso.

Andrew acenou com a cabea. 

"O que aconteceu?" Mulder perguntou. "Desde o comeo."

Andrew respirou fundo, e comeou. "Senti um zumbido esquisito na 
cabea, e de repente pensei na minha me. Olhei para a arquibancada,
e no a vi. Comecei a correr na direo certa, mas no me pergunte 
como. O zumbido aumentou, e at mesmo escutei os seus gritos, pai,
me chamando, mas eu no podia parar."

Mulder acenou com a cabea, entendendo. Nem ele pararia tambm se 
soubesse que Scully estava em perigo.

"Cheguei no bosque, e no escuro, percebi dois homens em cima de uma
mulher, que eu j sabia que era mame. No escutei nenhum pensamento
vindo por parte dela, o que dizia claramente que ela estava inconsciente.
Mas os pensamentos que escutei daqueles homens...."

Mulder acenou com a cabea, de novo, o encorajando. 

"Eles estavam abrindo a roupa dela, e um deles tinha uma injeo para
aplicar dentro do tero dela. Eles iam matar o beb, e depois, levar 
mame para um lugar para... para...." ele fechou os olhos, incapaz de
continuar.

Mulder se levantou, nervoso tambm ao imaginar no que poderia
ter acontecido. Depois de alguns minutos, ele respirou fundo, e 
voltou para perto de Andrew, colocando a mo no ombro dele, de novo,
para acalma-lo, e tentar se acalmar tambm.

"Andrew, ela est aqui, e est bem. Graas a voc. No sei o que 
aconteceu l naquele bosque, e se voc no tiver vontade de falar, 
vou te respeitar. Mas posso dizer que estou muito curioso, e que acho
que seria bom voc me contar sobre isso, para que eu possa te ajudar."
Ele se sentou de novo, dando para Andrew tempo para pensar.

Ele se levantou, e se afastou de Mulder, se aproximando mais do 
quarto. 

"Eu... no sei.  claro que eu sei que posso ficar mais forte que todo
mundo, pois fui feito para isso. Tem a ver com a adrenalina. Devo
estar sempre preparado para atacar, ou revidar; preciso estar em alerta
o tempo todo. Fui treinado para isso. E agora, por minha causa, ela 
quase---" ele parou de falar, e continuou. "Devido ao meu relaxamento
em relao  vigilncia, ela quase morreu. Eu no poderia ter baixado
a minha guarda." ele falou, srio, e Mulder poderia apostar que 
Andrew faria exatamente isso. Mas ento, ele no viveria. Ele 
sofreria o resto de sua vida.

"Andrew, o caminho certo no  esse. Todos precisamos relaxar, 
rirmos, nos divertirmos. Essa  a diferena entre um ser humano e
uma cobaia de testes. O que aconteceu no  sua culpa, e olha
que de culpa eu entendo mundo bem, principalmente em relao
a sua me. Os perigos que ela passou por minha causa----" ele falou,
quase repetindo as palavras de Andrew. 

Os dois se olharam de repente, e sorriram, tristes. 
"Somos bem parecidos mesmo, no ?" Mulder concluiu, e Andrew
acenou com a cabea.

"Estamos ferrados, no ?" Andrew falou. "Ela tem a gente na  palma da 
mo" ele falou, mas de maneira doce e contente.

Mulder concordou. "Pode ter certeza disso, Andrew. Pode ter certeza
disso. Mas agora, me diga outra coisa --- quem eram eles?" ele 
perguntou, com a inteno de faze-los pagar. "Voc matou um deles
quebrando-lhe o pescoo, no ?"

Andrew o olhou com um olhar que fez Mulder recuar. "Eu matei os
dois. O que voou por cima da sua cabea j estava morto antes de cair no 
cho." isso foi dito de maneira fria e controlada. Mulder se arrepiou.
"Eu mataria quantos fossem necessrios para mant-la em segurana,
pai. "

Mulder engoliu em seco, e perguntou de novo, no querendo, por
enquanto, saber mais sobre esse lado assassino do filho. "Quem eram
eles?"

"Capangas do Sindicato. Como eu disse, eles no ficaram satisfeitos 
com o que voc fez na Antrtida. Eles querem vingana. E, ao que 
parecem, querem fazer voc sofrer, atravs dela." ele falou, e 
concluiu. "Mas s passando por cima de mim, e eu te garanto que
a luta vai ser bem dficil."

Mulder se aproximou dele, e apertou-lhe o brao com uma das mos.
"O que aconteceu com voc l, Andrew?" ele disse num tom suave,
esperando no enerva-lo.

Andrew suspirou. "No sei. Isso nunca me aconteceu antes. No 
laboratrio, eu sempre era testado em situaes de perigo, mas
isso nunca aconteceu. Eu senti todo meu corpo mudando, e
a nica coisa que eu queria fazer era matar quem a tinha machucado.
Acho que o fator emocional contou muito nessa hora. S de pensar
que ela estava machucada, e que haviam sido eles os culpados, e o 
que eles iam fazer com ela eu---, eu---, estalei. Pura e simplesmente, eu 
estalei."

Mulder acenou com a cabea, entendendo. Andrew continuou.

"Por favor, no conte pra ela. No conte para ela quem eram aqueles
homens, o que eles iam fazer com o beb, e depois com ela." e ele
continuou, implorando agora. "E no conte sobre o que aconteceu 
comigo, por favor."

Mulder no entendeu o pedido. Sobre os homens, a inteno de 
matar o beb e depois estupra-la, Mulder entendeu muito bem. Ele
no contaria isso para ela. Mas quanto a transformao de Andrew...

"No quero que ela ache que sou um monstro." ele disse, triste.

Mulder tremeu  a cabea rapidamente.

"Nunca, Andrew. Ela nunca iria pensar isso de voc. A gente pode
inventar uma histria quanto ao ataque, dizendo que eram dois 
bandidos, mas quanto a sua histria...." ele falou, e observou o
pedido intenso de Andrew. "Tudo bem. No vou falar nada. No
por enquanto. Ela precisa saber sobre voc, mas, no momento, 
no acho que seja sbio."

Andrew suspirou, aliviado, e se virou. Mulder o parou com uma mo
no ombro.

"E, Andrew?" 

Ele se virou para olhar para Mulder.

"Voc nunca seria um monstro para mim." ele disse, e o abraou.
Andrew, dessa vez, no chorou, mas o alvio que sentiu foi bem grande.

Mulder, mais uma vez, sendo o mestre de piadas infames para tentar 
aliviar o ambiente, completou. "Se bem que a viso do incrvel Hulk na 
minha frente me deu o que pensar.  Voc quase me matou do corao."
ele riu, e Andrew o olhou, confuso.

"Hulk? O que  isso?" 

"Um dia destes eu te mostro, Andrew. Pode deixar que voc vai 
achar bem interessante."

Os dois sorriram, e foram para a cozinha comer alguma coisa.

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ANDREW - PARTE 4

Autora: Edna Barros (Vancouver)
ednabarros@uol.com.br
www.wfics.hpg.ig.com.br

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Scully acordou no meio da madrugada com uma sede incrvel. Ela abriu 
os olhos, e ficou pensando no que havia acontecido.

Ela se lembrou de ter sido carregada para o bosque, e de acordar ouvindo 
sons de luta. Mas s depois que conseguiu focalizar os olhos, foi que ela 
viu Mulder e Andrew em cima dela, e o som da luta havia terminado. Ela 
viu a preocupao dos dois por ela, mas incrivelmente parecia que 
Andrew estava mais preocupado ainda. Parecia que havia... culpa no 
olhar dele, que era to parecido com o de Mulder.

Sua insistncia em carrega-la de volta para casa no o cansou, de maneira 
alguma, e Scully sentiu que ele parecia estar mais forte do que antes.... 
estranho.

Ela havia chegado em casa, e deitado no sof, querendo explicaes, mas 
Mulder lhe deu uma mensagem pelo olhar para que esperasse. S que o 
que quer que tenham dado para ela a fez dormir um sono profundo de 
novo.

E agora, ela acordou, sedenta. 

Virando na cama, ela viu Mulder, dormindo de boca aberta, roncando 
levemente, o cabelo despenteado, bem ao lado dela, a abraando. Ele 
estava apenas de short, e ela sentiu as pernas dela envolvidas pelas dele. 
Ela sorriu e se aconchegou mais contra ele, pensando em como ele era 
lindo e maravilhoso, e no quanto ela o amava. Ela o beijou no rosto, e 
Mulder sorriu de leve, mas continuou dormindo.

Ela pensou em Andrew, tambm, e onde ele poderia estar. Se soltando
dos braos de Mulder, ela conseguiu levantar sem acorda-lo, saindo bem 
devagar. 

Scully andou para a sala, e olhou para a cozinha, mas no viu nenhum 
sinal de Andrew. Ser que ele---

"Eu estou aqui, me." ela ouviu um sussurro, e quase morreu de susto.

"Oh, meu Deus", ela suspirou, e se virou para um canto escuro, vendo 
uma sombra sair dali. Um brao foi estendido na direo dela. 

"Desculpe. Eu no queria te assustar." ele falou, ajudando-a a se sentar 
no sof, sentando-se ao lado dela. "O que voc est fazendo acordada?"
ele perguntou, srio, preferindo que ela estivesse dormindo.

"Estou com sede, e queria---" ela no terminou a frase, pois Andrew j 
tinha ido pegar gua pra ela. Ele pegou o copo, a gua, e voltou para ela 
com uma naturalidade que parecia que ele era quem morava ali!

"E eu no vou morar?" ele perguntou, ciente de que no havia recebido 
uma resposta para essa pergunta antes.

Scully estranhou Ter seus pensamentos lidos por ele, mas no estava
aborrecida. Mas no podia responder uma pergunta dessas sem falar com 
Mulder antes. Ela olhou para Andrew, e falou. "Vamos esperar at 
amanh de manh, ok? Ento vamos conversar sobre isso." ela 
respondeu, bebendo a gua, enquanto Andrew entendia o que ela estava 
pedindo. Ele se encostou no sof, e relaxou.

"Andrew?"

"Sim, me?"

"O que aconteceu no bosque?" ela perguntou, e sentiu na mesma hora ele 
ficar tenso. Ela bebeu mais um gole de gua, ficando repentinamente 
nervosa, mas esperou.

Mas ele no respondeu.

"Andrew?"

"No vou dizer, me." ele falou, resoluto. No ia expo-la a mais 
sofrimentos.

"Voc no acha que eu sou capaz de ouvir qualquer coisa?" ela 
perguntou, tentando faze-lo entender que ela precisava saber.

"Sim, eu acho. Mas no acho que eu seja capaz de te contar", ele 
respondeu, olhando para ela, implorando para que ela o entendesse.

Scully se levantou do sof e colocou o copo na pia. Ela percebeu que no 
ia conseguir tirar nada dele. Mas ia falar com Mulder. 

"Papai no vai te contar, me." Andrew falou, de repente.

"Por que vocs dois esto agindo dessa maneira?" ela perguntou, 
desconfiada. Queria saber o que estava acontecendo aqui, e o por que 
dela estar sendo mantida do lado de fora.

"Ns s queremos o seu bem", ele respondeu, se aproximando dela. "No 
queremos v-la triste." ele disse, em voz baixa, olhando para ela.

"Mas  isso que vocs esto fazendo. Me deixando de lado, me tratando 
como uma mulher indefesa, e no  isso que eu sou. Sou muito bem 
capaz de cuidar de mim mesma!"  ela falou numa voz severa.

Andrew quase mostrou a ela que no havia sido isso que tinha 
acontecido, mas ficou quieto. Ele sabia que ela no aceitaria a proteo 
deles facilmente, mas ela precisava entender a importncia dela pra eles.

Sabia o quanto seu pai a amava, at mesmo mais do que ele, o que j era 
quase impossvel. Andrew estava com ela a apenas dois dias, mas eram 
como se a conhecesse h anos! E nada iria acontecer a ela, enquanto ele 
estivesse ali.

Ela continuou tagarelando. "E se eu no fosse capaz, eu no teria um
distintivo do FBI, passado em testes fsicos e ainda Ter autorizao 
para carregar uma arma! E eu fui pega de surpresa, e por dois homens!
At mesmo voc poderia Ter perdido uma luta como essa!" ela mostrou,
ainda falando baixo, mas fumando de raiva! Como eles... como eles 
pensavam que podiam fazer isso com ela?

"Ns s queremos o seu bem, me. Entenda, por favor." ele implorou, 
mas ela no se deu por vencida. J que ela era a me dele, ela ia agir 
como tal.

"No quero saber, Andrew. O que voc est fazendo no est certo.
Alis, voc e Mulder. Pode me contar o que aconteceu l, e eu quero 
saber agora!"

Eles ficaram em silncio, se encarando, at que uma voz os cortou.

"Saber o que?"

Mais uma vez Scully levou um susto, e se virou a tempo de ver Mulder
saindo do quarto, indo para a sala. Ele ainda estava de short, os cabelos
espetados em vrias direes, a aparncia doce de sono. Scully ficou 
tentada a sorrir diante de tal viso, mas o susto, junto com a indignao
de se ver colocada de lado por eles no permitiu que ela desse esse
sorriso.

Ela sentou no sof, cruzou os braos, e esperou. 

Um deles teria que falar.

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Andrew sentiu quando seu pai entrou na sala, e quase avisou sua me,
mas ficou com medo dela. Nunca a imaginara desse jeito! Que 
geniozinho forte ela tinha de verdade! Agora ele comeava a perceber
que sua me era realmente uma pessoa forte. E sorriu a isso.

Mas no externamente. Ele olhou para Mulder, que ainda aguardava
uma resposta, apesar de ler em sua mente que seu pai j sabia do que
se tratava. Ele falou.

"Ela quer que contemos sobre o que aconteceu no bosque." 

Mulder balanou a cabea, negando. "Bem, o que aconteceu l foi que
voc foi agarrada por dois bandidos, levada pro bosque para ser 
estuprada por eles, mas ns chegamos a tempo. Fim da histria." ele
disse, sucinto, cruzando os braos tambm. "Vamos voltar a dormir."

Scully ficou quieta.

"Scully?" Mulder a chamou, mas ela no olhou para ele.

Mulder olhou ento para Andrew, que balanou a cabea. 

"Ela quer saber a verdade, pai. Ela acha que merece isso." ele disse,
triste, sabendo que no tinha sada. No queria machuca-la mais
ainda, mas sua me estava certa. Ela no podia permanecer no escuro.
Afinal de contas, era sobre ela que eles estavam falando. Mas Andrew
ia bater o p  firme a respeito do ataque dele.

Mulder suspirou, e se sentou perto dela no sof. Ela continuou olhando 
para frente, braos cruzados.

"Scully.... aqueles eram homens do sindicato. Eles queriam te pegar, e
matar o beb. Andrew percebeu que voc no estava mais na 
arquibancada e correu na sua direo. Ele conseguiu chegar a tempo
e parar os dois." Mulder falou, e sentiu quando ela ficou tensa.

Scully olhou para Andrew, que os fitava intensamente. "Andrew lutou
com os dois?" ela falou, olhando para Andrew, mas fazendo a pergunta
para Mulder. Ento, ela se virou pra ele. "Mulder, voc, melhor do que
eu, sabe que o sindicato no mandaria qualquer um para fazer um 
servio como esse. Ele mandaria profissionais. Ao que parece, o 
servio ia ser rpido. Andrew no teria tempo de conseguir se aproximar,
e muito menos teria condies de lutar com os dois. Alis, o que 
aconteceu a eles?"

Mulder desviou o assunto. "Voc no quer saber como eles sabiam do
beb?"

"No estou surpresa, pra ser sincera. Provavelmente eles sabem mais 
sobre mim do que eu mesma. Estou surpresa  como eles no 
descobriram sobre Andrew ainda. Ele est aqui h dois dias, e nada
aconteceu e.... pera, voc no respondeu a minha pergunta: o que 
aconteceu com os dois homens do Sindicato?"

Silncio.

Mulder olhou para Andrew. A deciso teria que ser dele. 

E Andrew decidiu uma sada alternativa. "Me, lembra quando eu
falei que fui treinado para sobreviver ao ataque aliengena? Ento! 
Eu sou treinado em vrios tipos de artes marciais, meu corpo  
construdo para suportar lutas, e vencer aqueles dois foi difcil, mas
no foi impossvel. Ainda bem." ele falou, e olhou diretamente para
ela, e suspirou aliviado por dentro quando leu na mente dela que ela
estava aceitando esta meia verdade.

Scully acenou com a cabea. "Ooookkkay... vou aceitar esta verso: mas,
eu quero saber: o que aconteceu com eles?"

"Como assim?" Andrew perguntou, meio distrado, se fazendo de
inocente. "Ahhh.... isso? Bem, eles fugiram" ele falou, no completando
que eles fugiram deste mundo para outro. Ele pediu perdo a ela por 
no completar a frase.

Mulder aproveitou a deixa. "No conseguimos tirar nada deles, Scully.
Mas graas a Andrew, conseguimos te salvar, e ao beb." Mulder disse,
colocando a mo sobre a barriga dela. Ela se encostou no sof, e sorriu,
aliviada, colocando as mos sobre o estmago. Ela olhou para Andrew 
e falou. 

"Obrigada, Andrew. Desculpe Ter gritado com voc." ela falou, e 
ele acenou com a cabea. 

"Sem problema, me. Por que voc no volta a dormir? Pai?" ele
falou, olhando para Mulder, que logo emendou.

" uma boa idia. Venha, Scully, vamos voltar pra cama." ele a
puxou pela mo, mas antes que pudessem ir em direo ao quarto,
ela foi at Andrew e o beijou no rosto. "Boa noite, Andrew. Durma
bem", ela falou, mas achando que isso no ia acontecer.

Ele se curvou devolveu o beijo. "Boa noite, me. Boa noite, pai." 

"Boa noite, Andrew", Mulder respondeu, guiando Scully para o 
quarto, enquanto Andrew se sentava no sof, soltando um suspiro de 
alvio. 

"Essa passou perto." Ele sussurrou  e se deitou, fechando os olhos, 
agora bem mais calmo, fechando sua mente para no ler o que ia na
cabea de seus pais neste momento. 

Ele no tinha o direito de invadir-lhes a privacidade.

Andrew deu um meio sorriso e dormiu.

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Mulder estava bem acordado agora, depois de Ter ficado nervoso com
a atitude de Scully na sala. Ele e Andrew no queriam que ela soubesse
a respeito de como o rapaz tinha vencido seus oponentes, e at que
conseguiram fazer isso com relativa facilidade.

Agora, ele a estava levando para o quarto, e Mulder a guiou para a cama,
ansioso para abraa-la, e fazer algo mais, s para se certificar de que ela
estava l, estava bem, e estava com ele. 

Mas ela se virou e falou numa voz baixa. "Mulder, eu vou ao banheiro.
Me espere na cama, sim?" ela olhou nos olhos dele, e ele acenou com
a cabea. "E antes que voc pergunte, eu estou bem." ela sorriu, e ele
sorriu tambm. 

"Eu sei disso. E nem mesmo ia fazer esta pergunta!" ele soou 
ofendido, mas no a enganou. "V logo, Scully,  e no demore, ok?"
ele deu um tapinha nas ndegas dela, fazendo-a pular, e ela soltou
um risinho, balanando a cabea e falando, sem olhar pra ele. "Voc
vai me pagar por isso, Mulder."

Ele sussurrou, "Mal posso esperar, anjo. Mal posso esperar." 

Quando ela entrou no banheiro, deixando a porta aberta, ele pulou na
cama, e tirou as cobertas, olhando para a porta, ansioso para v-la. No
demorou muito e ela saiu, com a camisa aberta, e Mulder poderia ver 
entre a aberta a diviso dos seios, o estmago ainda reto e a calcinha 
branca. E sentiu uma puno na virilha dele.

Ele a vestiu numa camisa e calcinha branca de propsito. Ele adorava
vesti-la assim, desde que se tornaram amantes. Ela havia reclamado
uma vez que os pijamas de seda dela estavam pegando poeira, pois ela
nunca mais os usou depois que eles comearam a dormir juntos. No que
ela sentisse frio, pelo contrrio: quando ela se deitava com Mulder, o
calor que ele produzia era tanto que at mesmo as cobertas eram 
afastadas.

Ela era seu anjo particular. Desde que Scully entrou em sua vida, ele
no se sentiu mais sozinho. E o que mais lhe dava raiva era sua 
prpria ingratido por tudo que ela havia feito a ele de maneira to
dadivosa, sem nunca, jamais, Ter pedido nada em troca. Ele no
merecia o amor dela.

E ainda assim ela lhe provava diariamente que ele estava errado. Que
ele, assim como ela, mereciam esse amor, essa paixo nica entre duas
pessoas to diferentes, mas to intensas quanto eles.

S eles mesmos para se suportarem um ao outro.

Mulder se afastou s um pouquinho para deixa-la subir na cama. Com
os olhos pregados no corpo dela, ele apenas ouvia o que ela dizia. 

"No pense que eu vou te deixar escapar to facilmente, Mulder. Ainda
no estou satisfeita com as respostas que vocs me deram l na sala." ela
falou, ainda um pouco insatisfeita, no notando o olhar faminto que ele
lhe dava.

"Como quiser, Scully. Eu farei tudo que voc quiser." foi a resposta que
ele lhe deu. Mulder viu que ela estava se deitando, mas no dando 
nenhuma indicao de que queria fazer alguma coisa a mais nesta noite.

Ele se aproximou dela, e colocando a mo dentro da camisa dela, ele 
comeou a acariciar-lhe por debaixo dos seios. 

Ela continuou. "Vocs dois no podem ficar pensando que podem fazer
o que quiserem, e me deixarem no escuro. Eu tambm fao parte dessa
famlia!" ela continuou, sussurrando, esperando que Andrew tivesse 
atendido o pedido dela de no ficar lendo sua mente em determinadas 
horas. Ela podia sentir a mo de Mulder acariciando-a, e quase no
podia pensar diretamente.

Mulder acenou com a cabea, e se jogou sobre ela, lentamente, beijando-
a por todo o rosto, e enfiando as duas mos dentro da camisa, sentindo
o corpo quente e pequeno dela perto dele. Ele se afastou, e abriu a
camisa dela completamente, expondo a pele branca e macia para ele.

"Mulder?" ela perguntou, ofegante.

Ele finalmente olhou nos olhos dela, disposto a parar se ela quisesse, mas
rezando que no fosse isso que ela queria. "O que foi, Scully?"

Ela olhou para ele, vendo a necessidade nos olhos de seu marido, e 
se esqueceu de tudo o mais, tambm ansiosa em t-lo dentro dela.
"Voc pode fazer o que quiser, mas v devagar desta vez, ok?" ela
falou, num tom brincalho, mas no menos sensual.

Ele sorriu e acenou com a cabea. O que ele tinha feito para merecer
uma mulher to especial quanto essa?

"Pode confiar em mim, Scully..." ele sussurrou, e comeou a usar as 
mos e boca para mostrar a ela o quanto ele a amava.

Scully sentiu uma das mos dele agarrando-lhe um seio, enquanto
sentia as pernas dele se colocando entre as delas, abrindo-a para ele.
E ela no conseguiu evitar o gemido quando sentiu a mo dele 
invadindo-lhe a roupa ntima. "Mulder..." ela ofegou quando o 
sentiu avanando cada vez mais.

Ele somente murmurou de novo. "Confie em mim, Scully..."

E ela confiou.

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Andrew tinha conseguido dormir um pouco, logo depois que seus pais
o deixaram na sala. Ele acordou agora, de manh, sentindo um zumbido
fraco nas orelhas, igual ao da noite anterior, antes que ele percebesse
que sua me estava em perigo.

Ele se levantou, alerta, e com cuidado, sem fazer nenhum som, ele foi
na direo do quarto deles, e no sondou suas mentes, se lembrando de
que eles haviam pedido para ele no fazer isso.

Ento, Andrew abriu a porta, e olhou dentro, cauteloso. Ele viu a
cama desfeita, mas no viu os dois. Entrando, ele virou a cabea antes de
ouvir o som no banheiro.

O zumbido havia ficado um pouco mais forte, e agora, estava comeando
a enfraquecer. Ele foi at o banheiro, que estava com a porta aberta.

De p, ele poderia ver seus pais no cho do banheiro. Na verdade, ele s
podia ver, deste ngulo, as costas largas de seu pai. De sua me, ele 
apenas via os ps de um lado do corpo do pai, e a cabea dela no ombro
dele. Ela estava sentada no colo dele, e de olhos fechados.

"Pai?" ele perguntou, j entendendo o que estava acontecendo. 

Mulder esticou as costas um pouco, e se virou o suficiente 
para ver Andrew ali. Um flash de impacincia passou por seus olhos, s 
para serem substitudos por resignao, e ento, compreenso. 
Andrew
sentiu alvio ao ver que seu pai no estava com raiva dele por 
ele Ter invadido sua intimidade.

Scully manteve os olhos fechados, e Andrew podia ver que 
ela estava transpirando, mas do que podia ver, a respirao 
estava regular, e o rosto no estava corado.

" enjo?" ele perguntou, insistindo, o zumbido fraco em 
suas orelhas. 

Mulder balanou a cabea, mas antes que pudesse falar 
alguma coisa, foi Scully que respondeu, ainda de olhos 
fechados.

"Sim, Andrew, ." a voz dela estava fraca. 

"Precisa de ajuda, me?" ele perguntou, mesmo sabendo que 
seu pai j a estava ajudando. Como, ele no sabia. 

A voz dela estava um pouco trmula, mas Andrew se permitiu 
ler a mente dela, e viu que ela estava comeando a se sentir 
bem, e ele percebeu que o zumbido em suas orelhas estava 
ficando cada vez menor. "No, querido, est tudo bem."

Mulder a interrompeu, passando a mo pela testa fria dela. 
"Andrew, volte pra sala. Daqui a pouco eu falo com voc." 
ele falou, virando a cabea, olhando-o direto nos olhos. 
Andrew somente acenou com a cabea, se sentindo tranquilo 
em deixa-la ali, mas um pouco chateado com  a atitude de seu pai.

Ele saiu, e fechou a porta do banheiro.

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"Mulder, voc no pode trata-lo desse jeito. 
Ele s queria ajudar!", Scully falou, a voz num sussurro. 
Ela estava se sentindo um pouco fraca devido a este enjo 
matinal, o pior at ento. <Deve estar pior por causa 
do que aqueles homens me deram ontem no bosque>.

"Desse jeito como?" ele se fez de desentendido, acariciando 
o rosto dela, tirando o cabelo mido para longe da testa dela. 
Scully abriu os olhos, e viu o olhar preocupado dele.

"Mulder, eu estou bem. Isso s foi um enjo comum da 
gravidez" ela segurou  a mo dele. Ele balanou a cabea.

"Scully, isso no foi s um enjo! E voc me deu um susto
 dos diabos! Sai da cama como um foguete, me acordando 
de repente, e coloca as tripas pra fora!!! Fica suada e 
fria, e nem consegue levantar a mo de to fraca!!! Como 
voc pode me dizer que est bem?!? No minta pra mim!" 
ele enrugou a testa, mais preocupado ainda.

S para contrariar o que ele acabou de dizer, ela 
levantou a mo e tirou as rugas da testa bonita. 

"Mulder, se voc vai agir assim todos os meses da 
minha gravidez, voc vai perder todo o seu cabelo e 
vai ficar igual ao Skinner!" ela riu, suave, 
enquanto acariciava a testa dele, tentando acalma-lo. 
"No se preocupe, meu bem. Eu j estou me sentindo bem melhor." ela puxou 
a cabea dele 
pra baixo, e o beijou de leve nos lbios.

Mulder suspirou, aliviado, e s quando olhou bem fundo nos amados 
olhos azuis, ele teve certeza de que ela estava falando a verdade. Ele 
sorriu e falou com ela. 

"No me pea para deixar de me preocupar, Scully. Essa  a minha 
segunda natureza..." ele deixou a frase no ar. Ela no perguntou qual era  
a primeira. Mulder sorriu, e completou.

"Minha primeira natureza  amar voc." Ele falou isso num sussurro, 
olhando-a bem fundo nos olhos, e ele podia jurar que viu as lgrimas dela 
se formando desde o comeo. Ele beijou cada olho com carinho, e os 
lbios dela.

Emocionado, ele falou, levantando as sobrancelhas. "Quer ajuda para 
lavar as costas?" ele perguntou, brincando. Mas ela percebeu a ttica 
dele, no se deixando enganar.

"Pode deixar comigo, Mulder", ela falou, comeando a se levantar. Ele a 
prendeu no colo dele, tirando alguns risinhos dela, que ele adorava, mas 
logo a deixou ficar de p. "E no pense que voc vai me enganar. Quero 
que voc v para a sala, e fale com Andrew." 

Mulder abriu a boca para falar, mas Scully levantou o dedo. "Nem tente 
discutir. V logo, e prepare o meu caf!" ela disse, dando um tapinha nas 
ndegas dele, o fazendo resmungar. 

"Caf.... como se uma torrada fosse um caf completo" Mulder falou, 
mas deixou-a bem  vontade, no querendo contraria-la agora, no 
quando ela parecia estar cada vez melhor. Ele se voltou para ela, 
ajudando-a a tirar a roupa e a entrar no box. E aproveitou para passar o 
dedo sobre os seios dela, carinhoso. Ela fechou os olhos, e caiu contra o 
peito dele. 

"Pode deixar que eu vou falar com ele, e me desculpar". Mulder beijou a 
bochecha dela, e saiu do banheiro, passando pelo quarto, trocando de 
roupa antes de ir para a sala.

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Andrew voltou para a sala, tentando no pensar no que tinha acontecido 
no banheiro. Na verdade, ele achou que passar quase dois dias aqui, junto 
de seus pais, os poderia estar sufocando um pouco. 

Num estalo, ele se lembrou de que ainda estava num hotel, e todas as 
suas roupas estavam l. Ele olhou para baixo, para as roupas que ele 
estava usando. Depois do jogo de basquete, ele havia tomado um banho, 
e seu pai lhe deu uma muda de roupa para dormir.  Ele olhou para as 
roupas que tinha usado no domingo, ainda dobradas sobre a cadeira no 
canto da sala, e se trocou rapidamente. 

No momento em que havia entrado no banheiro, ele notou a atitude de 
Mulder, e o quanto ele ficou aborrecido. Entendeu muito bem o motivo, e 
achou que seria melhor dar um tempo dali. 

Ele achou papel e caneta perto do telefone, escreveu um bilhete, dizendo 
que voltaria mais tarde, e saiu pela porta, pensando em ir para o hotel, 
fazer as malas e voltar para c o mais rpido possvel. 

Assim que a porta se fechou, o bilhete voou, levado pelo vento da porta, 
e caiu ao cho, debaixo da mesa.

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Mulder entrou na sala, e sentiu o silncio. Ele olhou ao redor, e no viu 
ningum. 

"Andrew?" ele chamou, a voz normal. No obteve resposta. 

"Andrew? Onde voc est?" ele perguntou numa voz mais alta, e abriu a 
porta da frente, olhando pelo corredor. Nada.

Nervoso, ele voltou para o apartamento. No  possvel que o garoto 
tivesse ficado chateado com o que ele disse no banheiro, no ? E agora? 
Eles nem sabiam onde Andrew estava hospedado, isso se fosse verdade o 
que ele disse a respeito de estar morando num hotel. 

Mulder colocou a mo na testa, e a outra na cintura. <Pense, Mulder, 
Pense! Como voc encontra algum de quem s sabe o nome e a 
aparncia?>

De repente, ele se deu um tapa na cabea, e correu para o telefone. 
Discando um nmero de cabea, ele aguardou dois toques, e ouviu 
algum atendendo do outro lado.

"Este telefone est temporariamente desligado e---"

"Pode parar com o papo-furado, Frohike, alm disso, ainda no entendo 
como vocs tiveram essa pssima idia. Todo mundo sabe que as 
mensagens telefnicas so feitas por vozes femininas!" Mulder disse, 
exasperado. Ele tremeu a cabea, e cortou Frohike, que tinha comeado a 
reclamar.

"Ei! Essa mensagem tem dado certo, sabia? Alm disso---" 

"Olha s. Preciso que vocs encontrem algum pra mim. Ele est 
hospedado num hotel, mas nem imagino onde." Mulder estava nervoso, 
pois tinha acabado de escutar sons no quarto. Scully tinha acabado seu 
banho! Ela no ia gostar de saber que Andrew havia ido embora!

Frohike suspirou. "Calma, cara. Qual  o nome dele?"

Mulder fechou os olhos, tentando se lembrar do nome que Andrew lhe 
disse que estava usando. Pera! Andrew nunca disse qual era seu nome 
completo!!! No, no... ele disse sim, em algum lugar, ele disse sim....

<Pense, Mulder, pense!> 

"Qual  o nome dele? Mulder?" Frohike perguntou de novo, e Mulder 
escutou Scully chamando o nome dele tambm.

Ele fechou os olhos, e tentou usar sua memria fotogrfica. Se 
desligando tanto de Frohike quanto de Scully, ele repassou os momentos 
em que esteve junto do filho. Em casa, no carro a caminho do hospital, 
no hospital....

L! Ele tinha falado com o mdico!!!

"O nome  Andrew McInney, Frohike! Preciso dessa informao pra 
ontem!" ele disse, nervoso, e desligou.

"Mulder, quem era no telefone?" ela perguntou, e olhou ao redor do 
apartamento. "E onde est Andrew?" ela voltou a olhar para ele.

Mulder cruzou os dedos atrs das costas, e falou com ela. "Ele foi para o 
hotel dele, pegar suas coisas, e vai voltar aqui", ele falou, tentando 
parecer tranquilo, sem saber que tinha acertado em cheio. Ele no queria 
preocupa-la.

"Oh, que bom", ela disse, distrada, indo para a cozinha. "Voc no fez a 
minha torrada!" Scully reclamou, e comeou a preparar o caf para os 
dois. Mulder se aproximou dela, abraando-a por trs. 

"Mas eu j ia comear", ele cheirou o pescoo dela, tentando se esquecer 
do que estava acontecendo, e s pensando em no deixa-la nervosa. No 
queria que ela passasse mal de novo. 

"Deixa comigo, eu mesma preparo. Enquanto isso, por que voc no---"
ela no conseguiu completar, pois o telefone tocou. Ela notou que Mulder 
virou a cabea de repente, como se estivesse assustado pelo barulho. 
"Mulder, o que foi?" ela perguntou, mas ele j estava se afastando.

"O que? Nada no. Pera que eu atendo."

Mulder estava com a cabea a mil. Ser que j haviam encontrado o 
rapaz? Ele olhou para o bina, e viu que era do FBI. Skinner. Ele atendeu 
o telefone.

"Mulder."

"Mulder? Preciso falar com voc" Skinner falou, sem prembulos.

"Bom dia para voc tambm, senhor", ele disse, sarcstico, 
sem se perturbar. Skinner no perguntou o motivo dele estar 
ali a esta hora.
Seu chefe sabia muito bem o motivo dele estar ali.

Skinner suspirou. Ele conhecia Mulder muito bem para poder 
esperar respostas claras. "Eu gostaria de algumas respostas. 
Voc pode vir at aqui no meu escritrio? Eu sei que voc 
est de licena, mas preciso falar urgentemente com voc."

Mulder negou. "Agora no d, senhor. No d para falar no 
telefone?" ele insistiu. No queria sair do apartamento, 
pois aguardava o telefonema dos pistoleiros. Alm disso, 
Scully j o estava olhando, desconfiada. E ele no queria 
deixa-la sozinha, no depois do ataque de ontem. Se Andrew 
estivesse aqui....

Ele parou ao pensamento. Como ele poderia pensar assim? 
Como ele poderia achar que ficando com Andrew, Scully 
ficaria protegida? No era possvel que ele j estava 
confiando no rapaz, seria?

"Mulder? Infelizmente no d. Eu acabei de receber uma 
notificao sobre uma consulta da polcia de Washington
 a respeito de dois corpos no identificados, que foram
 encontrados mortos no bosque perto de uma quadra de basquete, 
a em Georgetown. A policia no conseguiu identificar os corpos,
 e solicitaram o uso dos arquivos do FBI. E, no sei por que, 
mas quando ouvi sobre corpos no identificados, 
perto de Goergetown, lembrei que vocs moravam a. 
Ser que estou imaginando coisas?"

Mulder fechou os olhos. Ele no imaginava que Skinner 
pudesse Ter acesso a esse acontecimento. Quando abriu 
os olhos, ele viu Scully olhando para ele. Ele pediu 
para Skinner esperar, e falou com Scully.

"O que foi, Mulder?" Scully falou.

" Skinner. Ele quer falar comigo a respeito do que aconteceu 
ontem  noite." ele disse, no querendo esconder isso dela. 
Mas viu o erro que cometeu quando ela arregalou os olhos,
e se aproximou dele. 

"Como ele descobriu?" ela perguntou, mas imediatamente 
outra coisa passou por sua cabea. "Vocs no disseram que eles
fugiram?"

Mulder ficou quieto. Scully percebeu que ele no tinha falado 
tudo. 

"Mulder, o que aconteceu de verdade?" ela perguntou, numa
voz que no admitia discusso.

Ele suspirou. No ia contar tudo, pelo menos no por enquanto.
"Eles morreram."

"Como?"

Outro suspiro dele. "Foi Andrew."

Ela abriu a boca, pasma com a notcia. "Mas como - quando? Como
ele ---"

"Olha, Scully, eu s sei que quando cheguei at voc, que
ainda estava desmaiada, o Andrew j tinha matado um e estava
acabando com o outro. Nem deu tempo de ajuda-lo. Eu estava
preocupado com voc."

"No vou nem perguntar agora como Andrew conseguiu dominar e 
vencer dois homens do sindicato, Mulder... mas acho que isso 
deve ter relao com o treinamento dele nos testes pelos
quais ele passou, no ?"

<Voc nem tem idia> ele pensou. Antes que ele pudesse
responder, ela falou, rpida.

"Mulder, eles vo prender Andrew!" ela disse, baixinho, com medo de Skinner
ouvir pelo telefone.

"Scully, calma. No h nada que ligue Andrew quelas mortes. 
Deixa comigo. Por que voc no acaba de preparar o caf?" 
ele falou, e suspirou quando ela tremeu a cabea, no 
saindo do lugar.

"Mulder? Mulder?" Skinner falou do outro lado, e s ento ele se
lembrou de que estava com o telefone na mo.

Mulder tinha at se esquecido de Skinner.
"Tudo bem, senhor. Estou indo pra a agora mesmo." ele 
desligou o telefone, e olhou para Scully. 
"Voc vem comigo." ele a puxou pelo brao, e a levou 
pro quarto.

"Ei, Mulder, pra com isso! Ir pra onde?" ela disse, 
enquanto ele pegava umas roupas pra ela. 

"No sei, mas sozinha aqui voc no vai ficar." 

"E por que no?"

"Por que por que..." ele no sabia o que dizer. 

Ela colocou as mos na cintura, e falou, calmamente. 
S assim ele a escutaria. "Mulder, voc vai falar com 
Skinner, e eu tambm deveria. Mas eu no vou, mas s 
porque quero esperar Andrew voltar." Quando ela disse 
isso, ele olhou para o outro lado. Ela no notou. "Ele 
no deve demorar."

"Sim, ele no deve demorar." Ele resmungou, e se 
arrumou para ir de encontro a Skinner. Quando Scully
 voltou pra cozinha, ele agarrou o telefone e discou
 os pistoleiros. Antes que 'a mensagem' fosse falada,
 ele os cortou.

"Vocs j o acharam?" ele perguntou, nervoso. 

"Mulder, quem voc pensa que somos? O FBI?" Frohike 
disse, rindo, achando graa da prpria piada. Mas parou 
quando no ouviu seu amigo rindo. "No, cara. No 
achamos nada. No  to fcil assim. Voc no tem mais
 nenhuma pista?"

<Fora a de que ele  meu filho? Sinto muito, Frohike> 
Mulder suspirou, e falou. "Assim  que tiverem notcias, 
liguem pro meu celular, ok? Vou estar no FBI, falando com 
o poderoso chefo. Mas achem ele logo, por causa da Scully, 
por favor!"

"Ei, Mulder, por que voc no disse antes? Se  por causa 
dela, considere feito!" dizendo isso, Frohike desligou.

Ele saiu pela sala, a tempo de v-la arrumando a mesa do
 caf. "No posso tomar caf, Scully. Skinner est me 
esperando. Quando Andrew voltar, ns conversaremos, 
certo?" ele falou , dando um beijo nos lbios dela. 
"Eu te amo. Mas tranque todas as portas, e fique com 
a arma na mo."

Ela sorriu pra ele, entendendo, e segurou-lhe o rosto 
com as duas mos. "Eu te amo tambm."

Mulder saiu pela porta, rpido, deixando Scully 
sozinha com seus pensamentos.

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Era estranho ficar sozinha ali. Depois de dois dias 
tumultuados, a paz at que era bem-vinda. 

Ela calmamente desfrutou o caf, que foi alm de uma 
torrada. Aproveitou e comeu uma fruta, e, distrada, 
ficou passando os dedos pelo estmago, se perguntando 
quando comearia a aparecer a evidncia de que ela estava grvida. 

Scully notou o apartamento, percebendo que ele seria 
pequeno para abrigar quatro pessoas. Ela no havia notado, 
mas em sua mente, ela j tinha aceitado Andrew completamente, 
esperando que ele vivesse com ela para sempre. 

<Ou at  ele se casar> ela sorriu, mas tremeu a cabea. 
Imagina se ele realmente se casasse? Ela seria uma sogra!!!! 
Seria bem difcil, mas no  impossvel.

Ela vagueou os olhos pela sala, e olhou para o telefone. 
Notou o papel debaixo da mesa, e foi at l, pegando-o. 
Notou a letra pouco conhecida, mas legvel, como a dela. 

'Estou indo para o hotel pegar minhas coisas. No demoro.
Andrew'

Ela sorriu, e relaxou. 

Mas ficou sria, ao se lembrar de Skinner. 
E esperava que Mulder pudesse ajeitar as coisas.

Falando em ajeitar as coisas, ela se lembrou de que
 dali a algumas semanas, eles estariam no jantar de 
ao de graas que sua me prepararia para toda a famlia, 
aproveitando as frias de Bill  e de Charlie. At l, ela 
estaria com quase quatro meses, e com certeza sua barriga 
seria notvel. 

Ela se lembrou de que teria que falar com sua famlia sobre 
seu casamento, e o fato de que estava esperando um beb. 
Mas ela j havia pensado nisso, e muito. Tinha ficado
 muito nervosa, mas Mulder a ajudou a acalmar seus medos. 
Mas que droga de hormnios!!!

E agora, ainda havia Andrew! Como apresenta-lo? Ou no? O que fazer?

Ficando de p, ela foi andando at a cozinha, s para parar perto da
estante, onde estavam as fotos de sua famlia. Ela viu seu pai, Melissa,
Bill, Charles, e sua me... 

Ela achou que seria melhor contar para ela tudo antes do dia do jantar.
Ela merecia essa considerao. Na verdade, Scully tinha adiado o  
mximo possvel dizer tudo pra ela. Ela e Mulder haviam se casado
de repente, com medo at de planejarem algo, e seus inimigos saberem
do fato, e no deix-los se casarem e serem felizes. E agora, chegou
a hora dela falar tudo. A comear com sua me.

Ela pegou o telefone. Sua me atendeu logo. 

"Me?" ela falou, contente, mas nervosa.

"Dana? Oi querida, h quanto tempo!" a voz dela parecia 
contente, Scully pensou. "Como voc est?"

"Estou tima, me. E voc?" 

"Estou bem, querida. No me diga que voc est me ligando 
para dizer que no vem ao jantar!" ela falou, j com uma 
nota de pesar na voz. Como se j esperasse isso da filha.

Scully fechou os olhos, e pensou nas vezes em que a desapontou. 
E o que faria nesse jantar. 

"Dana?"

"H? No, me. Eu vou, vou sim. Alis, Mulder tambm 
vai." ela falou de repente. Mas sua me no parecia 
desconfiar.

"Por mim, Dana, tudo bem. Mas voc sabe como Bill se 
sente a respeito de Fox." ela disse num tom de advertncia.

Mas ele vai Ter que engolir o Mulder. "Ora, me. Eu 
queria que ele conhecesse o Charles. Ele diz que eu 
tenho um irmo fantasma, que ele nunca conheceu." ela 
falou, num tom brincalho, e sua me riu.

"Esse Fox...." ela falou, e concordou. " verdade. 
Charles dificilmente vem at aqui. Afinal de contas, 
ele est bem longe, perto do Canad. Estou morrendo 
de saudades dele." 

Scully concordou. "Eu tambm me, eu tambm. Me, eu 
tenho que ir. Posso levar o Mulder, ento?" ela perguntou,
 mas ia levar Mulder de qualquer maneira.

"Claro querida. Pode deixar que eu cuido de Bill." ela 
falou num tom conspirativo, "Espero que voc traga boas 
notcias."

<Oh, me, se voc soubesse...>

"Tudo bem, me." Te ligo depois.

"Tchau, querida. Te amo."

"Te amo, me." Num ltimo minuto, ela chamou 
a me dela de novo. "Me?"

"Sim, Dana?" a voz macia falou do outro lado.

Scully respirou fundo, tentando pegar coragem. 
No seria justo para sua me descobrir tudo somente 
no jantar. Bill era outra coisa. Se pudesse, ela no 
falaria nunca com ele! No d nem pra imaginar qual 
seria a reao de seu irmo. 

"Me, eu precisava falar com a senhora. Podemos almoar 
no sbado? A, na sua casa?"

"Tudo bem, querida. Sem problema. Voc vai trazer o Fox 
tambm?" ela perguntou, brincando, e Scully respondeu.

"Na verdade, vou sozinha" ela falou, mordendo o lbio. 

A me dela estranhou o mistrio, mas j havia decidido 
que sua filha era cheia de mistrios desde que entrou 
para o FBI. "Pode vir sim, Dana."

"Obrigada, me. At sbado." ela se despediu.

"At sbado, filha."

Desligando com cuidado, Scully colocou o telefone no gancho, 
e foi para o quarto se preparar para o dia. Ia aproveitar 
a folga e limpar um pouco o apartamento, que estava 
precisando de uma faxina. Nada muito pesado, claro.

Ela precisava ocupar a sua mente at que Andrew e 
Mulder chegassem.

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Mulder chegou ao prdio do FBI, e foi direto para o 
escritrio de Skinner. O dia de trabalho estava comeando, 
e ao que parecia, Skinner ainda no estava em nenhuma reunio. 
Sua recepcionista no estava l, ento, ele bateu e entrou.

Ele viu Skinner sentado  escrivaninha, e foi logo na direo 
dele. Queria resolver logo esse assunto.

Skinner ficou olhando pra ele, e nem mesmo disse nada quando 
Mulder se sentou sem ser convidado. 

Mulder se sentou, endireitou o terno, a gravata, e ficou 
olhando para Skinner, esperando-o falar. 

Seu chefe suspirou, e tirou os culos.

"Voc tem alguma coisa a ver com as mortes desses dois 
corpos no identificados?" ele perguntou diretamente.

Mulder ficou surpreso ao ver o quanto Skinner estava ansioso 
para saber sobre isso. Mas este homem o tinha ajudado uma vez, 
tentando salvar Scully, vendendo a prpria alma ao diabo.
 Ele podia ser confiado. "Sim."

Skinner tambm estava surpreso pela admisso de Mulder. 
Pelo que viu agora, ele iria Ter respostas para suas 
perguntas. "Voc os matou?"

Mulder somente falaria o essencial. "No."

Silncio perdurou no escritrio. 

"Voc sabe quem os matou?"

Mais silncio.

"Sim."

"Quem os matou?" Skinner fez a pergunta de ouro, 
querendo ganhar a resposta. 

Mas Mulder no ia entregar o ouro to fcil. "Voc 
no est interessado em saber quem eram eles?" ele 
perguntou, meio irnico.

Skinner viu que por enquanto Mulder no ia dizer quem 
era o responsvel. Agora, era momento dele recuar, e 
aceitar o que Mulder tinha a dizer. "Quem eram eles, Mulder?"

Mulder se levantou. Deu-lhe as costas, coou o queixo, 
e se virou de novo para seu chefe. Skinner viu a raiva 
nos olhos esverdeados, e sabia que, de alguma maneira, 
Scully estava envolvida.

"Capangas do sindicato. Eles vieram para matar Scully."

Skinner fechou os olhos, e pensou nas respostas de Mulder. 
"Pera --- se no foi voc quem os matou, como Scully 
poderia ---- pelo que sei, eles no morreram de tiro, mas 
sim devido a uma luta intensa, e dois pescoos quebrados. 
Uma mulher, ainda mais do tamanho de Scully, nunca poderia 
fazer isso. Estou com o relatrio preliminar dos corpos, e 
os homens eram altos e fortes, Mulder."

"Mas eu no disse que foi Scully." Mulder observou.

Skinner entendeu que Mulder no falaria quem foi. 
Pelo menos, no ainda. "Por que eles queriam mata-la?"

"Vingana. Do que eu fiz na Antrtida." 

Skinner acenou com a cabea, se lembrando do louco 
relatrio de Mulder a respeito de uma nave espacial 
saindo do gelo. Se ele estivesse falando a verdade, 
com certeza esse seria um bom motivo para uma vingana.

"Mas o alvo no era ela, afinal de contas. Era o beb."

Mulder falou, e viu seu chefe levantando a cabea num susto. 
<Yeah, Skinner. Por essa voc no esperava>.

"Ela--- ela est grvida?" ele perguntou, em voz baixa.

"Sim. Foi uma surpresa pra ns. Achvamos que ela no 
podia Ter filhos. Por isso, no nos prevenimos." Mulder 
comentou, sincero, pois seu chefe era a nica pessoa 
que sabia que eles estavam casados h trs meses. O 
incrvel era que ele tinha dado a maior fora. Por isso 
Mulder se sentia um pouco  vontade com ele. 

"Mas ela est bem?" Skinner perguntou, preocupado, o 
que no pegou a ateno de Mulder, que respondeu.

"Sim, ela est bem, na medida do possvel. 
Eu a deixei em casa." ele falou, e se sentou. Alguns 
segundos quietos se passaram, antes de Skinner fazer a 
pergunta de novo.

"Quem os matou, Mulder?"

Mulder olhou firme para Skinner, pensando se contava ou no. 
Ah, inferno! Todo mundo ia saber mais cedo ou mais tarde mesmo! 
Afinal de contas, Skinner era padrinho deles tambm!

"Foi Andrew."

"E quem  esse Andrew? Eu conheo?"

"No, voc no conhece. E nem eu o conhecia, dois dias atrs."

Skinner franziu as sobrancelhas, e olhou para ele, confuso.

Mulder quase sorriu quando imaginou que cara seu chefe faria 
quando ouvisse a prxima frase.

"Ele  meu filho."

Skinner ficou parado por alguns minutos, sem saber o que dizer.
 Ele ficou olhando para Mulder, e quase riu alto. Mas o 
olhar srio no rosto de seu agente, e agora amigo, era tudo, 
menos irnico. Mas o pior,  que Skinner nem sabia o que dizer. 
Mas Mulder o salvou.

"Pode deixar que eu explico..."

E ele procedeu a contar para Skinner tudo que havia 
acontecido desde domingo, inclusive a luta no bosque, 
e agora, o sumio do garoto.

Ele s no contou duas coisas: a habilidade de Andrew 
de ler mentes, e sobre a fora poderosa que o garoto 
tinha dentro de si.

"Mas voc no sabe onde ele est agora? Ns precisamos 
falar com ele a respeito dos assassinatos."

Mulder ergueu a mo. "Pera. Foi legtima defesa. Ou 
eram eles, ou ns. Alm disso, acho que ningum vai 
reclamar os corpos." ele se levantou, pronto para sair. 

"Mulder, voc sabe que as coisas no funcionam assim. 
Voc sabe muito bem que---"

Mulder perdeu um pouco da pacincia ao escutar aquilo. 
"Eu sei muito bem como as coisas funcionam! E que elas 
funcionam em favor deles! Voc acha justo tudo que eles 
fizeram contra ns? Contra voc? E agora, voc vai insistir 
numa investigao que no vai levar a nada? Inclusive aos 
poderosos chefes do Sindicato? E alm disso, eu no vou 
denunciar o meu filho. Ou eram eles, ou ns. E no h prova 
evidente de que foi Andrew."

Skinner balanou a cabea, entendendo onde Mulder queria 
chegar. Pelo que a polcia descreveu, realmente no haveria 
nada mais a ser feito. No existiam testemunhas, nem 
identificao dos corpos. O prprio palpite dele somente 
foi um golpe de sorte, pois quando Skinner soube onde os 
corpos haviam sido encontrados, ele ligou a morte aos seus 
dois agentes que mais arrumavam confuso ali na agncia. 
Ele suspirou.

"Tudo bem, Mulder. Deixa que eu ajeito as coisas. Agora, 
eu s te peo uma coisa: eu gostaria de conhecer este rapaz."

"E por que?"

"Como voc mesmo disse, no sabemos nada sobre os chefes, 
ou o trabalho do Sindicato. Ele poderia nos dizer alguma 
coisa."

Mulder tremeu a cabea. "Skinner, s tivemos dois dias 
com ele. Nem mesmo o conhecemos direito.  Alm disso, 
como eu j te disse, ele est desaparecido e---"

Neste momento, o telefone celular dele tocou no bolso. 

"Mulder".

"Mulder, achamos o seu homem. Ele est no hotel a 
perto do FBI, no---" e Frohike lhe deu o nome do hotel 
mais caro em Washington. Um que s chefes de estado ou 
pessoas ilustres usavam quando estavam na capital do pas.

Mulder agradeceu, e desligou. Ele suspirou e falou com 
Skinner. "Agora sabemos onde ele est." 

Skinner arregalou os olhos quando Mulder disse o nome 
do hotel. "Esse seu garoto sabe mesmo viver, hein?" 

"Nem me pergunte como ele consegue o dinheiro", 
Mulder deu de ombros, bem aliviado por saber pelo menos 
onde Andrew estava. Ele ligou para o hotel, mas a 
recepcionista foi bem categrica em no dizer que o 
hotel no fornecia nenhuma informao sobre os hspedes. 
Mulder desligou o celular, irritado.

Skinner sorriu, j pegando o casaco dele. 
"O que voc esperava? Aquele hotel  de segurana mxima." 
Nem o presidente entra ali." Ele falou, em tom exagerado.

Os dois saram pela porta que dava para o corredor, mas 
Skinner voltou para a recepo dele, e falou com sua assistente, 
que j tinha chegado. 
"Estou saindo. Volto s  tarde. Marque todos os meus 
compromissos para hoje  tarde ou amanh de manh."

Ela acenou, e Skinner saiu junto com Mulder, na direo 
do hotel.  Enquanto pegavam o elevador, Skinner perguntou. 
"Voc vai tirar sua licena toda?"

Mulder acenou com a cabea. "Claro. Ainda estou na minha 
lua de mel", ele brincou, pois estavam sozinhos no elevador. 
Skinner sorriu, e falou.

"Mas vocs j esto casados h trs meses!"  

"E no tivemos lua de mel. S conseguimos a licena agora. 
Por isso ---" ele balanou as sobrancelhas, e Skinner 
tremeu a cabea dele. 

Eles foram para a garagem, pegaram o carro, e 
chegaram ao hotel rapidamente. Chegando l, foram 
informados, somente depois de mostrarem suas identificaes, 
de que Andrew McInney no estava mais hospedado ali.

Mulder bateu com a mo no balco de mrmore da recepo, e 
Skinner chamou-lhe a ateno. 

"Calma, Mulder. Calma. Ele provavelmente s deve Ter 
ido para outro lugar."

"Mas por que? Por que ele faria uma coisa dessas?"

"No foi voc mesmo que disse que foi ele quem deu cabo 
daqueles homens? Ele pode Ter sentido que estava em perigo 
e----"

Os dois homens se olharam.

Scully!

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Scully tinha terminado de limpar tudo e estava se preparando 
para fazer o almoo. Eram quase duas horas, e Andrew deveria 
estar quase chegando. Em nenhum momento ela pensou que ele 
no voltaria. 

Ao chegar na cozinha, ela notou que no havia gua. 
Estranhando o fato, pois agora mesmo ela tinha limpado 
o banheiro, e havia gua correndo normalmente, ela voltou 
para l, e verificou que as torneiras estavam secas. Ela 
precisava lavar as mos para comear a fazer um almoo bem 
caseiro para Mulder e Andrew, e ligou para o sndico, que 
no atendia o telefone. 

Exasperada, ela jogou o pano de prato sobre o fogo, e saiu 
de casa, batendo na porta vizinha, perguntando se ela estava 
com o mesmo problema. Quando a vizinha falou que sim, Scully 
desceu para o apartamento do sndico, e viu que ele no estava 
em casa. Suspirando, ela desceu para o poro. Quem sabe ela 
tivesse sorte, e pudesse resolver o problema?

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Andrew chegou de mala e cuia na porta do apartamento de sua 
me, e bateu na porta. Esperando um tempo, ele bateu de novo, 
e esperou. Ser que no havia ningum em casa? O telefone 
estava tocando, e ningum atendia.

Sondando, ele percebeu que no havia ningum, ento, ele 
abriu a porta facilmente, usando uma chave mestra que ele 
havia criado para abrir portas comuns. Entrando no apartamento, 
ele colocou as malas num canto, e foi para o banheiro. Ele 
viu que no havia gua, e voltou para a sala, para esperar
 seus pais tranquilamente. Aproveitando a ocasio, ele 
observou cada detalhe do apartamento, tentando descobrir
 algumas coisas sobre seus pais.

Ele viu cds diversos, e era bvio quais eram de sua me, 
e quais eram de seu pai. Ele tambm viu livros, e ficou
 analisando os gostos de cada um. Ao pegar um deles, sem 
querer derrubou uma moldura de vidro, que caiu ao cho, 
se quebrando. Quando ele se abaixou para pegar os cacos,
 a porta se abriu, de repente.

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Mulder e Skinner estavam voando pelas escadas do prdio de
 Scully. Por um momento, eles achavam que no iam chegar a tempo. 

Mulder havia tentando ligar para ela, mas o telefone
 chamava, e ningum atendia. O celular estava desligado -
 ela no o usava quando estava em casa. Ele apertou o 
acelerador, e Skinner o acalmou.

"No me pea pra ficar calmo, chefe. No  sua vida que 
est em perigo."

Depois dessa, Skinner ficou quieto, entendendo muito bem 
o que Mulder estava sentindo, mas ele nunca expressaria 
esse sentimento em voz alta.

Agora, subindo as escadas, os dois estavam de arma na mo, 
prontos para o ataque. Adrenalina a mil, Mulder tinha a chave 
a postos, quando eles ouviram o som de vidro sendo quebrado 
l dentro. A porta foi aberta num chute.

Os dois pararam diante da cena: Andrew abaixado sobre pedaos
 de vidro, o olhar confuso, mas calmo, e Scully no estava 
em nenhum lugar.

Mulder ficou imensamente aliviado ao ver seu filho ali. 
Mesmo tendo se passado poucas horas desde a separao,
ele j tinha um sentimento forte a respeito desse rapaz.
Mas sua preocupao por Scully era primordial. Mulder se
aproximou dele, olhando ao redor freneticamente. 
"Cad sua me?" ele perguntou, sem notar a cara de 
espanto de Skinner, ao ver o rapaz.

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At agora, Skinner no estava muito convencido dessa histria. 
No que ele no acreditasse em Mulder, pelo contrrio. Do que 
ele conhecia a respeito do Sindicato, e dos relatrios de Mulder, 
Skinner sabia que tudo era possvel.

Mas saber que Mulder e Scully tinham um filho, resultado de
 testes feitos contra sua vontade, era um pouco demais. E 
vendo Andrew, ali, bem na sua frente, prova incontstavel 
de que ele era filho de Mulder e Scully - porque isso ningum 
podia negar, vendo a aparncia fsica do rapaz - Skinner de 
repente se sentiu subjugado. Mas depois que Mulder perguntou 
onde estava Scully, se referindo a ela como me para o garoto, 
Skinner voltou sua mente para o motivo principal deles ali.

Salva-la.

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"Pai?" Andrew perguntou, se levantando devagar, atento das 
armas nas mos de Mulder e do homem ao lado dele. 
"Mame no est aqui."

"Voc sabe onde ela est?"

"No." Andrew respondeu, mas antes que pudesse explicar 
uma coisa, as palavras entraram na cabea de Mulder, que 
tremeu a cabea, repetindo sem parar "no, no, no, no" 
enquanto corria para o quarto, olhava o banheiro, cozinha,
 rea, at mesmo o armrio, tendo a ajuda de Skinner para 
isso. Os dois homens estavam frenticos, Mulder mais do que 
todos, e Andrew aproveitou para sondar a mente deste homem 
ao lado de seu pai.

E o que comeou a ler ali o fez arregalar os olhos.

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Scully subiu as escadas, devagar, pensando em quo idiota 
era a pessoa que tinha ido l embaixo. Ela desceu, s para
 encontrar o registro geral fechado.  O homem do cloro 
deveria Ter se esquecido de abrir o registro quando 
trocou os tubos. Ela abriu o registro, e subiu. No 
sem antes Ter quase cado em cima de umas caixas velhas
 no poro. Ah, ela ia reclamar com o sndico. Ah, se ia.

Estranhou quando viu a porta dela aberta, e comeou a 
andar mais rpido para o apartamento, e por fora do 
hbito, procurou sua arma na parte de trs da cala dela.
 Ela se esqueceu de que havia deixado ela dentro do apartamento.

Ao entrar, ela viu a cena: Mulder, Skinner e Andrew na sala,
 Mulder sentado no sof, cabea abaixada e suportada nas mos, 
Skinner ao telefone, e Andrew tentando falar alguma coisa 
com Mulder. 

"O que est acontecendo aqui?" ela perguntou, confusa, e 
trs pares de olhos a encararam. Dois estavam aliviados 
pela presena dela ali. Um deles, no. 

Ela percebeu, nos poucos segundos at que Mulder pulou do 
sof, quase correndo na direo dela, a agarrando pela 
cintura e enfiando o rosto no pescoo dela, a tirando do 
cho de novo, que somente Andrew no parecia preocupado. 

Por cima do ombro de Mulder, ela percebeu que Andrew parecia 
surpreso, e o que era mais estranho, estava olhando para 
Skinner.

Mas ela parou de pensar quando sentiu Mulder a descer ao cho, 
e agarrar-lhe o rosto, beijando-a na boca e no rosto vrias 
vezes.

Quando ele finalmente parou, ele perguntou antes dela poder
 abrir a boca. "Voc est bem? Onde voc estava? O que  isso 
no seu rosto? Por que voc no atendeu seu telefone?" ele fez
 uma pergunta atrs da outra, e s parou quando Skinner colocou
 a mo no ombro dele.

"Mulder, solta ela e vamos conversar, certo?"

Mulder olhou de repente para Skinner, e acenou com a cabea, 
soltando-a. E, quem queria saber das coisas era ela. Mas antes...

"Primeiro, com licena sim?" ela disse, deixando os trs 
homens na sala, e foi na direo do quarto.

Nem morta ela iria encara-los toda suja desta maneira!

Quando Andrew sorriu, nem Mulder, nem Skinner, entenderam 
nada!

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Andrew sabia que sua me no estava em perigo. Ele havia notado, 
pela manh, quando ela estava passando mal do enjo, que um 
zumbido o estava incomodando. O zumbido parou, ao mesmo tempo 
em que sua me comeou a melhorar. 

No demorou para ele conectar o fato ao que havia acontecido 
na noite anterior. Quando ela foi levada por aqueles bandidos, 
ele sentiu o zumbido, muito forte, o que indicava, e disso ele 
sabia agora, que ela estava em grande perigo. Somente depois 
que ele aniquilou o risco, foi que o zumbido parou.

Agora, ele no havia sentido nada desde que chegou no apartamento
 deles. Desde que seu pai apareceu estourando pela porta. 
E nem quando sua me apareceu na porta. Ele leu a mente 
dela rapidamente, depois que seu pai a soltou, e percebeu 
que ela queria se limpar antes de falar com eles. 

Ele adorou isso. 

Como ele no teve muito contato com mulheres, ele estava 
fascinado com ela. Ele no sabia que mulheres tinham pele
 to sedosa, to cheirosa, e to delicada. Homens eram 
horrveis, na opinio dele. No hotel, ele teve oportunidade
 de ver muitas mulheres bonitas, e muitas delas falando 
coisas para ele que ele no entendia. Convidando-o para 
ir ao quarto delas, passando a mo nele pelos corredores ...
 e ele sentiu coisas 
estranhas, em lugares estranhos. 

Ele sabia o que estava acontecendo com o prprio corpo,
mas tudo muito friamente. Teoria era uma coisa, prtica, outra
totalmente diferente. Se aprofundamento especificamente 
neste assunto, ele estudou, e percebeu o que estava acontecendo 
com o prprio corpo. Descobriu mais coisas a respeito de 
si mesmo, e como poderia resistir a essas tentaes femininas.
Seu objetivo ali era outro: seus pais. Esse outro lado da vida,
ele veria depois, pedindo uns conselhos para seu pai.

Afinal de contas, ele conseguiu uma mulher maravilhosa 
com a sua me!
Se ele fizesse tudo igual a seu pai, quem sabe ele no 
arrumava uma mulher igual a ela?

Eles esperavam por ela voltar, e Andrew continuou a sondar 
a mente do homem careca.  Skinner era o nome dele, pois 
Mulder o havia chamado assim algumas vezes. 

Ele no gostou muito das coisas que viu ali. Principalmente 
na hora em que eles chegaram, e descobriram que Scully no 
estava no apartamento. Os sentimentos deste homem para sua 
me eram.... reveladores!!!!

Andrew fechou a mente para a leitura, e olhou para seu pai,
 de p, perto do quarto, esperando Scully. Ele sondou a mente 
dele, e s viu alvio. De repente, ele sentiu uma leitura 
intensa por parte do pai, ao mesmo tempo em que Scully voltou, 
de roupa trocada, e limpa.

E ele riu mais uma vez quando ela disse. "Agora sim, 
podemos conversar. Vamos sentar?"

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Mulder balanou  a cabea, aturdido com a calma que Scully 
aparentava Ter. Ele tinha ido por uma montanha russa desde 
que acordou, com ela sentindo enjo, com Andrew saindo dali,
 com o telefonema de Skinner, depois no hotel, e chegando 
ao apartamento, descobrindo que Scully no estava l. 
Desse jeito no havia corao que aguentasse!

Ele suspirou quando sentiu Scully sentando-se ao lado dele, 
segurando-lhe a mo, o acalmando. Ela havia percebido o
 quanto ele estava agitado. Ele respirou fundo e comeou,
 falando com ela e com Andrew.

"Descobriram os corpos, mas no podem fazer nenhuma conexo
 com Andrew a respeito disso", ele falou, e Skinner acenou 
com a cabea.

"Eu s descobri depois que Mulder me disse. Antes, s uma leve
desconfiana, pois corpos mortos, no identificveis, aqui perto,
s me fizeram pensar em uma coisa..." ele olhou para Scully, que
acenou com  a cabea. 

Scully soltou a mo de Mulder, e se levantou. Ela estava nervosa
sobre Skinner querer levar Andrew deles. "No estou surpresa. Parece 
que a tragdia nos segue." ela falou num tom seco, mas que fez Mulder e 
Andrew ficarem tristes por ela. Scully foi at a cozinha, e pegou um
copo com gua. 

Todos ficaram em silncio por um momento, e ento ela continuou.
"O que voc quer, senhor?" ela perguntou, aparentemente bem nervosa.
Ainda no havia se acostumado a cham-lo de Walter, a pedido dele
mesmo. Sendo o nico que sabia sobre o casamento deles, seria natural
esta intimidade. Mas era difcil quebrar o hbito. A mesma coisa parecia
acontecer com Mulder.

Skinner olhou para ela, e depois para Mulder. Ele se recusava a olhar
para Andrew, vendo ali a prova concreta do que o Sindicato fez com
seus agentes. Isso, e tambm o fato de que o rapaz o encarava 
atentamente, e de maneira levemente hostil.

"Vim ver por mim mesmo o que o sindicato fez. Mulder me explicou
tudo, mas mesmo assim  difcil ver o fato na minha frente." a isso,
ele se virou, e olhou para Andrew. 

Mulder se levantou, pois tinha notado a mudana de comportamento
em seu filho. Precisava quebrar esse gelo. "Andrew? Voc conhece
nosso chefe? Walter Skinner? Ele  diretor assistente do FBI."

Andrew no parava de olhar para Skinner. "Sim, eu o conheo de 
nome. Tambm o vi durante o tempo em que fiquei conhecendo 
vocs."

Que bela maneira de dizer que voc nos espionou, Mulder pensou.
Ele se virou para Skinner. "Este  meu filho, Skinner. Andrew 
McIneey."

Skinner estendeu a mo, e Andrew demorou para apert-la. Scully
percebeu a tenso e se aproximou de Andrew. "Andrew, o que foi?"
ela falou, colocando um brao no brao dele.

Andrew relaxou um pouco quando sentiu o toque suave dela, bem
diferente de qualquer outra coisa que j havia sentido. E at que 
entendeu um pouco o sentimento deste homem para sua me.

"Nada, no, me. Nada no." ele se forou a falar, tentando parecer
casual. "Mas o que voc quer comigo?" ele perguntou diretamente
para Skinner, com ar petulante.

Skinner ergueu uma sobrancelha e sorriu. "Ele realmente parece com
voc, Mulder."

"Ei,  de famlia", Mulder sorriu, ansioso para quebrar o contato.

Todos se sentaram, e conversaram sobre o que havia acontecido, e o
que precisavam fazer agora. Falaram de tudo, menos sobre o que havia
acontecido a Andrew.

Skinner tinha ficado surpreso ao saber como o rapaz tinha conseguido
vencer seus oponentes. Mas ele deu a palavra final sobre o caso, 
prometendo mant-los em contato sobre tudo que acontecesse, mas
pedindo isso deles tambm.

Mas antes de sair, ele falou. "Mulder, voc e Scully tero que retornar
na prxima semana para o trabalho".

Mulder gelou. No era sua inteno trabalhar agora. No com tudo isso
que estava acontecendo com eles.

"Skinner, no acho que seja uma boa hora e...." ele olhou para Scully,
que completou. 

"Ns ainda temos uma semana, senhor." ela falou, diretamente, mas
Skinner tremeu a cabea. 

"Sinto muito. Ordens superiores. No posso fazer nada", ele falou,
percebendo agora que poderiam haver outras intenes por trs dessas
'ordens superiores.' "Mas eu verei o que posso fazer por isso."

Andrew leu a mente de Skinner, e entendeu seu receio. Ele teria que
averiguar por ele mesmo.

Mulder suspirou, e apertou a mo de Skinner, se despedindo. "Ns
vamos ligar antes da segunda, senhor, para saber o que voc conseguiu
fazer por ns. Obrigado"

Skinner saiu, mas a meio caminho, ele se virou. "Ah, antes que eu
me esquea..." ele tomou coragem e se aproximou de Scully, a abraando.
"Estou muito contente por vocs dois, e pelo beb." ele a soltou, e
olhou para Mulder, que estava sorrindo.

Scully sorriu tambm. "Obrigada, Walter. Obrigada por tudo." ela ficou
na ponta dos ps, e o beijou no rosto.

"Sempre que vocs precisarem." Foi a resposta dele, e um abafado,
<posso apostar que sim> veio de Andrew, mas Skinner no ouviu, pois
j estava saindo pela porta. Mulder e Scully voltaram para a sala, 
com Andrew esperando por eles. O rapaz no se levantou, e seus pais 
de sentaram tambm.

"O que aconteceu , Andrew?" Mulder perguntou, direto. Andrew
tremeu a cabea. 

"Prefiro no falar." ele respondeu, sucinto,  mas Scully insistiu. 

"Eu vi como voc agiu com Skinner, querido. Mas ele  nosso amigo."

Andrew olhou para ela, e ento para Mulder, e continuou tremendo a
cabea. "Prefiro no falar."

Sem saber o que fazer, Scully olhou para Mulder, que estava com a
testa enrugada. Ele decidiu falar depois com Andrew sobre isso. Haviam
coisas que no deviam ser foradas no momento em que aconteciam.

"Tudo bem", ele falou, surpreendendo Scully. 

Ela sabia que Mulder era naturalmente curioso, e estranhou o que ele 
estava fazendo. Mas, como sempre, ela seguiu sua idia, e se levantou. 
"Bem, j que ao  que parece, est tudo resolvido, podemos almoar?" 
ela perguntou, mudando de assunto. "Eu ia comear a fazer o almoo,
mas tive que descer para ver a gua. E depois, vocs apareceram..."

Mulder aproveitou a ocasio. "Ento, por que Andrew e eu no
vamos comprar alguma coisa? Melhor ainda: Por que no vamos
almoar fora? Scully, talvez voc queira trocar de roupa...." ele 
apontou para  a roupa que ela usava, e ela acenou com a cabea, indo
para o quarto. 

Estava animada por que eles iam almoar juntos!

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Assim que ela fechou a porta, Mulder se virou para Andrew. 
"Certo, primeira pergunta: por que voc foi embora? E
segunda: por que voc agiu assim com Skinner?"

Ele j esperava por isso. Seu pai era naturalmente curioso. Mas
ele no queria falar sobre o segundo assunto.

"Eu, 'por acaso', me lembrei que estavam sem roupas, usando as
suas, e que estava tudo num hotel. Fui l e peguei tudo, 
voltando logo pra c."

Mulder pensou que se jogasse na loteria no ia acertar o
palpite como ele tinha conseguido fazer a respeito de Andrew
ter ido para o hotel fazer as malas. Mas, e sobre Skinner?

"Voc no me respondeu a segunda pergunta, Andrew."

"J disse que prefiro no falar. Alm disso, no teremos tempo."
ele falou, se mordendo na mesma hora por Ter dito isso.

"Oh... conhecendo sua me como eu conheo, Andy, ns temos
todo o tempo do mundo", ele sorriu, tentando fazer graa com
o nome dele, tentando abrir uma brecha, e conseguiu.

Andrew se encantou com o apelido. Nunca ningum o havia
chamado assim. Encorajado pela atitude de seu pai, ele deu
com a lngua nos dentes.

"Foi o que eu li na cabea do Skinner, pai." ele parou de falar,
incerto do que dizer.

"E o que voc viu l? Ns dissemos que ele era bom carter, Andrew,
mas se voc viu qualquer outra coisa..." Mulder parou de falar, no 
querendo saber disso caso fosse verdade. Ele ficaria muito chateado.
Tinha confiado em Skinner vrias vezes, e saber que ele era um traidor
somente o feriria.

Andrew balanou a cabea. "No  isso, no, pai. Mas voc pode
considera-lo um traidor."

"O que voc quer dizer com isso?"

"Voc sabia que ele gosta da mame?"

Silncio.

No demorou para Mulder responder. "Eu j desconfiava."

Andrew olhou para ele, no entendendo. "E voc no fez nada?"

"Posso te contar uma coisa?" Mulder perguntou. "Alis, seria melhor
voc ver por si mesmo". Ele falou, e Andrew entendeu, comeando a
ler seus pensamentos.

No final, ele estava surpreso. "Ele fez isso?" 

Mulder acenou com a cabea. "Sim, ele fez. Por causa dela. Foi ento 
que comecei a desconfiar."

"E agora?" 

"Estou tranquilo. No posso mentir dizendo que sinto um pouco de 
cime cada vez que ele se aproxima da sua me, mas eu tenho certeza
do amor dela por mim, e me considero o homem mais sortudo do 
planeta."

Ao ouvir isso, Andrew confirmou, entusiasmado. "E  mesmo! Ela
 maravilhosa! Falando nisso, eu queria perguntar umas coisas sobre
as mulheres pra voc. Voc me tiraria algumas dvidas?"

Mulder ficou chocado. Nunca, em sua vida, pensou que isso podia
acontecer. Ele ia aconselhar seu filho sobre as mulheres! E, ao que
parecia, teria que fazer isso mesmo, pois o rapaz era bem bonito
(no contava que ele era filho dele e de Scully - mas com certeza isso
ajudava!) e as garotas cairiam em cima dele logo.

Ele colocou a mo sobre o ombro de Andrew e comeou a falar,
indeciso. "Nem sei por onde comear..."

"Shhhh, agora no." Andrew falou de repente.

"E por que no?"

"Mame est vindo." 

Eles se olharam, concordando que esse era um tpico que ela no
deveria testemunhar. No por enquanto.

Homens...

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ANDREW - PARTE 5

Autora: Edna Barros (Vancouver)
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A semana passou tranquila. Depois de tera, onde Skinner os tinha
'visitado', Andrew, Mulder e Scully tiveram tempo para se conhecerem.

Andrew estava como um pinto no lixo. Ele agora morava com seus
pais, e se pudesse, moraria para sempre.

"Nem mesmo pense nisso, Andy." Mulder falou uma vez quando
Andrew pensou em voz alta. "Voc precisa viver sua vida."

"Mas, pai..." ele comeou, e ouviu o riso da me, que estava do
lado dele na mesa, enquanto jantavam fora na noite de sexta. Os dois
estavam orgulhosos de t-la ali, bem de sade (apesar dos 'altos e baixos'
da gravidez) e muito bonita. 

Scully, por sua vez, estava orgulhosa dos dois. Ela via os olhares
de inveja das mulheres  volta deles, ao v-la com dois homens 
lindos como seu marido e seu filho.

Mas o que ela no via eram os olhares assassinos de Mulder e de
Andrew para os homens que a despiam com o olhar. Um deles
at engasgou quando Andrew deu uma olhada fulminante em sua
direo, e Mulder o pegou pelo brao.

"Calma, Andrew. Olha, acho que precisamos conversar depois, filho.
Voc precisa controlar esse seu gnio. Voc  pior do que eu!
E antes voc parecia to calmo..." Mulder falou enquanto 
Scully estava entretida com o carro de doces.

"No quando o assunto  ela", Andrew falou, solene, e Mulder no
pde recrimin-lo. Ele tambm perdia a cabea quando o assunto era
Scully. Mas, mesmo assim...

Eles foram interrompidos com Scully se voltando para eles, e o garom
estava colocando o doce na frente dela. "Bem, agora que vocs dois
pararam de conversar esse papo homem das cavernas" ela conseguiu
dois sorrisos sem graa quando disse isso. "J escolheram sua 
sobremesa?"

"Eu quero aquela ali", Andrew apontou a torta de batata doce, e
Mulder e Scully se olharam. "O que foi?" ele perguntou.

"No,  que voc acaba de escolher o doce preferido de Mulder, s
isso. Voc leu a mente dele?" Scully perguntou, baixinho. Andrew
negou com a cabea.

"No fao isso quando estamos conversando normalmente, como vocs
pediram. S fao isso quando  necessrio, pode confiar em mim."
ele falou, firme, querendo que seus pais realmente confiassem nele.

"Ns confiamos em voc, Andrew." Mulder respondeu pelos dois.
Apesar do pouco tempo juntos, era difcil voc no se dar bem com
algum que  to parecido com Scully. E Scully pensava a mesma
coisa: Andrew era parecido demais com Mulder. Ele era a mistura
perfeita dos dois, e tinha algo to doce que era s dele. Perfeito.

Eles j tinham conversado sobre onde morariam. Mulder e Scully j
tinham decido procurar uma casa desde que souberam do beb, e agora,
com Andrew morando com eles, era bvio que seria necessrio a compra
agora, urgente. Scully j estava ficando incomodada por ele Ter
que dormir no sof.

"Pode deixar, me. Eu gosto de dormir no sof."

E seus pais riram, fazendo Andrew se deliciar com isso, mesmo sem
saber o motivo.

"Mulder, no se esquea de que amanh eu vou almoar com minha
me." Scully falou enquanto comia a sobremesa. Os outros dois j
tinham devorado as deles.

"Tem certeza de que no quer que eu v com voc?" ele perguntou,
preocupado dela Ter que enfrentar a me dela, sem seu apoio.

"Sim. E eu gostaria que vocs dois passassem um tempo juntos, 
tipo pai e filho." ela respondeu, e Mulder e Andrew se olharam, 
com pensamentos diferentes. Mulder estava receoso de que 'aquela
conversa' poderia finalmente acontecer, e Andrew estava ansioso
de que poderia conhecer mais seu pai.

"Tudo bem, Scully, mas se voc precisar de qualquer coisa, me liga,
certo? Qualquer coisa!" ele insistiu, e ela o acalmou.

"Pode deixar que eu te ligo." ela encerrou a conversa, e terminou
sua sobremesa.

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Scully parou o carro em frente  casa de sua me, e ajeitou o cabelo,
nervosa.  Ela ainda ficou uns cinco minutos no carro, tentando criar
coragem para entrar. E quase pulou do banco quando um som de batidas
a tirou de seu devaneio. 

"Dana? Voc est bem?" sua me estava ao lado da janela do carona,
olhando-a. Scully saiu do carro e respondeu, olhando por cima do carro.

"Sim, me, j estava saindo".  Ela deu a volta no carro, e abraando
Margaret, ela a beijou no rosto. 

"Vamos entrar, querida." as duas entraram na casa, e Scully tirou
o casaco, deixando a bolsa em cima da mesa. Elas foram direto para
a cozinha. 

O cheiro forte a atingiu antes mesmo que ela entrasse l. "Me, o que a 
senhora est fazendo que est com esse cheiro?" Scully falou, tentando 
esconder a nusea. Belo comeo de visita.

" uma receita nova, e eu queria sua ajuda para poder ver se fao esse
prato no dia do jantar de ao de graas, Dana. O que voc a---" 
Margaret se calou quando viu Dana sair correndo para o banheiro. Ela
a seguiu, e viu o que estava acontecendo. Fechando os olhos, ela 
voltou para a cozinha, pegou um copo de gua gelada e foi para a sala, 
desligando o forno antes, sabendo que to cedo elas no almoariam.

Scully passou pela sala, e viu sua me ali. Sem palavras, ela pegou o
copo, se sentou no sof, e bebeu a gua calmamente, tentando 
inutilmente adiar a conversa.

"Voc est grvida, Dana?" Margaret perguntou, sem rodeios.

Scully olhou para ela, nem um pouco surpresa por sua me Ter 
percebido isso. Mas ficou quieta.

"No tente me enganar. Tive quatro filhos, e sabia muito bem que quando 
um cheiro me dava enjos, vinha outro beb por a." ela falou, um
pouco chateada. 

"No tinha inteno de te enganar, me. S queria que almossemos
tranquilamente, e que pudssemos  conversar sobre isso mais tarde." 
ela respondeu, em voz baixa. 

"Mais tarde quando?" a me dela perguntou. "Quando o beb nascesse?"
Scully tremeu ao ouvir a raiva no tom de voz da me. "Dana, s vezes
eu acho que o Bill tem razo em reclamar sobre voc. Voc nem fala 
sobre nada com a gente, e ns somos sua famlia! Ns s queremos
o seu bem, e parece que s vezes ns nem existimos pra voc! S
falta voc me dizer que se casou e nem nos falou, tambm!" Magaret
falou, e olhou nos olhos de sua filha, que haviam se fechado de repente.

"No me diga que voc..." Margaret colocou a mo na boca. "Dana...
como voc pde fazer isso comigo? Nem mesmo trouxe ele aqui para
--- " s ento ela se deu conta que no havia perguntado o mais 
importante. " ele, no ? Fox  o pai da criana."

Scully percebeu, com um sorriso triste, que sua me nem precisaria
dos poderes mentais de Andrew. Ela estava acertando tudo. Ainda 
sentindo enjo, e percebendo que se respondesse alguma coisa, sua
me ficaria ainda mais nervosa, ela permaneceu quieta. Ela somente
acenou com a cabea  pergunta.

"E foi com ele que voc se casou, no ? Claro! Que pergunta boba a
minha! Como se voc tivesse oportunidade com outro homem desde
que Fox entrou na sua vida!" ela falou, e o tom que usou deixou Scully
chateada.

"Me, agora voc est sendo injusta com ele e---" ela nem 
terminou de falar.

"Injusta!? INJUSTA?!? Como voc pode me acusar de ser injusta?  
voc quem vem pra c, joga essa bomba em cima da minha cabea, 
e acha que vou ser compreensiva e aceitar tudo como um cordeirinho
de prespio? Dana, eu tenho aguentado quieta durante todos esses
anos as vezes em que voc se colocou em perigo, nos preocupou
at a morte, e nem mesmo contava as coisas para ns, como aconteceu
com o seu cncer. J estou cansada disso!" Margaret se afastou dela,
como se no aguentasse a presena de Scully perto dela.

"Eu sei que voc est chateada, me, mas me entenda, por favor..."
Scully no conseguia falar com ela. Parecia que sua me tinha chegado
ao limite. As duas estavam  beira das lgrimas. 

"No, Dana. Eu no te entendo. Depois de tudo, voc ainda espera
que eu aceite placidamente a sua gravidez, e o seu casamento s 
escondidas? Isso  demais para algum aguentar, imagine vindo de
sua prpria filha!"

Ao ouvir a palavra filha, Scully se lembrou de que ainda no havia
falado sobre outro tpico. "Eu ainda no contei tudo, me."

Margaret parou, de boca aberta, no acreditando no que estava 
ouvindo. "Ainda tem mais? Isso no  possvel... o que , afinal de
contas? J estamos mesmo revelando tudo aqui."

Scully suspirou e se levantou, indo para a janela. "Se lembra quando 
eu descobri que era me de Emily? E de como isso aconteceu?"

Margaret balanou a cabea. No estava acreditando que isso estava
acontecendo de novo. "No me diga que outra Emily apareceu."

"No, me. Mas outro filho apareceu."

"Filho? Um garotinho igual  Emily?"

Scully suspirou, e ficou de frente pra sua me. "No. Um rapaz, de 
vinte anos, mas que s viveu poucos anos at agora. Ele  
comprovadamente meu e de Mulder, e o nome dele  Andrew. E ele  seu 
neto."

Margaret no sabia o que falar. Depois de muito tempo, Scully 
perguntou. "Me? No vai dizer nada?"

Os ombros de sua me desceram, desconsolados. Ela parecia Ter 
ficado muito triste. E ela respondeu. "Nada do que eu diga vai fazer com
que tudo isso mude. Sinto muito pela vida que voc escolheu, Dana.
Com certeza seu pai estaria triste tambm." Se Margaret estivesse 
atenta das palavras que disse, ela nunca as teria pronunciado.

Ela sabia o quanto sua filha amava e ansiava a aprovao do capito.
E ela no tinha o direito de pensar no que ele diria. Mas, estava to 
chateada e atordoada com todas essas notcias, que  nem percebeu a
tristeza de Scully.

A esta altura, as duas choravam. Margaret decidiu dar um ponto final 
na conversa. "Voc sabe onde  a porta." ela falou, e subiu a escada,
deixando Scully sozinha. 

Scully se virou, olhando para a janela, onde crianas brincavam na rua.
Ela se lembrou de Melissa, e no que ela poderia dizer. Com certeza ela
riria e diria, "Dana, sua vida  mais louca que a minha". Scully tentou
sorriu ao imaginar sua irm dizendo isso, e ela olhou para as fotos sobre
a lareira da casa de sua me, vendo sua famlia ali. 

No querendo mais ficar ali dentro, ela saiu, entrou no carro, ligou o 
motor, e saiu a esmo, sem direo. 

Queria pensar. Queria ficar sozinha.

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Mulder estava se divertindo com Andrew. Os dois estavam, desde a
manh, jogando basquete, de novo, e com Karl e a turma dele. Dessa
vez, ele queria saber se ele e o filho pudessem vencer, sem  o 'auxlio'
um tanto quanto bem-vindo da leitura de mentes de Andrew. E podiam.

Claro que o placar estava acirrado, mas a equipe de Mulder estava
vencendo bem. Andrew de vez em quando dava umas falseadas, mas 
Mulder entendeu que ele queria deixar a partida mais disputada. 

Ele sorriu. Garoto inteligente esse seu filho. 

No tiveram tempo para falar sobre 'aquela conversa'. Mesmo ansiosos,
por motivos diferentes, em t-la, eles esperariam at que a hora certa chegasse.
Mas, estava na hora de voltarem pra casa. A esta altura, Scully j teria
voltado do almoo com a me. Eles comeram por l, junto com os outros, 
perto da quadra. Ele estava tranquilo, pois sabia que era isso que Scully 
tinha querido quando ela falou que iria para casa da me sozinha. 

Enquanto voltavam, Mulder viu Andrew diferente, um pouco calado,
mas calmo de qualquer maneira. No se importou em perguntar o 
que era, deixando o assunto pra l.

Quando chegaram, eles tomaram banho, trocaram de roupa, e 
esperaram Scully chegar. Mas ela no voltou.

"Pai?" Mulder ouviu a voz de Andrew, enquanto ele pensava em como
poderia falar com ela. Ele no queria ligar para a casa da me dela 
e interromper nada. 

"Que foi, Andrew?" 

"Se lembra de quando a mame foi atacada?" a voz de Andrew era baixa.
Parecia que ele estava no mesmo esprito que seu pai.

"Claro", como se ele pudesse se esquecer. Hah.

"Se lembra quando eu falei que senti um zumbido?"

"Lembro." as respostas de Mulder estavam como seu humor. Curto e mau-humorado.

"E as vezes em que ela passou mal, de enjo?" Andrew insistiu.

"O que tem?"

"Eu tambm senti o zumbido, s que mais fraco."

Ao ouvir isso, Mulder se virou para ele, querendo saber onde ele queria
chegar. "O que uma coisa tem a ver com a outra?"

Andrew ficou quieto, e respondeu. "Estou sentindo uma coisa parecida.
Tenho quase certeza de que  a respeito da mame."

Mulder ficou nervoso ao prospecto dela estar ferida. "Como assim? Ela
est ferida? Machucada? Passando mal?"

Andrew balanou a cabea. "No sei... dessa vez,  diferente."

"Diferente como?" Mulder perguntou, ansioso. Mas antes que Andrew
pudesse responder, eles ouviram uma batida na porta. 

Mulder foi atender, e ficou surpreso ao ver a pessoa que estava ali.

"Sra. Scully?"

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Margaret Scully era conhecida por sua pacincia, mas tambm por ser
uma mulher justa. E agora, ela estava pensando se havia sido justa com
sua prpria filha.

Revivendo os passos daquela trgica conversa, ela decidiu que em 
nenhum momento ela deu para Dana uma chance de tentar explicar
o que estava acontecendo, os motivos dela Ter se casado s escondidas
com Fox, sobre a gravidez...

Meu Deus! Ela nem mesmo tinha perguntando como ela estava se
sentindo depois de Ter sado do banheiro, se importando apenas em 
atacar sua filha sem piedade. Ela estava to cega de raiva, que em
nenhum momento percebeu o quanto a filha estava sofrendo tambm.

E agora, com uma criana, ela ainda recebe a notcia de que tem um
rapaz, filho deles, com vinte anos... mas como isso poderia Ter 
acontecido? Quando? Como?

Bem, isso ela nunca saberia, pois no deu chances para Dana se explicar.
Quo injusta ela foi realmente. E depois, alm de tudo, praticamente
expulsou sua prpria filha de sua casa!!!! Dana, ao que parecia, queria
conversar, desabafar, contar com sua me num momento to difcil,
e o que ela fez? A afastou.

O que ela tinha feito?

Agora, ela estava subindo as escadas para o apartamento de Dana, 
querendo falar com calma com sua filha, e tentar entender, e se possvel,
ajud-la. Afinal de contas, ela era uma me, e sabia o que Dana poderia
estar passando.

Ela bateu na porta, e esperou. Quando Fox a encarou, surpreso, ela olhou
por cima do ombro, e viu o rapaz que Dana tinha se referido. Nossa! Ele
era a cara de Fox, e realmente tinha o cabelo de Dana, e haviam alguns
traos dela nele tambm. 

E ento, Margaret se deu conta de que este poderia ser seu neto! Que
coisa horrvel ela tinha feito! Sem olhar para Fox, ela entrou no 
apartamento, e se aproximou do rapaz. 

"Voc  o Andrew?" ela disse, numa voz fraca. 

Andrew, sem entender nada, acenou de volta. Ele comeou a ler a
mente dessa senhora, e logo sentiu o remorso da mulher  sua frente.

"Vov?"

A ouvir isso, Margaret fechou os olhos, e se sentiu mal por Ter feito 
o que fez um pouco mais cedo. Ela fechou os olhos e sentiu mos 
ajudando-a a se sentar no sof. "Oh, meu Deus, o que eu fiz?"

Ao redor de sua leve tonteira, Margaret ouviu Mulder reclamando com
Andrew. "Voc tem que parar de falar essas coisas pros outros, Andy.
Assim voc vai matar as pessoas do corao. Voc no pode chamar
a sra. Scully de av sem antes conversar com ela primeiro."

Margaret pegou a mo de Mulder, e o acalmou. "Tudo bem, Fox. Ele
no me assustou. Tenho certeza de que teremos tempo para conversar
sobre isso depois. Mas agora, eu estou chateada com o que fiz com Dana. 
Falando nisso, onde ela est?" ela perguntou, olhando ao redor, s para 
olhar no rosto de Mulder e perceber o erro da pergunta.

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"Ela no foi at a sua casa, sra. Scully?" Mulder perguntou. Andrew
logo notou a transformao do pai.

<E ele me dizendo pra ficar calmo>

Mas Mulder, olhando para sra. Scully, continuou. "Ela deveria Ter 
chegado j h algum tempo. O que aconteceu? Sra. Scully?"

"Oh, Fox, eu fui injusta com ela. Na verdade, fui cruel. O que eu fiz?
O que eu fiz?"

Andrew percebeu que da sra. Scully eles no iam conseguir nenhuma 
informao. Ele tentou pensar. 

"Pai? Mame no est com o celular?" ele perguntou, e viu um brilho
no olhar de Mulder. 

"Sim, ela est." ele pegou o telefone, e rapidamente discou o nmero.
<O nmero que voc desligou est temporariamente ----">

"Droga! Est desligado!" Mulder falou e se virou para a me de Scully
mais uma vez. "Sra. Scully? O que aconteceu? O que a senhora falou 
com Scully?"

Ela respirou fundo e se controlou. "Reclamei sobre o beb, sobre o 
casamento e...." ela olhou para Andrew. "Sobre voc. E nem dei chance
dela falar. Sa de perto dela, e ainda a expulsei da casa."

Mulder fechou os olhos, imaginando a cena. Deveria Ter sido horrvel 
para Scully Ter passado por isso sozinha. Ele deveria Ter estado l.

"Qual foi a ltima coisa que a senhora disse para ela?"

Margaret tremeu a cabea enquanto falava. "Que o pai dela estaria triste
com a vida que ela escolheu viver."

Andrew pensou, e leu a mente de seu pai. O que o mar tinha a ver
com isso tudo? "Pai?"

"Acho que sei onde ela pode estar." Mulder falou, e continuou. "Sra.
Scully? V para casa, ou fique aqui, se quiser. Ns vamos atrs de Dana."

Margaret parou e olhou para Fox. Como ela poderia Ter feito isso? Era
bvio que ele a amava! "Vou esperar aqui por notcias."

Andrew e Mulder saram rapidamente pela porta, e nas escadas, Mulder
disse para ele. "Vamos usar agora o seu radar-Scully para encontrar
a sua me, Andy. Ser que vamos conseguir?"

"Ns vamos, pai. Ns temos."

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Durante muito tempo ela ficou ali mesmo.

Scully estava perto de onde seu pai havia sido 'enterrado'. No mar,
bem na gua, de onde ele trabalhou para tirar o seu sustento e da sua 
famlia. Ela quase podia ouvir a msica preferida dele, enquanto ficava 
sentada l, chorando, pensando no que ouviu da boca de sua me.

Ser que ela tinha feito a coisa certa ao decidir entrar para o FBI?
Ser que ela tinha feito a coisa certa em querer viver sua prpria
vida, e no deixar que as outras pessoas escolhessem por ela?

Silenciosamente, ela pensou no que seu pai poderia dizer,  e ficou
triste ao achar que sabia a resposta. Era bvio que ele queria que 
ela fosse mdica, seguisse a carreira prspera da medicina, e que 
tivesse o status que ele gostaria para ela. 

Mas ela sabia que ele tambm havia ficado orgulhoso por ela Ter
sido escolhida para trabalhar no FBI. No era para qualquer um Ter
essa honra em sua vida. Como Bill e Charlie, por exemplo. Somente
ela, em toda sua famlia, foi considerada satisfatria para defender sua
nao, atravs de uma agncia federal to conceituada. 

E com relao ao pas, ambos tinham lutado a favor. Nessa questo, os
dois eram iguais: amavam os Estados Unidos acima de tudo, e fariam
o impossvel para protege-lo, mesmo sendo na marinha, ou numa 
agncia federal de segurana. 

Nisso seu pai tinha orgulho dela. E ela sabia, intimamente, que seu
pai achava sua filha forte demais por querer encarar uma carreira to
difcil, mas at prspera, considerando que agentes especiais eram um
dos funcionrios federais mais bem pagos do pas. Ningum poderia reclamar
que sua carreira no era rentvel.

Mas agora, ela precisava viver a vida dela. Amava sua me, amava seus
irmos, seus parentes, mas ela queria fazer uma nova famlia com 
Mulder, e agora com Andrew e o novo beb. Seus filhos. 

Sua famlia.

Em silncio, ela pediu desculpas  sua me, e a seu pai, e at mesmo 
aos seus irmos por no fazer o que eles queriam, mas s o que ela
achava ser certo em seu corao. Se ela no fosse mais bem vinda na
famlia, tudo bem, ela ia sofrer, mas com certeza ela teria onde achar 
conforto.

Ao pensar no conforto que teria de sua prpria famlia, ela sorriu. J 
ansiava uma vida em comum com Mulder, Andrew e o beb. Seria o 
mximo!

Estava to entretida em pensamentos, que ela no ouviu nem percebeu
os passos se aproximando.

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Mulder tinha uma leve idia de onde ela poderia estar. Scully sempre
adorou a gua, no sendo  toa que adorava ficar na banheira.

Quando ela ficou pensando em Melissa, foi no tmulo da irm que
ele a encontrou. No seria diferente com o pai.

Ele pensava em coisas que pudessem acalm-lo, caso contrrio ele
poderia explodir de tanta tenso. S depois que Andrew falou algo 
sobre estarem indo na direo certa, foi que ele comeou a relaxar.

"O zumbido est mais calmo agora, pai, mas est forte, como se 
ela estivesse cada vez mais perto." a voz calma de Andrew falou.

Mulder estava pasmo s mudanas de personalidade de seu filho. Numa
hora, ele era calmo e sereno como um homem cheio de experincia e
sabedoria, e no outro, parecia um louco sem controle. E extremamente 
forte. Essa combinao de atitudes s o fazia mais especial ainda a seus
olhos. 

E quanto a esse radar-Scully... at que no era mal. No era mal mesmo! 
Mulder ficaria at mais calmo sabendo que poderia encontra-la mais
facilmente usando a ajuda do prprio filho.

Eles chegaram perto do local onde as cinzas do capito haviam sido
jogadas. Com a memria fotogrfica de Mulder, mesmo ela falando uma
vez sobre isso, ele nunca se esqueceu do nome e do lugar. Se era especial
pra ela, era especial pra ele tambm. 

"Olha l, pai. L est ela."

Mulder virou a cabea, e viu a figura incrivelmente pequena de sua 
esposa sentada no cho, abraando os joelhos com os braos, tentando
se desviar do vento frio do mar. 

Parando o carro, Andrew e Mulder ficaram durante algum tempo s 
observando-a,  tranquilos ao verem que ela estava bem, mas tristes 
por causa da tristeza dela. Mulder aproveitou e avisou a me dela que
eles a tinham encontrado. Margaret falou que ento iria embora, e que
depois ligaria para falar com Dana. 

Eles ficaram quietos, esperando, mas quando a viram passar a mo pelo 
rosto, enxugando as lgrimas, os dois, em acordo no dito, saram do 
carro e foram na direo dela.

Eles notaram que ela no havia percebido a chegada deles. Mulder
olhou para Andrew, que parou, e esperou o aceno do pai para se 
juntar a eles depois.

Mulder se aproximou dela, e quase chorou ao ver o rosto amado
cheio de lgrimas. Mas havia uma calma serena no semblante dela
que no estava l antes. Quando os olhos azuis o fitaram, Mulder 
soube que nada os separaria. Se nem mesmo a me dela conseguiu...
ele se aproximou, e a abraou, e Andrew ficou observando tudo de 
onde estava. 

Ele se sentou, a colocando  sua frente, e ela fitou o mar adiante, sem falar nada. 
Mulder virou o rosto, e acenou com a cabea para Andrew, que
se aproximou. O rapaz foi para a frente da me, e se aconchegou 
nos braos dela.

Scully estava completamente envolvida por eles. Pelos carinhos, 
calor, amor e compreenso implcitos em seus gestos.
E ela relaxou entre eles. 

Mulder continuou fazendo carinhos no rosto dela, dando beijos
aqui e ali no cabelo macio, olhando o mar, e  ela,  enquanto Scully, 
com a expresso calma e decidida, acariciava o cabelo de Andrew, 
que tambm olhava para o mar e para ela, acariciando a perna dela
abaixo do joelho, lendo os pensamentos de sua me e entendendo 
o que tinha acontecido e o que ela havia decidido. 

Ele fechou os olhos ao sentir o beijo de sua me no cabelo dele.
"Eu te amo, Andrew, mesmo voc no tendo nascido de dentro de mim."
Scully decidiu falar isso num sbito pensamento, mais uma vez
certa de que voc tem que aproveitar os momentos, antes que seja
tarde demais. 

O olhar de carinho, amor e alvio que recebeu de seu filho a esquentou,
e Mulder percebeu o momento tambm, abraando-a mais forte, e colocando
uma mo na cabea do filho dele tambm.

Tranquilo e feliz de que agora ele era parte dessa famlia, Andrew
se aconchegou no abrao da me to adorada, abraando-a tambm,
s para ela sentir que o amor dele por ela era incomensurvel, assim
como o mar  frente deles. 

Sem palavras, eles compartilharam esse momento privado de paz
e amor, sem serem perturbados, parecendo haver somente eles no
mundo.

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Finalmente, chegou o dia do to esperado jantar. No que isso acalmasse
os nervos de Scully. Ela j estava nervosa por levar Mulder, avisar sobre o
casamento e o beb, e agora, com Andrew... ela no tinha certeza de
como Bill iria aceitar isso.

Mulder lhe garantiu que no a deixaria sozinha, mesmo sob seus 
protestos, e igual garantia ela teve de Andrew. Dois contra uma no
era justo, mas ela, bem l no fundo, agradeceu o apoio. Ela precisaria 
disso, mais do que nunca. 

Margaret tinha insistido que eles fossem mais cedo, para poderem passar
o dia. Depois de se desculpar muito com Dana, ela se atarefou em
saber detalhes sobre o casamento deles. Mas no haviam muitos. Eles
tinha decidido se casar num cartrio comum, durante um caso, aproveitando
alguns dias de frias. No foi uma coisa de momento, mas um resultado
de cinco anos de trabalho lado a lado, uma forte amizade, carinho, e 
amor restringido. 

Andrew aproveitou para saber detalhes disso tambm. E o que leu nas
mentes de seus pais o deixou bem contente. 

Saber do beb, a princpio, deixou Margaret chateada, mas agora
ela estava contente pela filha. Era bvio que ela estava feliz, com Fox
ao lado dela, e o beb a caminho.

Quanto a Andrew, ela ainda no tinha uma opinio formada. Bem, na
verdade tinha sim. O menino era Fox, cuspido e escarrado! At mesmo
nos cuidados com Dana, ele era at mesmo mais amoroso. Sua filha
estava bem segura com esses dois ao lado dela.

O menino era um doce de criatura. Educado, bonito e tranquilo, ele era
o eptome do bom neto. <Meu Deus! J estou pensando como eles!>

Ma ela estava preocupada com Bill. Conhecia seu filho, e o gnio da
famlia. Ela, Dana, Bill e Melissa sempre tiveram gnio forte. S Charles
saiu ao pai, tranquilo, mas igualmente firme em suas decises. Sua famlia
foi bem difcil de criar, mas ela no a trocaria por nada.

Tremendo a cabea, ela decidiu ajeitar a mesa do lado de fora para
o jantar, e pediu a ajuda de Mulder e Andrew para moverem as coisas, 
e arrumou dois ajudantes muito bem dispostos e solcitos. Eles eram 
uns amores mesmo.

Agora ela via que no era problema aceit-los na famlia.

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Scully estava sentada no sof, lendo uma revista, quando ouviu a campainha 
soar. Olhando ao redor, ela percebeu que sua me, Mulder e Andrew ainda 
estavam na cozinha, arrumando as coisas, deixando-a descansando no sof. 

Depois de trs semanas desde aquele incidente com sua me, ela agora estava
com a barriga j aparecendo, para delcia de Mulder, que no parava de 
colocar a mo na barriga dela. Andrew tambm fazia isso, para sentir seu
'irmozinho' (Mulder perguntou se ele via o futuro tambm), mas o garoto
s tinha chance de fazer isso quando Mulder no estava por perto, o que era
quase impossvel.

Eles tinham voltado a trabalhar, arrumando os relatrios atrasados, e 
Andrew passava o dia tentando trabalhar no chip de sua me. Ele queria
fazer contato com os Pistoleiros, mas Mulder foi categrico, dizendo que 'ainda
no  tempo de Frohike ver um filho da Scully'. 

Ele no entendeu o que seu pais quis dizer com isso.

Sua indisposio havia diminudo, para alvio de todos, e agora, somente o 
cansao parecia afet-la. 

Por isso, ela no insistiu em ajudar sua me. E ela queria tambm que sua
me soubesse como  estar ao redor de Mulder e de Andrew. Era muito
bom mesmo. Talvez ela a entendesse melhor. 

Se levantando, ela foi atender a porta, s para dar de cara com Bill.

No primeiro momento, ela gelou, mas, tentando agir com calma, ela 
o cumprimentou, sinceramente feliz em v-lo. 

"Oi, Bill, como foi de viagem?"

Seu irmo entrou, bagagem na mo. "Tudo bem, obrigado. Tara, entre
aqui."

S ento Scully viu sua cunhada. Ela parecia bem. Mas havia algo 
estranho no rosto dela...

Scully a cumprimentou, e logo depois, sentiu algum puxando a cala
dela. 

Era seu sobrinho, Matthew.

"Oi, Matthew. Como est o garotinho da titia?"

"Oi, tia Dana." o menino parou e apontou atrs dela. "Quem  ele?"

Scully se virou, e viu Andrew e Mulder entrando rapidamente na sala,
procurando-a. Ela no demorou para perceber o que tinha acontecido.
Provavelmente Andrew tinha sentido ela tensa, e correu pra perto dela
para ver se ela estava bem. Mulder estava chamando isso de radar-Scully,
e ela achou isso uma bobagem, at que ele explicou sobre as vezes
em que isso tinha acontecido, e ela ento procurou notar algumas
coisas.

Como um zumbido fraco bem atrs do pescoo. 

Mas, colocando esse pensamento de lado, ela se virou para Andrew e
Mulder, e se colocou no meio deles. Os dois formaram  uma parede
lado a lado dela, praticamente inchando o peito, e ela quase sorriu
ao imaginar como Bill poderia estar vendo isso. 

Quase.

"O que est acontecendo aqui, Dana?" Bill perguntou, mas antes que
ela pudesse responder, Margaret entrou na sala.

"Bill! Voc chegou!!! Tara! Matthew! Oh, eu estava com muitas saudades
de todos vocs! Entrem! Entrem!" ela falou, beijou, e acenou para eles
entrarem, fazendo quase tudo ao mesmo.

Bill abraou a me, mas assim que tivesse feito isso, ele se endireitou
e foi na direo de Dana. Ela deu um passo  frente, sentindo a presena
de Mulder e de Andrew atrs dela. 

"Vem com a vov..." Maggie falou para Matthew, mas o menino havia sentido
um  cheiro na cozinha, e gritou "Torta!" , correndo para l. Tara e Margaret
foram atrs dele, deixando os quatro sozinhos na sala.

"O que est acontecendo aqui, Dana?" Bill repetiu, e 
Scully viu que ele
no ia levar isso fcil. Ela olhou para o lado, e 
falou, mesmo sabendo que reao
iria Ter ao dizer isso. 

"Mulder, Andrew, eu vou falar com Bill ali na outra 
sala. Daqui a pouco eu chamo vocs."

Mulder abriu a boca para protestar, uma perfeita 
imagem da atitude de Andrew,
mas ela os parou com a mo. "Eu vou ficar bem."

"O que voc acha que eu vou fazer com ela, Mulder? 
Machuc-la?" Bill
perguntou, no olhando para ele. 

"No duvido", Mulder murmurou, mas ningum escutou, exceto Andrew,
que estava ficando mais preocupado a cada minuto. O zumbido estava
ficando um pouco alto, e ele sabia o que isso significava: problemas.

"No sei o que voc est fazendo aqui, Mulder, mas no gosto disso. E quem
 esse a que est com voc? Parece ser da famlia, pois a cara no nega. E
se  parente seu... no deve ser boa coisa."

"Chega Bill! No quero brigar com voc! S quero conversar!"
Scully falou entredentes, e saiu em direo a outra sala. 
Bill deu um olhar mortal para 
Mulder, e foi atrs dela.

Andrew estava ficando preocupado, no s com sua me, mas com seu 
pai tambm. Ele podia ver que seu controle estava por um fio, e se as
coisas no esfriassem, elas ficariam bem feias por ali.

"Pai, pode deixar que no vai acontecer nada." ele colocou a mo sobre o 
ombro de Mulder, tentando acalm-lo, e esquecer tambm do zumbido que
crescia cada vez mais.

"No me pea isso, Andrew. Voc no conhece o Bill. Ele me odeia, e o 
sentimento  mtuo, pode Ter certeza. Eu at que tento suport-lo, por
causa da sua me, mas mesmo assim..."

"No fique preocupado, pai. Eu vou dar uma olhadinha, e voc fica bem
aqui na porta pra qualquer eventualidade..." ele no sabia se estava falando
mais para o seu pai do que para ele mesmo. Nem precisava ler mentes para
ver que seu pai estava um nervo s.

Maggie voltou da cozinha, e viu os dois ali, de p, e entendeu o que
estava acontecendo. Dana devia estar conversando com Bill. Ela teve
uma idia para poder distrair os dois, que pareciam dois guardas na porta 
do outro cmodo.

"Por que vocs no me ajudam a levar as malas de Bill l pra cima e...."
ela parou quando ouviu o som de algo se quebrando no outro cmodo. E
numa piscada de olho, ela viu Mulder e Andrew correndo na direo da porta,
e viu quando o rapaz praticamente derrubou a porta com uma fora que
no aparentava Ter. E antes que ela pudesse impedir Mulder de passar por
cima de Andrew, e voar em Bill, ela podia ver Dana cada contra o sof, gritando:
"No! Mulder!"

Ela olhou para Tara, que estava vindo da cozinha, com Matthew no colo. "Fique
na cozinha, Tara. E s saia de l quando eu mandar."

Tara acenou com a cabea, entendendo o que estava acontecendo. Como 
conhecia Bill muito bem, ela rapidamente voltou para a cozinha. No queria 
estar no lugar do tal Mulder e do rapaz.

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Scully entrou na sala de leitura da me, e se virou, mos nos quadris, 
vendo Bill fechar a porta, e ir na direo dela. 

"Como vai ser, Bill? Calmo ou turbulento?"

Bill parou, e fechou os punhos, contando at dez. 
Esta aqui era sua irm,
e ele s queria o melhor pra ela. "Dana, o que 
aconteceu com voc?"

"Se eu disser que estou feliz, voc acreditaria?" 
ela perguntou, j sabendo
que seria difcil seu irmo aceitar suas decises. 
Como sempre.

"Voc no pode estar feliz enquanto estiver trabalhando 
com aquele cara l
fora!" Bill apontou pra porta, ainda tentando se controlar. 

"Pois acho melhor voc ir se acostumando com ele na famlia, 
Bill." ela 
continuou falando num tom de voz baixo, tambm tentando 
se controlar.
Queria resolver esta situao de uma vez por todas.

"Como assim?" ele perguntou, mas meio temoroso se queria 
Ter a resposta.

"Mulder e eu estamos casados." Scully disse calmamente. "E estamos esperando
um beb."

A boca de Bill caiu ao cho. "O q--- mas como?"

"E voc vai ser titio..." ela disse, colocando a 
mo na barriga, tentando desanuviar a tenso, 
mas ficou nervosa ao ver Bill se aproximando dela. 
Ele havia perdido o controle por
um momento, s querendo colocar algum juzo 
naquela cabea dura da sua irm.

"Voc enlouqueceu?" ele falou, segurando-a pelos braos.
 Ele repetiu a pergunta
"Voc enlouqueceu?" dessa vez sacudindo-a, 
e ela tentou se libertar, e Bill a soltou.

O movimento de ambos fez os dois perderem 
o equilbrio, e ela caiu no sof, ao mesmo
tempo em que ele caiu por cima dela, derrubando 
um vaso ao lado do sof. 

Eles ficaram quietos, paralisados, e um segundo depois, Bill 
sentiu um baque no corpo, e foi 
jogado contra o cho. Seu treinamento militar lhe concedeu 
rpidos reflexos, e logo ele estava lutando e se defendendo 
contra seu atacante com a mesma fria. Ele viu que era Mulder, 
e antes que pudesse reagir, ele conseguiu escutar uma outra voz. 
"Me? Voc est bem?"

Isso o congelou, e ele olhou diretamente para Mulder, que estava 
tentando ating-lo, mas parou quando viu a surpresa no rosto de 
Bill. Se levantando, Mulder foi para perto de Scully, e os trs 
ficaram olhando para Bill, e nem perceberam Maggie entrando na 
sala tambm.

Bill parou, se sentou, e olhou o quadro  sua frente. O 
garoto estava curvado sobre a me - ele nem mesmo se dignou 
a olhar para Bill - e Mulder estava ao lado de Dana, mas de 
olho em Bill ainda. Ele chamou sua irm. "Dana?"

Scully se mexeu, fazendo Andrew dar um passo para o lado. 
"Bill, este  Andrew. E ele  meu filho." Ela decidiu contar 
de uma vez, se sentindo segura ao lado de Mulder e de
Andrew.

Ele no havia escutado direito. Como? Quando? O que 
estava acontecendo aqui? Isso no estava acontecendo... 
ficando de p, Bill saiu pela porta, e Maggie foi atrs dele.

Mulder se ajoelhou ao lado de Scully, que tinha comeado 
a chorar levemente. Ele ficou preocupado com ela. Em seu 
estado, ela no devia lidar com tanta tenso. Olhando 
para Andrew, ele se virou para Scully, acariciando o 
cabelo dela. Andrew tambm estava ao lado dela, sondando 
sua mente, e a dor que viu l era muito pior do que qualquer 
ferimento que ela pudesse Ter. A dor por seu irmo no 
aceitar Mulder, o beb e a ele mesmo. Ele tambm ficou 
ali com ela, somente dando fora.

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Maggie estava cansada dessa confuso. Ela saiu atrs de 
Bill, e quando ele estava a ponto de sair pela porta da 
casa, ela o agarrou pelo brao. "Bill! Vem c!"

"Me solta, me." foi a resposta seca.

"Eu disse para voc vir aqui, e agora." a voz dela o 
lembrou do seu pior sargento. Bill se virou, relutante, 
ainda um pouco tonto pelo que havia presenciado e escutado.

Ele se deixou levar pela mo, e relutou quando foi 
colocado na direo da sala de onde ele havia acabado 
de sair. Sua me falou atrs dele. "Veja isto."

Olhando para dentro da sala, a viso que ele pegou foi 
uma das mais incrveis que ele j havia visto - aquilo 
era amor puro.

E dor compartilhada tambm.

Dana estava cercada pelos dois, Mulder e o tal de Andrew, 
e Bill podia ver a dor de 
sua irm. Mas ele podia ver os dois sofrendo por ela tambm. 
E ele mesmo sentiu um vazio dentro de si, pois mesmo casado, 
ele sentia falta de algo assim. Ele e Tara no estavam bem no
 casamento, fazendo o possvel para o casamento dar certo 
devido a Matthew. Momentos como esse, de conforto, de amor, 
eram raros, e era por isso que ele estava balanado por 
esta cena  sua frente.

"Bill?"  a voz suave de sua me interrompeu os seus 
pensamentos. "Venha c." 

Mais uma vez ele se deixou levar, e agora os dois estavam 
sentados no sof. "Deixe-me falar com voc um pouco."

"Me, no me pea algo que no posso aceitar, e nem entender."

"Me escute primeiro, e depois faa o que achar melhor." 
Margaret resumiu o que sabia sobre tudo isso, e depois de 
uns bons dez minutos, ela perguntou. "Ela est feliz, Bill. 
Ela tem mais pessoas que a amam, assim como ns a amamos 
tambm. E eles so da famlia agora."

Ele tremeu a cabea . "Me, em considerao a voc, eu vou 
suportar a presena deles aqui." Bill no ia dar o brao a 
torcer.

"E quanto a Dana?" 

"Ela  minha irm, eu gosto dela."

"Mas---"

" melhor eu guardar minha opinio para mim mesmo. Mas 
vamos dizer que eu posso passar alguns momentos de 
civilidade junto  com eles num jantar. Mas, e esse  
garoto?
Que histria  essa de filho?"

Maggie resumiu a histria que ela escutou de Scully, 
e lembrou Bill sobre Emilly,
vendo a raiva nos olhos de seu filho por isto estar 
acontecendo com sua irm
de novo.

"O menino no  culpado disso, Bill", Maggie falou, 
quase adivinhando os
pensamentos de Bill. "E nem Dana, e nem Fox. Todos eles 
so inocentes de tudo isso. Voc acha que qualquer um deles 
gostaria que as coisas fossem assim?
Sofrerem deliberadamente? E deixar seus entes queridos 
sofrerem tambm?"

Eles se viraram ao ouvir o som atrs deles. E viram Dana, 
entre os dois. Ela se
aproximou de Bill e parou de frente pra ele. Bill viu os 
olhos azuis de sua irm, a nica que tinha, e que se ele 
continuasse com essa atitude de negao, ele no poderia 
mais Ter. E, afinal de contas, ele iria embora dali mesmo... 
Ele decidiu deixar sua irm fazer suas prprias decises, 
e deixar cada um viver sua prpria vida,  e ele tentaria 
resgatar seu casamento com 
Tara. 

Quando ele estendeu os braos para ela, o alvio e 
surpresa que ele viu nela valeu cada pensamento 
anterior. E ele ficou grato ao abrao apertado que 
ela lhe devolveu. Fechando os olhos, ele envolveu o 
corpo pequeno dela nos braos, e sentiu a mo de sua 
me nas costas, o abraando tambm. E se sentiu amado.

Era tudo que precisava.

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Mulder e Andrew estavam sem palavras. A cena diante deles 
era incrvel! Momentos antes, parecia que tudo ia acabar 
em pancadaria, apesar do mal entendido, parecia que o final 
feliz estava vindo. Mas quando Bill libertou Scully, e se 
virou para eles, os dois ficaram tensos, preparados para 
qualquer ataque.

Bill no chegou ao extremo de sorrir para eles, mas uma 
mo foi estendida. Primeiro para Andrew - o rapaz no 
oferecia nenhuma ameaa - e depois para Mulder, que 
demorou para devolver o gesto. O pensamento desse homem 
magoar a prpria irm era demais para ele, que sempre 
quis sua irm de volta para amar. E Ter uma irm como 
Scully era o sonho
de qualquer irmo.

Mas, ele finalmente estendeu a mo, e logo depois ele 
ouviu Bill dizendo. "Cuide bem dela, Mulder. Ela  especial...."

Mulder sorriu, concordando, pela primeira vez, 
plenamente com o homem. "Pode deixar comigo."

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O jantar passou sem incidentes. A cortesia poderia 
at ser um pouco forada entre os homens, mas as 
mulheres agradeciam este momento de paz disfarada. 
De vez em quando, Mulder soltava umas piadinhas, 
sempre se dirigindo a Andrew como Andy, e ele estava 
ao lado de Maggie, com Scully do outro lado.

Se despedindo de todos - ele novamente apertou a 
mo de Bill brevemente, ele viu Scully se despedindo 
da famlia e juntos foram para o carro, se preparando 
para voltarem pra casa. Tudo parecia normal, tranquilo 
demais.

Quando chegaram em casa, Mulder e Scully se retiraram 
para dormir, depois de 
conversarem, junto com Andrew, sobre o que havia acontecido na
casa da me dela. 

Mulder a ajudou a se deitar, carinhoso,  e a envolveu nos braos.
Mas, durante a madrugada, ele nem percebeu que ela tinha se
soltado de seu aperto, pois ela estava se virando muito, inquieta.

Ele s acordou quando sentiu outra presena no quarto. Uma presena
bem intensa. 

Quando ele abriu os olhos, deu de cara com Andrew ao lado dele.

"Jesus Cristo! Que me matar do corao, Andy?"

Ele quase pulou da cama, mas parou a meio caminho, quando percebeu
que seu filho no estava olhando para ele, mas para Scully.

Mulder seguiu o olhar de Andrew, e ficou apavorado com o que viu:
ela estava sangrando pelo nariz! A camisa que ela estava usando, uma
das brancas que ele tinha desistido h muito tempo de pegar de volta,
estava um pouco manchada.

Mulder se endireitou, sentando-se e ligando o abajur, 
enquanto Andrew dava a volta pela cama e parava ao lado 
da me. "Scully?" ele perguntou, e no obteve resposta. 
Ele a sacudiu de leve, e ainda assim ela no acordou. 
Andrew j estava tomando o pulso dela, e contando as batidas, 
ele falou para seu pai. "Pega a bolsa mdica dela, pai."

Ele acenou com a cabea e foi pegar a dita bolsa. Voltando, 
ele viu que Andrew tinha tirado as cobertas e estava 
examinando Scully, a chamando de vez em quando, falando 
o que estava fazendo com ela. Mulder, apesar da preocupao 
intensa, estava aliviado de Ter o rapaz ali. Ele realmente 
parecia saber o que estava fazendo.

"Ela est com a respirao normal, o pulso tambm, e a 
presso est boa..." Andrew
falou enquanto Mulder limpava o sangue dela. 

"E por que ela no acorda?" ele queria ver os 
olhos azuis dela mais do que nunca.

Andrew olhou para seu pai, no sabendo como 
responder a isso. Sem dizer uma palavra, 
ele fitou sua me, e depois de algum tempo, 
ele colocou a mo atrs do pescoo dela. 

"O chip dela est queimando..."

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ANDREW 06
by Edna Barros
www.wfics.hpg.ig.com.br
ednabarros@uol.com.br

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<ME?!> <ME?!?!>

Estou gritando a plenos pulmes em minha mente, mesmo sabendo que 
ela no pode me escutar, mas confesso que estou nervoso. 

No. No nervoso. 

Apavorado.

No tanto quanto meu pai, que parece estar em outro mundo. Posso ler 
seus pensamentos frenticos a respeito de sua preocupao com minha 
me, e ele pode estar certo de que tem realmente com que se preocupar. 

O que estava acontecendo aqui no era simplesmente uma 
'esquentadinha' de chip. Eu no podia sentir nada, absolutamente nada na 
mente dela. Mesmo em estado de sono, ou inconsciente, o crebro 
humano ainda envia ondas que eu posso captar, sentir, ou receber, mas 
agora, neste momento, no estou sentindo nada. 

E  por isso que estou ficando apavorado!

Mas tenho que manter a calma. Se no por ela, pelo menos pelo meu pai. 
Pelo pouco que posso perceber, pois agora estou completamente 
concentrado no que est acontecendo com ela, os pensamentos 
dele esto desordenados, confusos, tristes, furiosos, desesperados, e eu 
no posso agora me afogar nisso tambm. Primeiro, as prioridades.

E o que  prioridade aqui  lev-la para um hospital, se bem que tenho 
certeza de que nenhum mdico ou equipamento tradicional v fazer 
alguma diferena nesta situao. E ao pensar nisso, meus prprios olhos 
se enchem de lgrimas.

Ela est flcida na cama, no-responsiva, e o chip est queimando. Se a 
levarmos para um hospital, eles podem insistir em tirar o chip, e neste 
momento, isto no  uma opo. Mas no temos outra. 

Eu olho para meu pai, que neste momento est chacoalhando minha me, 
tentando acord-la. Rapidamente eu o afasto dela.  bem difcil, pois ele 
no quer sair de perto dela, e quando eu vejo as lgrimas nos olhos dele, 
de puro desespero, eu quase sucumbo tambm.

"Pai, calma!!! Agindo assim no vai ajudar ela!" agora sou eu que o 
sacudo, com fora, e ele fica mais irado ainda. Quando ele est prestes a 
responder, o telefone toca. Nenhum de ns est disposto a sair do quarto, 
de perto dela, e deixamos a secretria pegar o recado.

E na hora que a voz fala,  como se meu pai tivesse virado pedra. Por um 
momento eu desvio minha ateno da situao da minha me e leio seus 
pensamentos. O que consigo entender me faz solt-lo, e dar um passo pra 
trs. Nunca vi tanto dio dentro de algum. Um dio assassino que faria 
algum assassinar a sangue frio.

Me acredite, eu vi assassinos com um olhar menos intenso do que esse.

"Ol, agente Mulder. H quanto tempo.... atenda o telefone se quiser 
salvar a agente Scully."

Meu pai me olha, e sua mensagem silenciosa me deixa orgulhoso e 
hesitante ao mesmo tempo.

Ele est confiando, pela primeira vez, minha me a mim.

<Cuide dela, Andrew. No a deixe sozinha nesse estado horrvel. Eu j 
volto.>

Acenando devagar, eu entendo, e ele sai pelo quarto, fechando a porta. 
Seus movimentos so lentos, estudados, precisos, como se armando para 
o que viria agora.

E eu no tenho certeza se quero saber.

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"O que voc quer, seu desgraado do inferno?!?!" ele praticamente grita 
ao telefone.

A voz do outro continua irnica. "Parece que voc est bem nervoso, 
agente Mulder."

"Chega de papo furado seu canalha!!! Do que  que voc est falando?"

"Bem, agente Mulder, posso lhe garantir, mesmo sem Ter escutas ou 
cmeras na sua casa, que eu sei que a agente Scully no est se 
sentindo muito bem. Eu acertei?"

"Seu @#$%#@" Mulder no conseguia encontrar uma outra maneira de 
extravasar o que estava sentindo. Se esse homem estivesse  sua 
frente, ele  o destriparia com as prprias mos.

"Eu vejo que voc no est em condies de ouvir nada, agente Mulder. 
Quando voc se acalmar, ns conversaremos."

E ento, o canceroso desligou. Mulder ficou com o telefone na mo, 
mudo, mas ainda fervendo de raiva. Ele ainda no tinha processado o que 
tinha escutado.

"Pai?" ele ouviu, muito de longe.

E s conseguiu agir quando viu Scully, enrolada num lenol, nos braos 
de Andrew. 

"Precisamos lev-la para o hospital. Agora!"

Ele correu at eles, e viu que Scully estava ainda mais plida, e 
inconsciente. 

"Ela no acordou?"

Andrew somente tremeu com a cabea. "Eu acredito que ela est em 
coma."

Se Mulder j no estivesse chorando, ele lamentaria ainda mais. E agora, 
ele somente balanava a cabea de um lado para o outro, de maneira 
imperceptiva, colocando uma mo sobre a cabea de Scully, que 
descansava no ombro de Andrew, e ficava repetindo: 
"nonononono..."

"PAI!" Era a terceira vez que Andrew gritava para Mulder. Parecia que 
ele havia estalado. Isso no podia estar acontecendo. Eles tinham que 
lev-la para o hospital, e agora!!!! 

Ao ouvir o grito, Mulder parou, olhando para Andrew, que, 
sem uma palavra, lhe passou Scully. Mulder a pegou facilmente, 
e Andrew praticamente empurrou o pai pela porta, pegando as 
chaves do carro no caminho.

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Numa repetio do dia em que Scully quase abortou, eles a 
colocaram no carro, s que dessa vez, foi Mulder quem ficou 
com ela no banco de trs. Num acordo no dito, Andrew se sentou 
atrs do volante, ligou o carro e saiu pela rua, se lembrando de 
todo o percurso que fizeram naquele dia.

Com movimentos precisos, e sem perder a velocidade, ele cortava 
os carros, parando nos sinais vermelhos. Enquanto paravam, ele 
olhava para trs, e observava como estava sua me. Nem um som. E nenhum
sinal de pensamento. E do seu pai, murmrios desesperados para tent-la 
faz-la acordar. 

Andrew chegou ao hospital na metade do tempo em que Mulder havia 
feito o mesmo percurso, e se preocupou em parar no local certo. Quando 
parou, imediatamente foi ajudar seu pai a tirar sua me do carro, ao 
mesmo tempo em que gritava, sem hesitao, para que uma maca fosse 
at ali. Seu conhecimento sobre procedimentos mdicos lhe fez saber que 
ordens eram ordens, e elas eram obedecidas, desde que ditas da maneira 
correta.

Enquanto ela era colocada sobre uma maca, e levada para dentro, 
Andrew colocou-os a par da situao delicada de Scully.

"Ela est grvida, e h um ms teve princpio de aborto."

"O que aconteceu dessa vez?" um mdico perguntou enquanto tirava o 
lenol e colocava o estetoscpio contra o peito dela. 

"Ns a encontramos na cama, inconsciente, sangrando muito pelo nariz. 
At agora, ela no recobrou a conscincia." Andrew falou, e o mdico 
comeou a dar ordens para seu staff, ordenando para que Andrew e 
Mulder, que no tinha sado de perto dela, ficassem esperando do lado de 
fora.

E mais uma vez, c estavam eles, esperando. Mas diferente da outra vez, 
agora Andrew estava preocupado. Ele no tinha conseguido ler nada na 
mente de sua me, e do pouco que conseguiu escutar dos mdicos, ele 
no gostou.

Olhando para Mulder, Andrew viu o quo devastado ele estava. Parecia 
que todas as suas foras haviam sido drenadas, e verdade fosse dita, ele 
tambm se sentia pssimo, sem foras, sem esperana. 

Andrew se aproximou dele, e colocou-lhe a mo no ombro. Mulder se 
virou de onde estava, olhando fixamente para as portas por onde tinham 
levado Scully, e olhou para Andrew. Ele estava se sentindo a pessoa mais 
intil em toda terra.

"Eu no posso perd-la, Andrew." a voz dele era quieta, baixa.

Ele acenou com a cabea. "Eu sei, pai. E nem eu."

Eles se abraaram, num aperto forte, tentando reunir foras para a longa 
espera naquela sala.

Toda a vida deles estava do outro lado daquelas portas.

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Agora, no corredor do hospital, enquanto esperavam notcias dos 
mdicos, os dois estavam quietos, ainda entorpecidos pela montanha 
russa de acontecimentos. 

Mulder pensava no casamento, na gravidez, no aparecimento do filho, no 
ataque  Scully, na discusso dela com a me, e agora, isto. Ele no 
acreditava que um ser humano comum pudesse aguentar tantas provaes 
quanto eles. Ele esperou Andrew retornar, pois havia pedido ao garoto 
para tentar saber o que estava acontecendo l dentro, enquanto lia as 
mentes dos mdicos. 

Quando ele voltou, a cara no era boa. 

"O que aconteceu, Andrew? Como ela est?"

Antes que ele pudesse falar, a porta se abriu, e um mdico saiu, a roupa 
cheia de sangue. Mulder avanou adiante, encontrando o mdico a meio 
caminho. 

"Doutor? Como ela est?" ele no queria perguntar, com medo da resposta.

"Ela est num estado precrio, num estado parecido com o do coma.
No sabemos o que originou isso, mas o que quer que seja, no  bom. 
Conseguimos estabiliz-la, mas ela no est respondendo a estmulos 
externos. Simplesmente parece no querer acordar!" 

<Ou no pode acordar> Andrew pensou.

O mdico parou, percebendo a dor que era expressada nos rostos 
destes homens  sua frente. "Ela  sua esposa?" ele se dirigiu ao mais velho.

Mulder acenou com a cabea. "Eu sou Fox Mulder, marido dela.
E sobre o beb?"

"No momento, o beb no corre nenhum risco e esperemos que continue 
assim..."

"Mas.... voc no sabe quando ela vai melhorar?" o desespero na voz dele 
era grande. O mdico percebeu isso, mas no tinha como dar falsas 
esperanas.

"Agora, neste momento, no podemos  afirmar nada. Esperemos que, no 
mnimo, ela  permanea estvel. Ns a estamos levando para um quarto, 
e apenas a famlia pode ficar l." o mdico disse isso olhando para 
Andrew. O rapaz no se intimidou. Ningum neste mundo o 
impediria de ficar perto dela. 

"Fizemos alguns testes para eliminar possveis diagnsticos, e vamos
aguardar os resultados." O mdico se desculpou. "Com licena, preciso 
me limpar. A enfermeira responder qualquer dvida que vocs ainda 
tenham, ou me chamar para responder o que ela no
souber. Ela vai avisa-los quando for possvel entrar no quarto." ele falou, 
e se virou para sair. Andrew estava a ponto de 
perguntar para seu pai o que ele gostaria de fazer agora, mesmo sendo 
bvio, mas uma voz o interrompeu.

"Bem, o que temos aqui, agente Mulder?"

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O frio que Mulder sentiu no tinha nada a ver com a temperatura do 
ambiente. Muito menos com os tremores de medo que ele estava sentindo 
por estar vivendo este pesadelo sem fim. Foi a voz que ouviu que o fez 
sentir este frio.

E sentir uma raiva assassina tambm.

Ele se virou, e encontrou seu nemesis de frente. Sem nem mesmo piscar, 
ele viu tudo na sua frente, e foi na direo do homem odioso. Mas foi 
impedido por Andrew.

"Pai! Aqui no!" Andrew respondeu, segurando com firmeza seu pai, e 
lendo seus pensamentos, ele quase o soltou. Sua fria para matar o 
homem  sua frente estava comeando a crescer tambm. 

"Parece que o garoto tem mais juzo que voc, agente Mulder..." ele 
falou, e deu uma boa tragada no cigarro que tinha nas mos, no ligando 
para o cartaz enorme de 'no fume' na parede. 

"Como voc sabe a meu respeito?" Andrew perguntou, mais em
considerao a seu pai, do que pra ele, que tinha comeado a ler
a mente do homem  sua frente. E quase se arrependendo por 
isso.

"Tem pouca coisa nesse mundo que eu no saiba, garoto." 

"Voc no  Deus." Andrew respondeu, e as palavras ditas por seu
pai o arrepiaram. 

"Ele  o diabo."

"Como sempre, agente Mulder, voc me leva muito em conta." ele
disse isso quase rindo, achando graa piada verdadeira de Mulder.
"Mas no se preocupe, garoto." ele se dirigiu para Andrew. "No
estou aqui por sua causa."

"O que voc quer?" Mulder quase cuspiu as palavras. Ele no queria 
aceitar nada dele, e no estava com a mnima pacincia para suportar sua 
cara de superior.

"Se voc no se acalmar, agente Mulder, no vamos poder conversar", o 
tom jocoso na voz do Canceroso fez Mulder ficar mais atento.

Respirando fundo, ele se acalmou, e Andrew o soltou. Mulder se virou 
para  olhar para ele, e quando viu o que havia nos olhos de seu filho, 
rapidamente pisou na frente dele. Ele no queria uma repetio do que 
tinha acontecido no bosque, se bem que a tentao de matar este bastardo 
era muito grande.

Ele quase deixou Andrew livre.

Quase.

Mas ainda havia Scully. O resto podia esperar.

"O que - voc - quer?" ele perguntou pausadamente, ainda cuspindo 
as palavras.

"Estou aqui pra ajudar, o que mais? Fiquei sabendo do problema da 
agente Scully, e sei o que aconteceu, e como ela pode ficar boa de novo."

"Voc tem algo a ver com isso, no tem? Como voc ficou saben-"
Mulder perguntou, mas Andrew j estava lendo a mente do homem
 sua frente, e j sabia a resposta.

"No tenho nada a ver com isso. Voc sabe que ela tem um chip,
e eu fui notificado de que ele estava mostrando disfunes, ou
funcionando mal, vamos dizer, e que estava prestes a entrar em
colapso. Ento, estou aqui para ajuda-la. "

"E por que?"

"Como eu j te disse uma vez, agente Mulder, eu gosto dela, e gosto
de voc tambm. Eu no sou o diabo que voc acha que eu sou."

"No. S um demnio que pede a alma em troca de favores." 

"Bem, estou aqui para ajudar. Aceita a ajuda?"

"O que voc tem em mente?"

"Na verdade, estou aqui apenas para lhe dar uma informao.
Mas preciso saber de uma coisa primeiro." ele se virou para Andrew,
que estava escutando, em silncio, toda a conversa. "Eu sei a seu 
respeito, garoto, mas nem tudo. Como voc mesmo disse, no sou
Deus. Mas sei da parte nobre do Sindicato e..."

"Voc sabia sobre ns?"

"Claro que sim!" ele riu. "Da mesma maneira que vocs tinham 
espies dentro do nosso lado, tambm tnhamos no seu. Mas tenho
que admitir que vocs dominam a arte dos segredos."

Andrew podia ver que esse fumante realmente no tinha idia 
completa do que ou quem ele era, e de como foi criado.

"Mas isso no nos incomodava. Se os aliengenas no esquentarem
a cabea com vocs, sem problema. Ns  que no amos nos
preocupar. Estamos com tudo ganho mesmo. E se vocs conseguirem 
encontrar uma maneira para sobreviver - eu disse sobreviver, e no 
resistir -  colonizao, melhor pra vocs." ele deu uma tragada no 
cigarro. "Ns j  estamos garantidos mesmo! Vocs que encontrem uma 
sada para a colonizao.."

"Voc  um egosta bastardo mesmo..." Andrew respondeu, e Mulder
concordou plenamente.

"Mas voltando ao assunto.... garoto? Voc por acaso tem um chip?"

Andrew acenou com  a cabea, um pouco confuso com a pergunta.

"E posso contar que ele  diferente do que est na Agente Scully, 
no ?"

Mais uma vez, Andrew concordou.

"Ento j posso dizer o que causou o mal funcionamento do chip
dela. A incompatibilidade dela com o seu." Ele olhou para ambos,
observando a reao dos dois. O que viu o deixou satisfeito. "Vocs
nem imaginavam que isso pudesse mata-la, no ? H quanto tempo
voc est com eles, garoto? Dois meses?  tempo suficiente para 
alterar e interferir na freqncia em que o chip da agente Scully
funciona. Ele  um dos primeiros. No tem a segurana dos ltimos.
E olha que ele ainda est substituindo o anterior...."

Mulder no estava surpreso pelo Canceroso saber de Andrew, que, alis, 
estava muito quieto.

"Voc sabe o que deve fazer, Andrew." 

Foi a primeira vez que o Canceroso tinha dito o nome dele, e at o fez
de maneira carinhosa, quase com pena. 

"Mas agente as conseqncias."

Mulder se virou, e viu Andrew se sentando, e quando se voltou para o 
Canceroso, o  homem j tinha ido embora.

E ele no gostou nem um pouco da cara de Andrew.

"Andrew? O que foi?"

Quando Andrew ia responder, eles foram interrompidos pela enfermeira.

"Vocs esto aqui para visitar Dana Scully? Ela j est no quarto dela."

Mudos, os dois seguiram a mulher.

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A enfermeira os havia deixado na porta do quarto, e se retirou. Nenhum
dos dois queria entrar, com medo do que encontrariam. Andrew mais do 
que nunca.

Ele se sentia culpado por isto estar acontecendo com sua me. Ele era 
o motivo dela estar ali, agora, quase em coma.

Mulder abriu a porta, e entrou no quarto escuro. Ele se virou, e viu 
que Andrew no tinha se movido. Ele estava realmente muito quieto.

Andrew deu  um passo adiante, e entrou. Observou seu pai indo para 
a cama da me, mas ele mesmo no teve coragem de olhar para a cama, 
somente para as costas de seu pai.

Minutos se passaram. Silncio opressor.

E s depois que Andrew viu seu pai se ajoelhando ao lado da cama, foi
que ele tomou coragem e foi para l tambm, ficando atrs dele. Mas ele
no se aproximou muito da cama, permanecendo onde estava.

Mas finalmente olhou para ela. E ofegou ao ver o quanto ela parecia 
frgil, quase quebrvel. Seu rosto estava plido, e
haviam sombras debaixo dos olhos, como se ela estivesse exausta. A
testa estava enrugada, como se ela estivesse em dor, e haviam vestgios
de sangue debaixo do nariz dela, e na roupa. 

Sem se deixar notar, ele saiu do quarto, e foi para o corredor, desabando 
no cho, chorando.

Ele ia ter que fazer isso. Para salv-la, ele se mataria.

Sem ningum saber.

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Respirando fundo, Andrew se levantou, e procurou um quarto 
desocupado. Ao ver um, ele entrou, e foi direto na bandeja de 
instrumentos,  pegando um bisturi afiado para fazer o que precisava.

Escondendo o instrumento na manga de sua jaqueta jeans, ele
foi na direo do banheiro, no sem antes pegar um bloco de
gaze e algodo.

Descendo o corredor, ele parou na porta do quarto dela, e viu
seu pai na mesma posio, chorando baixinho. Sua me ainda no
tinha se movido.

Mais decidido do que nunca, ele inchou o peito, e foi na direo
do banheiro.

Chegando l, viu que estava vazio. A essa hora da madrugada as 
coisas no eram muito movimentadas mesmo. 

Trancando a porta por dentro, sabendo que no ia demorar para 
concretizar sua inteno, ele foi para a pia, em frente ao espelho.

<Pense, Andrew. Pense> ele se falou.

Ele tinha lido os pensamentos do Canceroso,  e entendeu tudo que
precisava fazer. 

Era sua culpa ela estar aqui, neste hospital, sofrendo. De acordo com
aquele homem, os chips, dele e dela, de alguma maneira, eram 
incompatveis.

E pensando bem, fazia sentido: um lado do sindicato fez um chip para
o mal, para controlar e chantagear seu usurio, enquanto que o dele
no tinha essa funo.

Seus sinais de freqncia se chocavam. Era por isso que ele sentia
quando ela passava por alguma emoo, ou alterao fsica. Ele na
verdade estava sentindo eram os problemas do chip!

Sem nem mesmo hesitar, ele levou a mo at a ponta da orelha,
e sentiu o chip l, quase imperceptvel. Pegando o bisturi, ele
seguiu a mesma direo, e num nico movimento, ele retirou 
o chip.

Pegando a gaze, e o algodo, ele apertou tudo contra o ferimento,
pois sabia que a orelha sangrava muito, mesmo com um corte 
pequeno. Ele no queria mostrar para ningum o que tinha acontecido.

Andrew tremeu  vista do prprio sangue. Isso nunca tinha
acontecido com ele, e agora, ele se sentia indefeso. Mas se fazer
isso ajudaria sua me, ele aceitaria o fardo de bom grado.

Conseguindo estancar o sangue, ele jogou tudo no vaso, dando a
descarga. Ao voltar para a pia, ele viu o bisturi, e o chip na ponta
dele. 

Pegando o chip entre os dedos, ele forou um pouco, e o minsculo
chip se partiu em dois.

Agora no tinha mais retorno.

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Mulder parou de chorar, e olhou para Scully. Ela ainda estava imvel.
Ele segurou a mo dela, aproximando o rosto, murmurando em sua 
bochecha.

"Por favor, anjo. Melhore. No faa isso comigo. No me deixe. Voc
sabe que eu fico perdido sem voc ao meu lado..."

Ele colocou a outra mo sobre o estmago dela, sentindo seu beb ali.

"Ele tambm precisa de voc, Scully. Tanto quanto eu. E no se 
esquea de Andrew. Ele j depende de voc tanto quanto ns. Por 
favor, anjo, acorde. Por favor..."

Cheirando o perfume nico dela, Mulder implorou silenciosamente por 
um sinal  de que ela o havia ouvido.

Mas nada aconteceu.

Ele esperou mais um pouco, esperanoso.

Nada.

Chorando em silncio, tirando o cabelo ruivo do rosto dela, ele se 
aproximou para beijar-lhe os lbios e ficar em viglia o tempo que
fosse necessrio.

Quando estava prestes a faze-lo, ele notou que seus olhos estavam
se mexendo, e Mulder gelou onde estava.

"Scully?" a voz era apenas um murmrio.

"Hmm..." a resposta foi mais suave ainda.

Comeando a sorrir, Mulder chamou-a de novo, e quase deu um pulo
de alegra ao ouvir a resposta dela.

"Mulder?" ela falou, mas sem abrir os olhos.

"Sim, meu anjo?" Mulder manteve o rosto perto do dela, para no
perder a proximidade, como tambm para escuta-la. Ele esticou 
um brao e apertou o boto de emergncia.

"O beb..." ela murmurou, enrugando a testa.

"Shhh... no se preocupe. O beb est bem, Scully. Voc  o 
beb que precisa melhorar aqui..." ele falou de propsito, pois sabia
que ela torcia o nariz para os nomes carinhosos que ele insistia em 
chama-la.

E deu certo. Ela conseguiu dar um meio sorriso.

"No sou beb..." ela deu um aperto na mo dele, e abriu os olhos
s para encontrar olhos aliviados e contentes, olhando avidamente
para ela.

"Voc  o meu beb" ele sussurrou, e ouviu a porta do quarto se
abrindo, e num instante ele estava sendo afastado pelas enfermeiras,
enquanto os mdicos assumiam.

"O que aconteceu?" O mdico que tinha falado com ele antes
perguntou, surpreso. No esperava uma recuperao to rpida. Os
testes nem mesmo haviam sido concludos!

"Eu no sei!" Mulder disse, contente. "Ela simplesmente acordou."

"Tudo bem, sr. Mulder. O senhor poderia sair por um momento
enquanto a examinamos?" o mdico no esperou resposta. Somente
acenou para uma das enfermeiras, que o levou para fora do quarto.

Mas ele conseguiu ouvi-la chamando. "Andrew?"

Mulder se virou, da porta, e respondeu.

"Vou traze-lo pra voc. Fique acordada!" ele gritou, e saiu, 
agora ansioso para encontrar Andrew e dar as boas notcias.

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Andrew voltava pelo corredor, quando viu uma comoo na direo
do quarto da me. Por mais estranho que pudesse parecer, ele comeou
a sentir algo dentro de si, diferente de tudo, e sabia que era relacionado
com ela. Andando mais rpido, praticamente correndo, ele se aproximou
do quarto.

E viu seu pai saindo de l, o rosto aliviado. E ele mesmo sentiu alvio
a isso.

Tinha feito a coisa certa.

Ao sair de perto dela, e destruir o prprio chip, ele devia ter parado 
a interferncia sobre o chip dela, deixando-o funcionar corretamente.
E mesmo sem Mulder falar, Andrew j sabia que ela tinha acordado.

E ficou maravilhado ao sentir isso! Ele podia sentir os pensamentos
de sua me, e que ela estava se sentindo melhor.

Ento... o que fazia o chip?

Andrew no pde pensar nisso, pois logo Mulder o alcanou.

"Andrew!!! Voc no vai acreditar, filho! Sua me! Ela acordou!!!
Os mdicos esto l com ela e ela perguntou sobre o beb e depois 
sobre voc e ento eu te vi e ----"

Andrew riu, e bateu a mo no ombro do pai. "Ei! Calma, pai! V
mais devagar". ele disse, mas entendia a euforia do pai. Ele estava
por demais aliviado ao sentir que ela ia ficar melhor, e que no ia 
morrer. E ele tambm. "O que aconteceu?"

"Eu estava l pedindo para ela acordar e ela... acordou! No  
maravilhoso?"

Ele deu um sorriso triste. No por causa dela, pois saber que ela
ficaria bem de maneira nenhuma era triste. Ele estava assim por
achar que no ficaria com eles por muito tempo.

"Andy? O que foi, filho?" Mulder perguntou, sem compreender
a atitude do filho. Ele adorava Scully! Saber que ela ficaria 
bem deveria deixa-lo nas alturas, assim como ele.

Mas no era isso que estava acontecendo. Ele estava meio
pra baixo, meio lento... Aliviado, era verdade, mas no to 
jubiloso quanto achou que deveria. "Andrew? Voc no me respondeu."

Erguendo a cabea, pai e filho se olharam. E mesmo no tendo passado
anos junto com ele, Mulder pde reconhecer no olhar to parecido com o
dele a mesma expresso que ele dava para Scully quando alguma coisa
muito errada tinha acontecido, ou que ia acontecer.

Fosse qualquer uma das opes, no era boa.

"Andrew?" ele insistiu.

Andrew forou um sorriso, e quando ia responder, eles foram novamente
interrompidos pelo mdico.

Santo mdico.

"Sr. Mulder?" o mdico chamou, e Mulder se virou para atende-lo.

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Scully estava calma. Tranqila. Nem mesmo houve tempo dela
perceber o que tinha acontecido com ela. Ela apenas se lembrava
de ter ido dormir com Mulder, depois do jantar, que no foi to ruim
quanto ela pensava que fosse, e de acordar aqui, no hospital, ouvindo
Mulder chama-la de anjo e de beb.

Ela gostava de ser chamada assim, mas reclamava, s porque sabia
que isso o faria continuar dizendo essas palavras carinhosas, s
por insistncia.

Claro que a preocupao de estar aqui a invadiu no momento em
que os mdicos comearam a picar e cutuc-la, fazendo-lhe
perguntas que ela no sabia como responder, s que estava se sentindo
bem, que no sentia nada de errado, e aproveitando, ela perguntou
sobre o beb, e se acalmou quando recebeu as notcias de que nada
acontecera a ele.

Agora, ela esperava a volta de Mulder, e de Andrew, imaginando
o susto que eles deveriam ter passado ao traze-la completamente
inconsciente at o hospital.

Mas agora, tudo ia ficar bem.

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Depois que o mdico explicou a eles que estava tudo bem com
Scully, Mulder ficou mais do que aliviado, mas ainda confuso com
tudo que havia acontecido.

Por que o canceroso havia ido at ali? Que tipo de informao
ele havia dado? E por que Andrew estava to quieto? 

Ele se virou para o garoto, que mesmo depois de saber das notcias
de que sua me ia ficar boa, no havia mostrado o mesmo alvio
que o dele. Alegria, sim, mas havia um tom de tristeza nele que estava
preocupando Mulder. 

Ele estava dividido, mas neste momento, sua prioridade era Scully,
e ir para ela o mais rpido possvel. Mas ele no ia deixar Andrew
escapar.

"Andrew?"

"Que  pai?" o rapaz olhou para ele, resoluto. Mulder suspirou. J 
conhecia o filho muito bem para saber que ele havia puxado um lado
de Scully que ele no gostava nem um pouco: de esconder o que
estava sentindo. 

"No sei o que est acontecendo, e do porque voc est agindo assim,
mas agora, no vamos falar sobre isso. Sua me est l dentro, se
recuperando, e ela no precisa de nenhuma preocupao
neste momento. Mas o que quer que seja que est te deixando com
essa cara, trate de no deixar ela perceber, e assim que ela dormir,
ns vamos conversar, ok,filho?"

Andrew balanou a cabea, e parte dele estava contente por saber que
ainda podia ler os pensamentos dos outros. Estava to acostumado
a ter isso, que achou que a falta dessa capacidade o deixaria intil. 
Ainda bem que nada acontecera. 

"S mais uma coisa: no conte para sua me que o Canceroso
esteve aqui. Quando chegarmos em casa, eu conto pra ela, certo?"

Reconhecendo que seu pai tinha razo, ele decidiu parar de pensar 
sobre o chip que havia retirado, e foi, junto com ele, para o quarto 
da me, ansioso para v-la acordada, principalmente depois do susto
que teve quando a viu desmaiada e cheia de sangue.

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Scully sorriu ao ver Mulder e Andrew entrando no quarto. Seus olhos
se encheram de lgrimas ao ver a preocupao no rosto de seu marido,
e de seu filho. Ela chamou por Andrew, que rapidamente veio para seu
lado, se ajoelhando ao lado da cama.

Ele estava um pouco estranho, um pouco distante, mas Scully achou que 
isso era resultado do stress que todos tinham passado nas ltimas horas.
Apreciando o abrao de Andrew, ela conversou com ele, querendo 
ouvir a sua voz.

"O que foi, Andrew? Voc est to estranho..." ela enrugou a 
sobrancelha, e Mulder refletiu sua expresso, olhando para as costas
de Andrew. 

Ele se aconchegou nos braos dela, enfiando o rosto no pescoo macio.
"Eu... fiquei com medo, me. Tanto medo..."

Scully olhou para Mulder, que balanou os ombros, lhe mostrando
que no sabia o que estava acontecendo tambm. Ele se aproximou
e colocou uma mo sobre o ombro do rapaz. 

"Andy? Est tudo bem agora. Sua me vai ficar bem."

Andrew se controlou, pois no queria que nenhum deles percebesse
o machucado em sua orelha. No havia motivos para fazer sua me
passar por mais esta preocupao. Mesmo no sabendo o que o chip
fazia, pois pelo que ele sabia, o chip controlava suas ondas cerebrais,
permitindo que ele lesse mentes, e agora que o chip havia sido 
destrudo, teoricamente ele no leria mais a mente de ningum, mas
no era isso que estava acontecendo. 

Ele no sabia agora a funo do chip, mas estava um pouco
preocupado no que poderia ser.

Mas agora, ele deixou isso de lado, s querendo que sua me 
melhorasse. Pelos pensamentos dela, ela estava comeando a ficar
angustiada com seu silncio, ento Andrew comeou a conversar
com ela, desviando sua ateno.

Para o momento, deu certo.

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Mulder estacionou na frente da nova casa deles, uma casa de dois 
andares em Georgetown mesmo. Tinha trs quartos, uma ampla 
cozinha, varanda, sala de estar e de jantar, uma sala de estudos, 
e um grande quintal nos fundos. 

Foi Mulder quem escolheu a casa. Ele deu de presente para Scully,
sabendo que ela gostava de morar em Georgetown, e com a criana
a caminho, ela no poderia ficar andando pra l e pra c, procurando
uma casa, pois a ansiedade de sua pequena esposa no passou 
desapercebido dele. 

Mulder sorriu. Ela estava muito, mas muito incomodada por Andrew
ficar dormindo no sof, no tendo um lugar para colocar suas coisas,
deixando-as empilhadas num canto, ou numa gaveta apertada no 
banheiro. Isso a estava deixando aflita, e Mulder decidiu acabar logo
com isso.

Ele escolheu a casa com carinho, achando que ela gostaria, mas pensou
que se ela no gostasse, ele veria outra. E outra, e outra, at encontrar
uma que a agradasse.

Graas a Deus ele acertou em cheio.

Dois dias depois da sada do hospital, Mulder estava chegando do 
trabalho, onde entregou o pedido de licena especial de Scully, que
no ia mais trabalhar at que o beb chegasse, e depois ela ia tirar
a licena maternidade. Ela no ia receber nada durante o tempo da 
licena, mas ele no estava preocupado. A herana da famlia dele
podia sustenta-los pelo resto da vida. Ele no era um milionrio,
mas podia comprar uma casinha de vez em quando.

Colocando o carro na garagem, ele saiu e entrou na varanda, pegando
as chaves para abrir a porta. Assim que o fez, ele escutou vozes
no andar de cima. 

"Me, pra com isso! Voc sabe que no pode carregar peso! Deixa que eu
pego!"

"Andrew, voc  pior que o seu pai. No sou uma invlida! Posso muito
bem carregar esta caixa para o outro quarto."

"No vou deixar. Agora, senta a direitinho e s diga onde voc quer
que eu coloque as coisas, ok? Eu posso fazer isso, por favor? Nunca
me mudei antes!  to legal..."

Mulder escutou a resposta de Scully e sorriu. Ele tinha arrumado 
um bom companheiro para proteger Scully de qualquer coisa, mesmo
que isso inclusse no levantar pesos durante a gravidez. 

Andrew sabia controla-la como ningum, at mesmo melhor do que
ele. Parecia que Scully queria fazer de tudo para o rapaz se sentir
amado, mas de vez em quando ela lhe dava um bom puxo de orelhas,
pois ao que parecia, Andrew tinha herdado de Mulder a capacidade
de bagunar um quarto e um armrio na velocidade da luz.

Subindo as escadas, ele ouviu uma expresso de dor.

"Ai!"

"Andrew! Cuidado com isso a, querido. Deixa eu te ajudar a pegar
as coisas no cho..."

"Pera, me, no pisa a..."

"Ai"

Ao ouvir o som de dor dela, Mulder subiu as escadas correndo, 
indo na direo da sute, e entrando no quarto, ele parou  
viso diante de si: Haviam centenas de caixas no cho, e no
meio delas, perdidos, estavam Andrew e Scully, que estava sentada
na cama, tentando se ajeitar da maneira mais confortvel que sua 
enorme barriga de sete meses permitia. 

Andrew estava olhando para ela, sondando para ver se ela estava
escondendo alguma dor, e ao que parecia, no havia nada, pois
o rapaz ficou tranqilo. Ele se virou para a porta, sentindo, desde o
momento em que seu pai entrou na casa, os pensamentos dele
mais perto.

"Mas que baguna  esta aqui?" Ele perguntou, brincando, indo
na direo de Andrew. "Como voc est, Andy? Sua me est te
dando muito trabalho?" ele perguntou, e no esperando resposta,
indo para Scully, que estava sorrindo ao ver a cena to carinhosa
diante de si.

"Voc nem imagina o quanto, pai. Ela no pra, e nem deixa 
a gente ajudar. Tenho certeza de que se eu no estivesse aqui, ela
teria feito tudo sozinha, sem se preocupar com ela mesma."
A voz de Andrew era reclamona, e Mulder sorriu ao ouvi-la. Ele
se sentia assim sempre que Scully insistia em fazer as coisas sozinha.

"Ei! Eu ainda estou aqui", Scully falou, tambm reclamando, e
Mulder levantou as mos para os cus, num gesto de 'Deus me 
ajude'. 

Ele se sentou ao lado dela, e a beijou nos lbios. "Eu sei que voc
est aqui. Fica difcil no ver esta barriga do outro lado da cidade."
Ele brincou, colocando uma mo sobre a enorme barriga, sentindo 
um pontap. "Nossa! Estamos agitados hoje, no ?"

Ela sorriu, e colocou a mo dela sobre a dele. "Ele no me deixa
descansar, Mulder. Acho que vai puxar a voc. E ao Andrew tambm."
Scully olhou para Andrew, que sorria para seus pais. 

"Bem, me, j que o papai chegou para tomar conta de voc..." ele
sorriu, sabendo como ela reagiria ao ouvir isso. Ele j estava fazendo
de propsito.

"Ei, pode parar por a. Vocs dois nunca vo passar dessa fase?"
ela colocou as mos na cintura, e Mulder a abraou. 

"De jeito nenhum, Scully. Voc cuida de ns, da casa, do beb, e ns 
cuidamos de voc.  s justia." Ele falou, cheirando o cabelo dela.

Ela bateu no ombro dele, o afastando. "Primeiro: eu no cuido da
casa - como se vocs me deixassem fazer alguma coisa. Eu at
pareo um ladro roubando as minhas prprias roupas s para 
pode ter a chance de lava-las! Daqui a pouco no vou nem poder
lavar minha roupa ntima."

Mulder olhou para ela, pensando numa coisa. "Eu adoraria 
fazer isso pra voc." ele disse, num som grave, balanando as
sobrancelhas.

"Opa... estamos indo para um lado perigoso e que definitivamente
no so para os meus olhos, nem ouvidos, e mente..." Andrew falou, 
rindo, e saiu do quarto. Ele gostava de ver o carinho que seus 
pais tinham um para o outro. Mas ele tambm aproveitou para sair 
pois estava sentindo um formigamento j familiar nas mos, 
e no queria que sua  me percebesse.

Ele estava escondendo esses sintomas dela desde que havia retirado
o chip no hospital. No que ele tivesse reparado no comeo, mas
o constante formigar e as mos e ps frios dele estavam comeando a
ficar piores. Ele no tinha idia do que podia estar causando isso, uma
vez que ele nunca ficou doente. Ele tinha vrios diagnsticos em
mente, mas nenhum deles ficava apenas em mos e ps frios, 
desenvolvendo outros sintomas para poderem ser diagnosticados.

Indo para seu quarto, ele tomou banho e se preparou para fazer a janta.
Ou pelo menos tentar. 

Era verdade o que ela havia dito. Eles nunca a deixavam fazer nada, 
ainda mais quando era bvio o desconforto dela ao andar, e se abaixar,
levantar da cama ou de uma cadeira. Aquela barriga estava enorme, e
ela no havia ganho quase peso nenhum, preocupando seu mdico.
Mas, fora isso, ela estava bem. E Andrew podia ler a mente dela 
para saber que ela estava realmente bem.

Eles tinham se mudado h uma semana. E agora, estavam acabando
de colocar tudo no lugar. S faltavam poucas caixas - justamente
a que estavam na sute. Mas agora, era com seu pai - ele que tentasse
persuadir sua me de ficar quieta e tentar descansar - mas de alguma
maneira, Andrew sabia que isso no ia acontecer. Sua av at enviou
algum para vir duas vezes por semana dar faxina na casa, e sua me
aceitou, mas mesmo assim, ela ainda teimava em fazer alguma coisa.

Ela estava ansiosa, e isso todos podiam ver. Ainda mais agora que
ela estava de licena mdica no fim da gravidez. Mas ele sabia que
sua me no voltaria a trabalhar no FBI. Havia muita coisa em risco,
e Mulder no queria correr mais riscos do que o necessrio. Eles
tinham uma boa renda devido a herana da famlia dele, e Mulder
j havia resolvido que no continuaria nos Arquivos X.

Sob os protestos de Scully, ele a convenceu de que seria melhor
assim. Suas prioridades eram outras agora: ela, o beb, e Andrew.
Ele tinha que viver a sua vida, e no a de Samantha, antes que fosse
tarde demais.

Claro que se aparecesse alguma coisa referente ao rapto dela, ele
iria verificar. Mas agora, era Scully que precisava dele, e ele
faria de tudo para no decepciona-la.

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De noite, Andrew acordou, sentindo as mos como gelo. Ele as
passou pelo rosto, s para se certificar de que elas estavam horrivelmente
geladas. E formigando. 

Depois disso, ele notou que seus ps tambm estavam gelados.

Se levantando da cama, ele foi para o armrio, e tirou as luvas 
que ele havia trazido de seu tempo na Antrtida. Ajudou um
pouco, mas ele estava comeando a se sentir meio nauseado e tonto.

Vendo que no estava se sentindo melhor, ele foi na direo da
sute, e bateu na porta, lendo os pensamentos do que acontecia l
dentro. Nada. S nuvens e nuvens, indicando que os dois estavam
dormindo.

Abrindo a porta, ele foi na direo da cama, do lado de sua me,
s para v-la dormindo de lado, com o pai dele abraando-a por
trs. Ele cutucou o brao de Mulder, o suficiente para acorda-lo.

"Hmm?" Mulder murmurou, logo abrindo os olhos. Ele viu Andrew
na frente dele. "O que foi, Andy?" ele murmurou, no querendo 
acordar Scully.

"No estou me sentindo bem..." ele respondeu, e se ajoelhou na frente
de Scully.

Mulder se ergueu rapidamente, vendo que seu filho, que dizia ele mesmo
ser mdico, realmente no estava passando bem. Ele cutucou Scully,
a fazendo acordar, suave.

"Scully? Querida? Acorde, meu bem...." ele falou na orelha dela,
vendo Andrew se curvar mais ainda. Mulder comeou a ficar
preocupado.

"H?" ela acordou um pouco desorientada, olhando para trs, vendo
Mulder. "O que foi, Mulder?"

" Andrew. Ele no est passando bem." ele falou, ajudando-a a
se sentar, e depois saiu da cama, indo na direo de seu filho. "Andrew? 
Voc pode me ouvir?"

Ele balanou a cabea, e olhou para Scully. "Andrew, meu bem. O que
foi?" Scully falou, acendendo a luz do abajur, logo anotando 
mentalmente as atitudes de Andrew. Ele estava suando um pouco, 
e estava com os braos cruzados sobre o peito, as mos debaixo dos
braos. 

"Estou um pouco tonto, e estou com frio." ele falou, e se aproximou
da cama, encostando a cabea contra  a coxa dela. Scully levou uma
mo sobre a cabea dele, acariciando seu cabelo. Com a outra, ela
verificou a testa. 

"Voc no est com febre." ela falou. "Que mais voc est sentindo?"

A esta altura, Mulder estava ajoelhado ao lado dele, tentando dar algum
apoio. Ao pegar na mo dele, ele exclamou. "Nossa! Scully, as mos dele 
esto como gelo."

"Deixe-me ver, Andrew..." ela falou, carinhosa, e Andrew estendeu
a mo pra ela, ainda com a cabea apoiada em sua coxa. Era tudo que
ele precisava por enquanto. O carinho e cuidado dela.

Scully sentiu a mo dele fria, e comeou a fricciona-la. "Mulder,
pega um copo de gua pra ele." 

Mulder se levantou e saiu para a cozinha, deixando-os sozinho.

"Andrew? Suba aqui, meu filho." Ela no queria v-lo assim, 
ajoelhado. Parecia... errado. 

Andrew escalou a cama, deitando ao lado dela, sentindo a maciez
dos lenis, e o calor da cama. Era muito bom sentir esse calor. 
Ele imediatamente se sentiu melhor, e caiu em sono.

Quando Mulder voltou para o quarto, ele viu Andrew deitado na
cama deles, ao lado de Scully. Ela olhou para ele, e falou.

"Vamos deixa-lo dormir um pouco aqui, Mulder. A cama  grande."
ela falou num tom de voz pequeno, com medo do que Mulder 
diria.

Por parte dele, ele no via problema. A cama era bem grande, e
Mulder se aproximou de Andrew, preocupado com o gelo nas mos
dele. O garoto tinha virado de bruos, as mos debaixo do peito,
e Mulder pegou uma das mos dele, enquanto Scully ainda estava
com a mo na testa. 

A mo dele estava ligeiramente melhor. 

"Ele no est com febre, Mulder. Acho que s teve algum pesadelo."

Isso ele conhecia bem. Sabendo que Scully no dormiria se Andrew
estivesse no outro dele, ele se resignou. Mas antes, providncias.

Ele a tirou da cama, e ajeitou as cobertas sobre Andrew, que dormia
um sono muito bom. Ele sentou Scully sobre as cobertas, e ele mesmo
deu a volta na cama, tambm se deitando sobre as cobertas, 
imprensando Andrew no meio deles, o aquecendo o mximo possvel.

Mulder puxou o edredon sobre todos os trs, e Scully se virou de lado,
de frente para eles, e Mulder fez o mesmo. Ambos ficaram vigiando 
o sono de Andrew, que, mais do que nunca, se sentia seguro e amado.

Afinal de contas, ele ainda era um beb para seus pais.

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O incidente foi esquecido. Na manh seguinte, Andrew dormiu direto
na cama dos pais, que se levantaram cedo. Ambos checaram as mos de
Andrew, e viram que elas estavam normais. 

No fim do caf, eles estavam na cozinha, quando  o viram.

"Ei, meu bem. Como voc est?" Scully perguntou para ele.

Andrew torceu o rosto, ainda sonolento, e respondeu, contente.
"Melhor do que nunca."

Mulder sorriu a isso, aliviado. "Ento venha, e coma logo, antes
que sua me coma tudo!" ele falou, e viu um po voando bem na 
cara dele. Ele pegou o po antes que ele casse no cho. "Scully...
no  educado brincar com a comida. Olha o exemplo que voc
est dando para Andrew!" ele disse, horrorizado.

"O que eu vou fazer com voc, Mulder?" ela falou, resignada.
Ele nunca ia aprender... e era por isso que ela o amava.

"Tenho que ir, meu bem. Voc fica a, tomando conta do jnior,
enquanto o homem da casa vai trabalhar." ele falou, e ouviu o
bufo de sua esposa. "Ei!!! Estou falando srio!" Mulder falou,
num tom ofendido.

Andrew sorriu, fazendo seu caf, e ouviu a voz de Scully.
"Tudo bem, homem da casa. V trabalhar e traga um tigre
dente de sabre para podermos comer, ok? Mas, antes,
me ajude a ficar de p, que eu preciso ir no banheiro."

"De no--?" Mulder falou, mas parou diante do olhar dela. 
"Claro, querida", ele respondeu, a ajudando, enquanto Andrew
ria ao longe.

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ANDREW 07/09
By Edna Barros

ednabarros@uol.com.br
www.wfics.hpg.com.br

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"Eu vou morrer!" 

Andrew escutou seu pai gritando isso ao mesmo tempo em que desabava
no banco ao seu lado, no shopping. E sorriu. Ele tambm ia morrer.

Ele no conseguia imaginar de onde sua me tirava tanta energia.
Eles estavam aqui no shopping o dia inteiro, comprando coisas para o
beb, antes que Scully no pudesse fazer mais nada, e ela ainda estava
andando pelas lojas, com sua av, enquanto ele e Mulder estava 
sentados, cheios de bolsas, fora as que iam para a casa deles depois.

Ele se lembrou muito bem do dilogo de seus pais na sala, no dia 
anterior. Scully estava triste o dia inteiro, mas nao dizia o
motivo, e no deixou Andrew ler a mente dela. Mas o rapaz no
suportaria ficar vendo ela chorar o dia inteiro, e lendo sua
mente, entendeu o que ela queria. 

Andrew saiu, e uma hora depois, voltava com um enorme catlogo
de coisas para beb. Depois de tantas coisas acontecendo ao
mesmo tempo, nenhum deles tinha pensado no beb, e nas compras
que eles precisavam fazer. O quarto separado para a chegada do
mais novo membro da famlia Mulder j estava pintado, pronto
para decorao, mas ainda vazio.

Depois que ela viu o catlogo, Andrew viu que tinha acertado.
Com os olhos brilhando, ela se sentou no sof, com a energia
renovada, ao mesmo tempo em que Mulder chegou em casa, e 
bateu no ombro de Andrew, "Oi Andy" e foi na direo de
Scully, fazendo biquinho para beija-la, mas ela, toda afoita,
quase bateu o catlogo no rosto dele.

"Olha s, Mulder!! Olha s que coisas lindas!!!!"

Quase com medo de chegar mais perto e perder um olho por causa
daquele catlogo, Mulder sorriu para a excitao bvia de sua 
esposa. Ela estava maravilhosa, toda redondinha, olhos brilhando,
e sorrindo para ele. Era o cu.

"O que  lindo, Scully? Alm de voc, claro." ele disse, 
galante, e recebeu um rodar de olhos tanto de Andrew quanto
de Scully.

"Pai, voc est precisando de novas frases", Andrew falou, sorrindo, indo
para a cozinha pegar um copo de gua.

Mulder nem se importou em responder. Sua ateno estava sobre
Scully, que no parava de exclamar 'ohhhhh, que coisa linda',
'e isso aqui?', 'temos que comprar isso para o beb, Mulder',
e por a vai.

Mulder s acenava com a cabea, querendo fazer de tudo para ela
se sentir bem. Ele estava concordando com tudo.

"Podemos comprar esse?"

"Claro, Scully".

"E esse?"

"Tudo que voc quiser, meu bem", ele falava, esfregando a mo
sobre a barriga redonda dela.

"Voc gosta de verde, Mulder? Podemos comprar o bero dessa
cor."

"Claro que sim". 

"Ento vamos fazer compras amanh. Vou ligar para minha me!
Andrew, me ajude aqui, sim?" ela disse, entusiasmada, estendendo
as mos para Andrew, no notando que Mulder estava falando.

"No podemos comprar isso pelo telefone?" Mulder perguntou, e 
na mesma hora viu que tinha sido uma pergunta errada. Scully
o encarou, estupefata.

"Claro que no, Mulder! No vou escolher as roupinhas para o nosso
beb sem ver pessoalmente. At parece que voc no quer 
o melhor para nosso filho."

"Claro que quero, Scully. E voc sabe disso. Mas estou preocupado
mais sobre voc ficar andando para l e para c, aos sete meses
de gravidez, alm disso, voc no pode --- ele comeou, mas parou quando
ela se apoiou em Andrew para se curvar um pouco e beijar Mulder
na boca, fazendo ele parar de falar.

"Voc  maravilhoso, Mulder." ela disse, indo para o 
telefone na cozinha.

Mulder ficou quieto, olhando-a sair andando igual uma patinha,
e depois, se virou para Andrew, que olhava o teto, disfarando.

"De onde apareceu aquele monstro de catlogo?" Mulder perguntou,
olhando para Andrew, que ainda tentava obviamente disfarar alguma
coisa. "Andrew?"

"H? Eu?" ele se fez de desentendido.

"Sim, voc mesmo! Tenho certeza de que foi idia sua!" ele
falou, se levantando do sof. "Agora ela vai nos arrastar o dia inteiro
dentro de um shopping - no, de vrios shoppings s para 
comprar as coisas para o beb. Eu no vou agentar isso e..."

Mulder nem notou que Andrew tinha ficado quieto, dando-lhe olhares
cheios de mensagens, mas Mulder continuava reclamando.

" o inferno! Voc nem imagina como  fazer compras nesta poca do
ano, perto do natal e..." ele ficou quieto ao ver a cara de desespero 
de Andrew, que j estava
com o dedo na garganta, fazendo um claro gesto para ele calar a boca.

Mulder se virou, e viu Scully parada, na porta da cozinha. Os olhos dela
brilhavam, e no eram de felicidade.

"Scully..." ele falou, estendendo a mo.

S que ela no falou nada, apenas balanando a cabea, e foi na direo
das escadas, no querendo falar nada com Mulder agora. Ela bem que tentou
ser rpida, mas com aquela enorme barriga, ela s conseguiu gingar mais
ainda.

Seria engraado se no fosse trgico.

Andrew tinha visto isto antes de todos. E foi por isso que ele conseguiu
evitar um fim igualmente trgico.

Scully, na sua vontade de no querer falar com Mulder, saiu andando o
mais rpido que podia, mas no viu a ponta do tapete solta ao p da estante.
A se dirigir para l, ela tropeou, comeando a desabar de frente para o
cho. Ela estendeu os braos, mas no conseguiria evitar de bater a
barriga em cheio no cho duro.

"SCULLY!!!!"  ela ouviu Mulder gritando.

Ela fechou os olhos, se preparando para o impacto, e sentiu quando sua
queda foi interrompida. Por um momento, houve silncio. Logo depois,
ela sentiu outro par de mos ajudando-a a se deitar no cho. 

"Scully? Voc est bem? Fale comigo..." era a voz de Mulder, desesperada.
"Juro que vou onde voc quiser, carrego o que voc quiser, fao o que
voc quiser..." ele ficou prometendo, e Scully, vendo que s havia sido
um susto, sorriu para tranqiliza-lo.

Andrew tambm sorriu ao ver o que ela tinha em mente.

"Vai comprar tudo que eu quero tambm?" ela abriu os olhos,
sorrindo, e Mulder suspirou, aliviado.

Ele balanou a cabea. "Voc no tem jeito mesmo, baixinha."
E abraou apertado, beijando-a nos lbios.

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E Andrew agora estava se lembrando disso, feliz por estar aqui, com
eles. Como uma famlia. Olhando para frente, ele viu uma drogaria, 
e se levantou.

Tinha feito uma pesquisa, em casa, enquanto seu pai estava no 
trabalho, e sua me na casa da av, e ele havia consultado seus arquivos
confidenciais no site oculto do Sindicato. Ele sabia que ainda haviam
unidades laboratoriais em funcionamento, mas no sabia onde. Mas tinha
uma senha de acesso para os arquivos de pesquisa, e foi l que ele
descobriu o que poderia estar acontecendo com ele.

Nada era certo. Devido ao chip ser experimental, a retirada dele ainda
no havia sido testada. Mas agora, infelizmente, ele tinha uma idia
do que poderia ser. 

E os resultados no  eram bons para ele.

"Onde voc vai, Andrew?" Mulder perguntou. "Elas esto ali." ele
apontou para outra das milhares de lojas de variedades que Scully
e Maggie estavam entrando. 

"Eu vou... ah... comprar um remdio." ele falou, meio sem jeito.

Mulder se levantou. "Voc est bem?" ele olhou para o filho, preocupado.

"Sim, claro. S vou comprar algo para colocar nos ps quando 
chegarmos em casa. Meus ps esto me matando!" era uma meia verdade.
Os ps dele estavam frios, gelados, mas no ia adiantar nada dizer
isso para seu pai.

"Ah.... aproveita e compra mais um do que quer que seja que voc
vai comprar. Depois de andar tanto, acho que meus ps gastaram at
as canelas..." ele falou, erguendo os ps do cho, tentando tirar algum
peso deles.

Andrew entrou na drogaria, e olhou pelas estantes. Ele sabia que no 
encontraria ali o que precisava. Talvez, no encontrasse nunca, pois sabia
que essa doena no tinha cura. 

Nem pensar falar sobre isso com sua me. S de faze-la passar por tudo isso
de novo com certeza no faria bem a ela, e nem ao beb.

Se ele pudesse fingir at que ela tivesse o beb.... 

Se ele pudesse viver at ver seu irmozinho....

Andrew tremeu a cabea, e tirou esses pensamentos horrveis da mente.
Vamos dar um passo de cada vez.

Para no levantar suspeitas, ele comprou algo para aliviar a dor em ps,
e voltou para o banco, s para encontrar todos os trs l, com mais bolsas
do que nunca.

Andrew olhou para o pai, que claramente estava com um olhar apavorado
no rosto.  Ele conseguiu ouvir o final da conversa.

"Voc quer fazer o que?" Mulder falou, espantado, para Scully.

"Tem uma loja ali que faz fotos instantneas, e achei que seria muito
bom termos uma com Andrew." Scully falou baixinho, no vendo
Andrew se aproximando atrs dela. "No temos nenhuma foto dele l
em casa." ela olhou para Mulder, com olhar pido. "Por favor, Mulder...."

Margaret Scully sorriu, vendo que seu genro no iria resistir  sua filha.
As mulheres realmente sabiam como dobrar os homens.

"Mas, Scully... eu sempre saio pssimo em fotos. Por isso que as nicas
fotos que tenho so as do meu distintivo e a do Departamento Pessoal do
FBI. Meu nariz sai grande demais e ...." 

"Mulder.... faz isso por mim, por favorrrr....." ela ficou dengosa, sabendo
que ele no gostava mesmo de tirar fotos, mas ela queria tanto uma lembrana
deste dia to maravilhoso... "E eu adoro o seu nariz...."

Andrew assistia a tudo fascinado. Ele estava adorando toda esta histria. uma
foto de famlia!!!! Como ele sempre sonhou. Ele olhou ao redor, e viu onde era
a loja. Correndo pra l, ele decidiu fazer uma surpresa. Enquanto tinha tempo.

Enquanto isso, Mulder tentava convencer Scully de que no seria bom tentar
tirar uma foto, seno ele queimaria a mquina. Ela no deu bola pra ele e
olhou ao redor, perguntando. "Onde est Andrew?" e Margaret tambm
procurou ao redor. 

"Ele foi na farmcia comprar uma coisa para nossos ps..." Mulder suspirou,
cansado. Ele realmente estava sem energia.

"Ele fez muito bem. Acho que depois de hoje, todos poderemos relaxar." ela
terminou, e Mulder acenou com a cabea, concordando entusiasticamente.
"Vamos esperar ele aqui" ela falou, se sentando no meio das bolsas.

Os trs ficaram observando e comentando bobagens a respeito das compras
durante uns bons dez minutos, quando Mulder se levantou e foi ver porque
ele estava demorando tanto. Mas antes que pudesse ir adiante, ele viu Andrew.

"Ah.... a est ele", Maggie falou, olhando para Andrew com orgulho. O rapaz
era realmente muito, e as meninas estavam virando  a cabea para olha-lo, mas
ele no parecia notar, pois s tinha olhos para seus pais. Maggie sorriu. Ele
era realmente focalizado em Dana, assim como Mulder. Tal pai, tal filho.

Ela se sentiu mais uma vez contente por ter acertado os ponteiros com Dana. Agora
ela podia ver como sua filha estava feliz, com Mulder e Andrew, e com o neto que
estava por vir.

"Andrew, onde voc estava?" Scully perguntou, se virando para ele, que se
aproximou e tirou trs envelopes do bolso da jaqueta de couro, como a do pai.

"Fui ali fazer uma coisa, e comprei isso pra vocs." ele falou, um pouco 
receoso de como eles iriam receber este 'presente.'

Scully abriu o dela, ansiosa, e ofegou quando viu a foto de Andrew em 
tamanho meio ofcio. Ele estava lindo! E teve at mesmo o cuidado de
se arrumar com um terno que obviamente no era dele. Mas ela sabia
que s o que Andrew queria era agrada-los, e nada mais. Ela o beijou
no rosto. Olhando para a foto novamente, ela percebeu o quanto Andrew
realmente se parecia com Mulder. Era perfeito.

"Obrigada, meu amor. Vou guardar com todo o carinho, e colocar no
criado mudo, s para eu acordar e te ver todo dia assim que levantar."
ela falou, sincera, e viu seu filho ficar emocionado ao ouvir isso. Ele
ainda estava um pouco inseguro a respeito da importncia dele nessa
famlia, e Scully tentava, a cada dia, deixar bem claro que ele era
to filho deles quanto o beb dentro da barriga dela. Ela tinha que
fazer isso, pois da parte de Mulder....

Bem, digamos que s vezes Mulder  mais tapado que uma porta.

"Ei!!! Eu no vou tirar uma foto com um terno! J uso terno todo dia!!!

Scully e Maggie, que havia recebido uma foto tambm, olharam para
Mulder como se quisesse fulmina-lo. Mulder levantou as mos, numa 
atitude de defesa. "Calma, madames, calma, nada de atitudes violentas..."
ele falou, e foi na direo de Andrew. "Estou brincando, filho. Voc
est muito bem, nessa foto. Alis, puxou a mim. O que voc acha, 
Scully?" ele sorriu, abraando Andrew pelo ombro, e Scully, mais uma
vez, se sentiu orgulhosa por te-los na vida dela.

"Vocs dois so lindos", ela falou, e sua me, assim como ela, riram
alto ao ver os dois inchando os peitos como paves. Homens....
Mas ela no havia se esquecido de sua vontade. "Falando em foto....
vamos aproveitar e tirar uma foto da nossa famlia, que, em breve, ser
de quatro." ela falou, indo na direo dos dois, e enganchando um brao
em cada um deles, os arrastando pelo shopping. 

Maggie riu, e falou. "Eu fico aqui esperando, Dana." e sentou, aliviada.
Com certeza ela aproveitaria pra comprar um blsamo para os ps.

Dez minutos depois, Scully saa, ladeada pelos dois, da loja de fotos, 
dona de uma foto moldurada deles trs, de close, com os 
dois atrs dela, e ela bem destacada na frente. Scully deu uma cpia 
para sua me, e a guardou junto com a de Andrew.

"Andrew, meu bem, vem c. Deixa eu te agradecer pela foto." ela
falou, e Andrew se aproximou da av, abraando-a e beijando-a no
rosto. Ele fechou os olhos, aproveitando mais este momento de carinho.

E ouviu seu pai resmungando.

"Ser que podemos ir embora, Scully? No agento mais.... voc j
comprou o shopping todo! Deixa um pouco para as outras pessoas...."
ele falou, brincando com ela, mas Scully via que ele estava falando srio.
E pra dizer a verdade, ela mesma estava bem cansada.

"Tudo bem, Mulder. Vamos embora."

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Quando chegaram em casa, depois de deixar Maggie na casa dela,
Mulder e Andrew depressa descarregaram o carro e Scully entrou em
casa, indo direto para a cozinha, para fazer um lanche rpido para todos.
Eles tinham almoado no shopping, mas agora, todos estavam famintos.

Mulder ficou olhando para ela enquanto Andrew voltava para trazer
a ltima das 'compras' que eles fizeram. Ele sorriu ao v-la andando.
Bem, andando era maneira de dizer, pois ela
parecia uma patinha, com aquele gingado to bonitinho. Scully
se aproximou da porta da cozinha e se virou, o pegando no ato.

"Pra com isso, Mulder", ela falou, meio zangada, mas s um
pouquinho.

"Parar com o que?" ele se fez de inocente.

"Pra de me olhar com esse sorriso no rosto. Por que voc est com
essa cara de bobo?"

"Porque estou vendo a mais bela das mulheres na minha frente" ele
falou enquanto ia na direo dela.

Ela bufou. "Me engana que eu gosto. Eu pareo que engoli uma
melancia, e nem quero pensar como ela vai sair de dentro de mim."
ela disse, colocando uma mo sobre a barriga inchada dela.

Mulder sentiu um certo nervoso na voz dela, e rapidamente 
tentou suavizar a tenso. "Ei! Sou eu que vou ter que desmaiar
l na sala do parto! Voc s vai ficar deitada, e o mdico  que 
vai ter todo o trabalho!" ele a apertou nos braos, acariciando
os braos dele enquanto a abraava.

"Mas no vai ser voc que vai ficar de pernas abertas, 
mostrando tudo para Deus e o mundo ver."

"Cinema grtis! Tambm quero!" ele enfiou o nariz no pescoo
dela, adorando a maneira como ela comeou a rir.

Scully balanou a cabea. "Voc no tem jeito mesmo, 
Mulder."

"E  por isso que voc me ama", ele sorriu, convencido, balanando
as sobrancelhas para ela, que ficou na ponta dos ps, e o beijou.
Mulder a encontrou no meio do caminho, e eles se separaram, 
sem graa, quando Andrew entrou  carregando as compras.

"Ei, no parem por minha causa!" ele falou, rindo, e foi
na direo da cozinha.

Mulder e Scully o seguiram, e depois que os homens 
guardaram tudo, e todos os trs comeram, o 
telefone tocou. Ainda no eram oito horas de sbado, e 
Scully se perguntou quem poderia ser.

Mulder atendeu. "Al?"

Scully e Andrew continuaram a conversar em voz baixa, mas mesmo
assim conseguiam ouvir a parte de Mulder.

"Oi Karl! E a? Como esto as coisas?"

Pausa.

"Isso  timo. Pera que eu vou perguntar." Mulder tampou o bocal
do telefone e se virou para Andrew. "Karl est perguntando se estamos
a fim de jogar basquete."

Andrew se levantou e falou, animado. "Claro que sim." ele saiu
da mesa, e parecendo ter se lembrado de uma coisa, parou, se
virando para sua me.

S para encontra-la encarando os dois, sorrindo.

"Vocs no tm jeito mesmo. Reclamaram o dia inteiro que estavam com
os ps mortos devido a ficarem 'sofrendo' fazendo compras comigo, e
agora ficam animadinhos para jogarem basquete." ela tremeu a cabea.

Mulder olhou para ela, com olhar de pido. "Scully..."

Andrew fez a mesma coisa. "Manh...."

Ela levantou os braos. "Eu desisto de vocs dois. Vo jogar o seu
basquete e me deixem em paz."

Mulder sorriu e falou com Karl. "Estamos indo pra a."

Andrew retornou e beijou-a no rosto, abraando-a forte, e falando.
"Obrigado, me. No vamos demorar."

Ela fechou os olhos, sentindo a emoo de sempre ao ouvir sendo 
chamada de me por Andrew. Ela nunca pensou que isso aconteceria...

Mulder se virou para eles, e perguntou para Scully. "Tem certeza de
que voc vai ficar bem sozinha? Se tiver problema, ns no vamos
jogar. Ficamos em casa com voc."

Ela se aproximou, e deu um beijo na boca de Mulder, ficando na ponta
dos ps. Andrew j havia sado para trocar de roupa.

"No, meu bem, pode jogar seu basquete tranqilo..." ela sorriu
pra ele e concluiu. "E com certeza vai ser bom poder fazer as coisas
sem ter dois xeretas vigiando meus passos." ela disse isso em tom de 
piada, e Mulder sorriu.

"Admito que sou xereta, principalmente quando o assunto  uma certa
ruiva baixinha...."

"E redondinha..." ela falou, passando a mo na barriga.

Mulder se ajoelhou e falou direto sobre o estmago enorme. "Cuida
dela a, viu? Eu te amo tambm, e pode deixar que no vou
demorar." ele beijou a pele esticada, e se levantou, beijando Scully
de novo, s para depois sair correndo para trocar de roupa.

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Andrew estava jogando h duas horas, e durante a ltima hora, ele
comeou a se sentir estranho. Olhando para suas mos, ele notou que
elas suavam, mas no estava fazendo tanto calor assim. E o pior era
que o suor estava frio, muito frio. 

O jogo estava animado. Seu pai jogava como nunca, animado por
poder fazer seu esporte preferido, podendo contar com a ajuda dele.
E nem de longe parecia perceber o que estava acontecendo com
Andrew.

Sua cabea comeou a fica pesada. Ele comeou a tropear, e
Mulder enrugou as sobrancelhas, no entendendo o que estava
acontecendo. 

"Andrew? Alguma coisa errada?" ele perguntou, assim que a
bola saiu da quadra.

Andrew apenas tremeu a cabea, dizendo que no. Mas Mulder podia
ver o suor no rosto do filho. Durante todo esse tempo, a nica vez
que Mulder viu ele suando foi quando ele passou mal naquela noite. 
E nunca num jogo de basquete.

Mas eles continuaram jogando, at que Mulder recebeu a bola de
Andrew, e a bola escapou das mos dele. A bola estava molhada, fria,
e Mulder no conseguiu segura-la. Como a bola saiu do jogo, este ficou
parado, e todos deram um tempo para beberem uma gua. Mulder aproveitou
para se aproximar de Andrew.

Quando chegou mais perto, ele viu que seu filho no estava nada bem. Era
igual a me - sempre dizendo que no havia problema nenhum, e que ele 
estava bem. 

E quando ele abriu a boca para falar, Andrew olhou para ele, e Mulder viu
confuso e dor naqueles olhos to parecidos com os dele. 

Era hora de irem pra casa. Correndo.

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"Mulder? O que aconteceu?" Scully correu na direo deles, 
indo direto para Andrew, que no parecia estar muito bem.

"Eu no sei, Scully. Ns estvamos jogando na quadra aqui
perto e de repente ele comeou a passar mal... no sei o que
aconteceu. Quase no deu para traz-lo at aqui." Mulder
enrugou a testa, depois de colocar Andrew no sof. Ele estava
ficando preocupado com seu filho.

Scully j tinha se transformado. Ela agia como uma profissional
mdica, sua segunda natureza, tentando ver os sintomas, 
e procurando possveis diagnsticos.
Ele estava com febre, mas os olhos estavam bons. Mas ela ainda
no tinha ouvido a voz dele.

Sentada ao lado do corpo dele, que estava deitado no sof, ela
acariciou-lhe o cabelo, tirando-o da testa suada. "Andrew? Querido?
O que voc est sentindo?" ela colocou a mo no rosto dele,
tentando olhar nos olhos to parecidos como os de Mulder.

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Era estranho para Andrew estar nesta posio. Ele nunca tinha
ficado doente! O que estava acontecendo? J era a segunda vez em poucos
dias.

Pelo menos tinha o lado bom da coisa: ele estava recebendo 
carinho e palavras amorosas da me. Os gestos tambm: ela estava
arrumando seu cabelo, e acariciando seu rosto. 

Na verdade, sempre que dava ela se referia a ele, conversava 
com ele com carinho, mas agora, a preocupao de uma me fazia 
toda a diferena. Ele se sentiu amado, de verdade, e at sorriu 
quando ouviu a pergunta dela.

"Andrew? Querido? O que voc est sentindo?" 

Andrew falou os sintomas que estava tendo, tentando ser o mais objetivo
possvel, para no alarma-la. Ele falou tudo de olhos fechados. Quando
abriu os olhos, ele se espojou na beleza nica dela, e na voz
carinhosa. Suas mos frescas estavam lhe dando alvio do calor 
que sentia dentro da cabea, e da fraqueza no corpo. Como nunca 
tinha ficado doente, no saberia dizer o que tinha, mas poderia 
lhe dizer o que sentia. Mas antes, ele ia aproveitar esse carinho
to especial.

"Me?" ele disse numa voz pequena.

"Sim, meu bem?" ela respondeu, sem parar de toc-lo.

"S quero ser abraado." a voz dele tinha ficado at menor.
e ela fez isso de bom grado.

"T achando que isso  dengo", Mulder disse, meio brincando, 
meio srio. Mas parou quando viu o olhar de Scully.

"Voc acha que ele ia fingir uma febre? Pra de falar besteira
e pegue minha bolsa" ela falou, meio brava, mas depois sentiu que
tinha sido rude demais. Era bem bvio que Mulder estava apenas 
tentando aliviar a tenso. "Desculpe, Mulder", ela falou, e viu quando
ele balanou a cabea, a desculpando. Lhe dando um pequeno
sorriso, ela pediu "Pegue minha bolsa, por favor."

Mulder foi para o quarto, e Scully aproveitou para se sentar
no sof, colocando a cabea de Andrew no colo dela. Ela sorriu
quando viu o olhar de adorao no rosto do filho. Ele era realmente
parecido com Mulder. 

"Como voc est agora?" ela perguntou, e no estranhou a resposta
dele.

"Melhor agora com voc aqui", ele disse, e ela lhe deu uns tapinhas
carinhosos no rosto. "Mas estou me sentindo meio fraco." ele encostou
o rosto no estmago enorme da me. Como ele conseguia deitar no colo
dela, nem ele mesmo conseguia dizer. S sabia que aqui era o lugar que
ele queria ficar. Precisava ficar.

"Eu vou cuidar de voc, meu anjo", ela falou o que sempre quis
dizer para Emily, e de certo modo, estava dizendo.

Ela virou a cabea na direo de Mulder, que tinha voltado com a
bolsa. "Pegue o termmetro", ela disse, baixinho, quando viu Andrew
fechando os olhos. 

Mulder fez o que ela pediu e lhe deu o instrumento. Ela o colocou
na orelha dele e viu a temperatura. Estava alta, mas no era 
alarmante. O que no estava muito certo era a fraqueza no corpo
dele. Ela no conhecia a fisiologia dele, e no quis arriscar
dando-lhe nada para piorar a situao.

"Andrew?" ela olhou para ele, que estava com os olhos fechados.
"Andrew?" dessa vez ela segurou o rosto dele, e ele abriu os olhos.
"Voc pode tomar um banho? Um pouco de gua fria seria muito
bom para voc agora. E depois... cama."

Ele somente balanou a cabea, mas no se mexeu. "Eu posso ficar
aqui com voc mais um pouco?" ele perguntou, e o tom de voz dele
era o de um garotinho. Igualzinho ao de Mulder quando ele ficava
doente.

Ela sorriu e olhou para Mulder, que reconheceu a atitude do filho,
que queria s a ateno de Scully, e nada mais. E seria bom para
ela ficar um pouco sentada, tambm. Ela no descansava o 
suficiente na opinio dele.

"Claro, meu bem. Eu vou ficar aqui. Mas se voc no melhorar, vou
pedir pro seu pai te carregar pro chuveiro." ela disse, e Andrew
riu, fraco.

"Isso no!" ele disse, ainda rindo, e Mulder colocou a mo no
cabelo dele, despenteando tudo. 

"Eu tambm estou precisando de um banho, Andrew." ele falou, mas
ainda estava um pouco preocupado com o rapaz. Imagens de Emily, com
febre, fraca, vieram  sua mente, e ele rezou para que no fosse
isso que estivesse acontecendo com o filho deles.

Mas infelizmente no foi o que aconteceu. A febre de Andrew apenas 
piorou, e ele estava cada vez mais fraco. Quando Scully viu que
aquilo no era uma simples febre, ela pediu para Mulder 
chamar uma ambulncia. 

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Emily no saia de sua cabea. Scully estava pensando nela, 
comparando a situao de agora com o que tinha passado antes,
com sua filha, tambm criada por 'eles'. Mas ela no podia
perder Andrew. Ia fazer de tudo para ajuda-lo, pois tinha a
forte impresso de no conseguir suportar o peso da morte
de outro filho.

Principalmente depois de ter passado tanto tempo com ele, muito mais
do que com Emily, e aprendido a am-lo.

Sentindo uma mo sobre seu ombro, ela levantou a cabea, e
olhou para Mulder, ajoelhado  sua frente.

"Eu estou bem, Mulder", ela respondeu sem ele perguntar, e levou
uma mo para a mecha de cabelo rebelde em sua testa, da mesma
maneira como tinha feito com Andrew h poucas horas atrs.

Era inegvel a preocupao de Mulder para com Andrew. Claro que
ele estava preocupado com ela, e com o beb, mas eles iam bem,
obrigada. O problema, agora, era outro.

"Voc precisa dormir. No  bom pra voc ficar acordada 
durante a noite. Por que voc no dorme num desses quartos?
Tenho certeza de que as enfermeiras no vo ---"

"Mulder, no insista. No vou sair do lado do meu filho."

Ela olhou para Andrew, agora dormindo calmamente. O mdico
havia lhe dado um antibitico para baixar a febre, e parecia
estar dando certo. Apesar de ficar um pouco confuso com as
respostas, ou a falta delas em relao a Mulder e 
Scully sobre o pronturio do rapaz, ele rapidamente agiu e
conseguiu baixar a febre alta dele. 

Testes foram feitos, e eles estavam esperando os resultados.
E eram esses resultados que a estavam deixando mais nervosa
ainda. Na hora em que tiraram o sangue dele, ela temeu ver
a coisa verde, mas graas a Deus isso no tinha acontecido.

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Andrea tinha chegado para seu planto, e rapidamente trocado de
roupa, indo logo para seu posto, dando oi para suas colegas. Ela,
como enfermeira, supervisionava todos os pacientes de sua ala,
e logo que chegou ao balco, olhou para o quadro, vendo quais
seriam os pacientes, e quais os seus problemas. 

Um deles lhe chamou a ateno: Andrew McInney. No s 
pelo sobrenome incomum, mas tambm pelas ordens mdicas
sobre procedimentos: retirar sinais vitais, e indicar qualquer
anormalidade neles; e s. No dizia o que o paciente tinha, e 
no local onde isso seria descrito, estava apenas escrito: testes
em andamento.

Ela se orientou para a enfermeira chefe, e perguntou se havia
alguma outra tarefa antes dela comear a ronda. Recebendo
uma resposta negativa, ela comeou seu turno. 

Andrea deixou o paciente Andrew por ltimo, de alguma forma
percebendo que ela demoraria mais ali. Ao passar pelo corredor
para verificar seu ltimo paciente, e depois poder descansar um
pouco, ela notou um casal na sala de espera. Indo para o balco,
para trocar a prancheta, sua ateno foi novamente capturada
por eles.

Ela notou a beleza sem igual dos dois - o homem alto, de 
cabelos escuros e fartos, um nariz um pouco grande demais,
estava sentado e abraado a uma ruiva baixinha, com um
bonito cabelo, obviamente grvida de uns sete meses, e que
estava dormindo, se apoiando no homem alto.

Mas o que mais lhe chamou a ateno era a maneira como
ele acariciava ora o rosto dela, ora sua barriga, um carinho e amor
indescritveis naqueles pequenos gestos.

Mas ela tambm notou a posio desconfortvel da mulher na 
cadeira. Para eles estarem ali, e no no quarto da pessoa que
eles estavam esperando, alguma coisa devia estar errada.

Olhando para os quadros, Andrea viu que haviam quartos vazios
em seu setor, e verificando com outros setores, ela descobriu que
eles ficariam assim pelo menos at amanh de manh. 

Confirmando com sua enfermeira chefe, por telefone, pois ela estava
prestes a entrar numa reunio, ela conseguiu a liberao de um
quarto e, satisfeita, foi na direo do casal.

Chegando devagar, e com cautela, ela falou numa voz baixa.
"Senhor?"

A reao abrupta do homem quase a assustou. "O que foi?" 
ele perguntou, a voz baixa, se acalmando  vista dela.

Quem ele esperava que fosse?

Tremendo a cabea, Andra continuou. "No seria melhor ela
deitar? Tenho um quarto disponvel logo ali, e se o senhor quiser
acorda-la, podemos ir para l."

Mulder acenou com a cabea, entendendo e aceitando a oferta
generosa. Ele sabia que este tipo de ato era incomum em 
hospitais.

"Sim. Mas  melhor no acorda-la. Ela precisa descansar." ele
declarou, e Andrea no ficou surpresa com isso.

Ela concordou, e achou o mximo ver o homem se levantar,
e com todo carinho erguer a pequena mulher nos braos
dele. A ruivinha murmurou alguma coisa, mas no acordou,
s se aconchegando ainda mais contra o pescoo dele.

Ela fez um sinal para ele segui-la, e abriu a porta do quarto,
indo para a cama e tirando a coberta. Ela observou enquanto
ele colocava a mulher na cama, e ouviu ele murmurando 
pra ela, que ainda dormia.

"Tudo vai dar certo, Scully."

Scully? Que tipo de nome era esse?

"Vou terminar minha ronda. Qualquer coisa que vocs precisarem,
 s me chamar."

Mulder acenou com a cabea, grato por esta gentileza, 
e antes que ela sasse do quarto, ele a chamou.

"Andra?" ele tinha lido o nome dela no uniforme. "Voc faz a
ronda neste andar?"

"Sim."

"Voc poderia nos avisar quando o mdico sasse da sala
do nosso filho?"

Ah. L estava o motivo deles estarem na sala de espera.
Mas estava demorando tanto assim? E pela ronda dela, 
s podia ser...

"Claro que sim. Mas qual  o nome dele?" ela perguntou,
mas j sabia qual era.

"Andrew McIntern. Acho que voc no vai se esquecer do nome
dele." ele falou, numa clara aluso ao nome homnio dela.

"Pode deixar. Ele era o prximo da minha lista. Qual  o seu
nome, por favor?"

"Mulder. Obrigado por tudo, Andrea."

"De nada."

Fechando a porta do quarto, ela saiu, e foi na direo
do quarto. Chegando l, ela viu dois mdicos ao redor
da cama, conversando baixo. Eles se viraram ao 
v-la entrando no quarto, e no se importando com
a presena dela, eles continuaram a conversar.

"Temos que dizer isso aos pais dele."

Pais? Mas.... o rapaz na cama parecia ter uns bons vinte
anos, e aquele casal no parecia estar passando dos
quarenta... estranho.

"Vai ser uma notcia bem ruim." 

"Mas temos que dizer a verdade."

Andrea se preocupou com o que estava escutando. 
Ao que parecia, o rapaz estava muito doente.

"Vamos conferir os resultados mais uma vez
antes de chama-los."

Dizendo isso, os mdicos saram. Andrea pde, 
ento, ir para a cama, e viu finalmente quem era
Andrew.

Inegavelmente ele era filho dos dois. Parecidssimo
com o pai, e com o cabelo e traos da me. E muito
bonito. Andrea ficou completamente atrada por ele,
mesmo suado, inconsciente, e doente. 

Ela comeou a cuidar dele, o secando, e notou as mos
e ps frios. Andrea no gostou muito de ver isso,
no era bom sinal. Sua rea era o tratamento intensivo,
e se ele estava aqui, com certeza no ia ficar bom to
cedo. 

Olhando para ele mais uma vez, ela no resistiu, e
passou a mo no cabelo dele, s para sentir se
eles eram to macios quanto pareciam. E eram.

Ela saiu do quarto, e ao chegar no balco, foi
abordada pelos dois mdicos. 

"Enfermeira, voc por acaso viu os pais do paciente
do quarto 1013?" um deles perguntou.

Era o quarto de Andrew. 

"Sim, eu sei onde eles esto." 

"Por favor, chame-os. Precisamos falar com eles."

Andrea foi na direo do quarto, e ao chegar l,
para seu alvio, ela viu o homem ajudando a ruivinha
a sair da cama. 

Ele logo notou a expresso no rosto de Andrea.
"O que foi?"

"Os mdicos querem falar com vocs sobre o Andrew."
ela respondeu, e viu na hora a apreenso do casal.

Ela decidiu acompanha-los, tambm interessada no
os mdicos tinham a dizer.

Mas, infelizmente, ela foi chamada pela enfermeira
chefe para participar da reunio, pelo bip, e ela
deixou o setor, olhando, curiosa, para os mdicos
e o casal enquanto pegava o elevador.

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FALTA PARTE 8

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ANDREW 09/09
Autora: Edna Barros (Vancouver)

www.wfics.hpg.com.br
ednabarros@uol.com.br

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Um choro de beb foi ouvido dentro da casa dos Mulders.
A vizinhana sorria sempre que era ouvido tal choro. E sempre
contava: 3,2,1.

Pronto. No havia mais choro. 

Todo mundo ali sabia que o prncipe no chorava mais do que trs
segundos. Sem exceo. Isso, quando chorava! pois sempre tinha
algum da familia para pega-lo no colo, brincar com ele, e faze-lo
a mais feliz das crianas j conhecidas por aquelas pessoas.

Se no era a av, era a me, ou o pai, ou o irmo mais velho. Este
ltimo ento, babava mais do que todos. 

Era gostoso ver essa famlia com seu novo beb.

Fox William Mulder Jr. era uma criana de sorte.

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Scully pegou William no colo e imediatamente o beb parou de
chorar. Ela agradeceu a Deus por ter um filho to abenoado,
que no fazia manha, e s chorava quando realmente era preciso,
ou seja, para trocar uma fralda, ou mamar, ou at mesmo tomar banho:
William era um pato na gua!

E agora, era hora do almoo dele. Ela o pegou no colo, e se sentou
na cama, posicionando-o contra o seio dolorido, j cheio de leite,
como se adivinhando que estava na hora de alimentar o beb.

Se preparando para a inevitvel gulodice do filho, ela gemeu um
'ai' sem som, ao sentir a boca pequena engolfar o seio dela e chupar
com gosto.

"Voc realmente puxou a seu pai, anjinho." ela disse, acariciando a
penugem ruiva na cabea de William. <E s nesta caracterstica, por enquanto> 
ela pensou. Ah, no. Ainda tinha a insnia. William parecia ser igual a Andrew 
e Mulder neste ponto. Nenhum deles dormia mais do que o necessrio, 
o que seria, em mdia, no mximo quatro horas por noite. 

Mulder dizia que no tinha problema, que isso de fato era timo, 
pois assim ele podia ficar contemplando Scully enquanto ela dormia, 
alm de estar apto e pronto para fazer outras coisas, e pela manh,
Mulder estava muito mais do que disposto, e Scully estava exausta, 
apesar de sempre dormir mais do que dobro que ele, na maior parte 
das vezes, e enquanto ele e Andrew saam para correr, ela dormia 
na cama, relaxando. 

Isso mudou depois do nascimento. No tanto. Agora, a insnia de Mulder 
e de Andrew eram mais do que bem vindas. Com todo o esgotamento, Scully
 dificilmente acordava de madrugada e de manh, e Mulder sempre pegava 
William para ela, trocando ele e ninando o beb. Ela praticamente alimentava
 o beb dormindo, com Mulder segurando ela e o beb. 

E agora, ela no podia reclamar da paparicao deles para com ela e 
William. Era mais do que bem vinda.

William fechou os olhinhos, aproveitando com gosto a sensao de estar 
to perto do calor e carinho de sua me,  e com dois meses de vida, 
ele j tinha traos definidos. 

Ao contrrio de Andrew, William puxou totalmente a ela, 
para alegria de Mulder. Os olhos azuis enormes, as pequenas e fracas sardas 
no rosto e no nariz do 'moleque' como Mulder j o chamava, para desgosto de
Scully, eram cpias perfeitas da me. Alm do bvio cabelo vermelho,
a 'desgraa' da familia Scully. E havia muito cabelo ruivo. 
Neste ponto, William tinha puxado o pai.

"No  que seja desgraa, meu anjinho, mas quando comearem a te
chamarem de cenourinha no colgio, voc vai saber o porqu."

Neste fim de tarde, Scully estava esperando Mulder chegar, e Andrew
foi visitar um cliente da nova firma que ele abriu. Na verdade, nenhum
deles precisava trabalhar, mas todos chegaram a um acordo comum - 
Scully no aguentava mais tanta paparicao em cima dela, at mais 
do que em cima do beb. 

Ela deu um ultimato - ou eles arrumavam alguma coisa pra ocupar 
as mentes deles alm dela, ou ela mesma ia trabalhar, e 
deixa-los em casa, cuidado do beb.

Rapidinho Mulder e Andrew arrumaram o que fazer: Mulder, que havia 
sado do FBI desde o nascimento de William, estava sendo requisitado 
por vrios contatos que ele fez ao longo da carreira para trabalharem 
com eles desde consultoria at mesmo como investigador particular. 
Ele ainda estava selecionando um trabalho que, ao mesmo tempo em que 
no se viajava demais - ele no queria ficar longe de sua familia, 
no fosse estressante demais - pois dinheiro no era problema, eles tinham de sobra.

Quanto a Andrew, ele tinha montado uma firma de segurana virtual, 
visando a proteo dos sistemas das empresas. Em pouco tempo, ele, 
com seus conhecimentos de Hacker, e depois de uma aulinha 
(no final, foi ele que acabou dando aulas) nos Pistoleiros, 
ele se sentiu pronto para encarar a novidade. 

Foi com facilidade que ele entrou no mercado de trabalho. 
Mulder aconselhou ele a entrar numa firma grande e poderosa, 
quebrando seu sistema, deixando um arquivo com seus dados no 
computador de um amigo dele, diretor desta empresa. 
Andrew fez isso, orientando o diretor que seu sistema era acessvel, 
e que a empresa estava desprotegida contra espionagem industrial
 e outras desgraas virtuais. 

O diretor marcou uma entrevista com Andrew, e o indicou para outra firma, 
e agora, Andrew era contratado para descobrir e corrigir as falhas 
de segurana de grandes empresas nos Estados Unidos. 

Scully sorriu. Ela decidiu, por enquanto, ficar em casa. 
Havia uma empregada de meio expediente, que vinha sempre 
quando Mulder e Andrew saam, e ficava at o meio da tarde, 
ajudando-a com a casa e com o beb.
E ela se sentia segura, pois Mulder e Andrew s aceitaram os termos dela, 
caso ela aceitasse os termos deles: eles colocariam sistemas de 
segurana com sensores pela casa, para segurana dela, dizendo 
que se uma mosca tentasse entrar sem
ser convidada, ela seria sumariamente exterminada. 

"Mulder, e se minha me entrar sem avisar?" ela perguntou, preocupada.

"Pode deixar com a gente, Scully. No se preocupe com nada. 
Se preocupe em cuidar do moleque e deixar ele bem saudvel 
para logo estar correndo com a gente por a. Estou doido 
para ensinar ele a jogar basquete, assim como fiz com Andrew."

Ela se lembrou disso, e olhou para o presente que Mulder 
tinha trazido no dia anterior. Uma tabelinha de basquete, 
e uma bolinha de basquete, parecendo oficial, s que numa 
verso menor. Quando ela falou pra ele
que William demoraria muito at poder 'jogar' alguma coisa, ele falou.

"Que nada. Daqui a pouco o moleque vai estar a correndo
 pela casa. Voc vai ver..."

Ela abaixou a cabea, e contemplou seu mais novo milagre. 
Depois que William terminou de mamar, ela o fez arrotar,
e vendo sua carinha ainda esperta, ela o deitou nas
coxas dobradas delas, joelhos pra cima, fazendo o beb
sentar e olhar diretamente pra ela.

Dois pares de olhos azuis idnticos se olharam, e sorriram
ao mesmo tempo.

"Voc no est com sono, William? Huf- por que no estou surpresa?
Quer ouvir uma histria de ninar? Hummm, deixe-me ver... J te contei 
como voc nasceu? No??? Ento,  se prepare para ouvir sua biografia... 
se bem que talvez, depois dessa, voc no v dormir... Era uma vez, 
numa bela manh,  eu estava nesta mesma cama com seu 
papai..."

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Scully acordou com uma pontada embaixo da barriga. Sentando-se,
ela apoiou a mo no estmago e sentiu que o beb havia descido.
Depois de tanto ler sobre gravidez e parto, e de se lembrar de suas
aulas de obstetrcia na faculdade, apesar de ter feito ela h muito
tempo, ela sabia que estava na hora. 

Devagar, ela se virou de lado, de costas para Mulder, e o movimento
o fez acordar.

"Bom dia, luz do sol..." e ele a beijou no rosto. Scully fechou os
olhos, no querendo alarma-lo logo hora. Se estivesse certa, ainda
demoraria horas para poder ter o beb.

"Bom dia , Mulder." ela respondeu, mantendo o tom da voz calmo.

Ele tentou fazer uns carinhos nela, mas vendo que ela no estava receptiva, 
como normalmente era, ele a deixou, se levantando para ir ao banheiro. 
Mas antes, ele ajeitou as cobertas ao redor dela e s ento saiu da cama.

Depois de uns quinze minutos, um bom banho tomado, e barba feita, Mulder 
saiu do banheiro, andando pelo quarto, e viu que ela ainda estava na cama, 
na mesma posio. Ele no se preocupou. Ela sempre estendia esses momentos 
antes de se levantar. Scully adorava uma cama! Bom para ele.

"Voc est se sentindo bem, Scully?" ele perguntou, fazendo o n da gravata, 
olhando pelo espelho para o reflexo dela.

Ele viu ela balanando a cabea, e respondendo numa voz calma. 
"Eu estou bem, Mulder."

Ele se virou e olhou pra ela. Mas ela j tinha fechado os olhos. 
Encolhendo os ombros, ele desceu.

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Andrew j estava acordado desde mais cedo, pois ele passou a  
noite toda se virando na cama, sentindo uma coisa muito estranha. 
Desistindo de dormir, ele desceu, e foi para a varanda da casa, ver o sol nascendo. 

Depois, ele voltou para o quarto, e se arrumou para ir trabalhar na 
cidade hoje, numa empresa onde ele estava checando todo o sistema de 
hardware e verificar a necessidade de compra de mais equipamentos 
para a instalao da segurana virtual. 

Indo para a cozinha, ele preparou o caf para todo mundo, e se sentou na 
mesa da cozinha, lendo o jornal. Uma rotina to comum na vida de todos era,
 para ele, uma novidade muito bem vinda. Ele agora fazia parte de uma famlia,
 e viver tal rotina o estava deixando muito feliz. 

Ele ouviu seu pai descendo as escadas, e no estranhou quando no viu sua me.
 Mas aquela sensao estranha voltou novamente. Assim como ele, seu pai estava 
pronto para ir trabalhar tambm, e Andrew gostou de ver que tanto ele quanto 
seu pai eram iguais at no estilo de roupa - ternos de primeira, e gravatas 
horrveis, na opinio sempre respeitvel de sua me. 

Ele no sabia o motivo, mas usar gravatas srias no era com ele.

"Bom dia, Andy." ele ouviu seu pai falando, e respondeu o cumprimento.

"Pai, mame ainda est na cama?" ele perguntou, e Mulder se virou da 
geladeira para olhar para ele.

"Sim, est. Voc quer falar com ela antes de sair?"

"No, no  isso.  que estou sentindo uma coisa estranha a noite toda e 
s queria ter certeza.... ela est se sentindo bem?"

"Sim, ela est." Ele fechou a geladeira e se preparou para beber o 
suco direto da caixa, antes que Scully visse. 

"Voc perguntou a ela?" Andrew insistiu.

"Sim, perguntei." ele acabou de beber o suco e o deixou no balco, 
pois sabia que Scully iria beber daqui a pouco, e ela no gostava 
do suco muito gelado.

"E o que ela respondeu?" ele perguntou, mas j lendo a resposta 
de Mulder em sua mente.

" <Eu estou bem, Mul-> oh, droga!" Mulder e Andrew entendiam o que 
essa frase significava, e saram correram pelas escadas, s para 
encontra-la no quarto se torcendo devido s contraes.

Andrew foi direto para ela, e Mulder foi para o outro lado. 

"Pai, tira o carro da garagem" Andrew falou, tentando virar 
sua me, que estava deitada de lado. Essa no era uma boa posio. 
O beb, pela posio da barriga, estava posicionado, e a gravidade 
no estava ajudando aqui. "Me, voc est me ouvindo?" ele disse para 
Scully, que estava com os olhos fechados. 

Ela abriu os olhos e falou com ele. "Eu estou bem, Andrew. Mas as 
contraes esto fortes demais..." e ela se apertou de dor ao sentir 
a outra onda de dor vindo.

Andrew segurou as mos dela, e olhou para seu pai, que ainda estava l, 
parado, com um olhar de pnico no rosto. "PAI! Vai tirar o carro da garagem! 
Mas antes pega a mala dela! AGORA!" e isso fez o truque.

Mulder saiu da cama, pegou a mala que estava pronta no armrio 
e saiu correndo pelas escadas. Andrew ajudou Scully a se sentar, 
e conversou com ela. 

"Me, d pra andar? Quer que eu te carregue?" ele sabia que era 
bom para uma mulher que estava prestes a dar a luz andar bem devagar, 
para ajudar o beb. 

Sua me confirmou isso. "S me ajude a descer as escadas, e
vamos logo para o carro." 

Andrew pegou a mo dela, e antes que eles chegassem na escada, 
Mulder j estava l, e quase bateu de encontro a eles, correndo 
o risco de derrubar todo mundo escada abaixo. Andrew na verdade 
precisou pegar no brao dele para evitar que seu pai casse ao 
tentar se desviar de bater em Scully.

"Qual  o seu problema, pai? Acalme-se!" ele falou, e se 
arrependeu na mesma hora. 

Scully acalmou os dois. "Mulder, Andrew. Calma.  s um beb. 
Vamos descer as escadas devaa--- ohhhh" ela se torceu e lentamente 
comeou a se agachar, e Mulder e Andrew gritaram ao mesmo tempo.

"SCULLY!!!!"  

"ME!!!"

Scully fechou os olhos, e tentou se acalmar. Se ela perdesse  
o controle agora, com certeza nem Mulder nem Andrew se controlariam. 
Respirando fundo, ela os deixou segurarem seus braos, e a levanta-la 
devagar. 

"Vamos descer as escadas devagar, e caso outra contrao venha, no se 
preocupem.  assim mesmo. Mas precisamos ir o mais rpido possvel, mas 
devagar, entenderam?"

Pela cara dos dois, era bvio que no estavam entendendo nada. Devagar? 
Rpido? Como assim?

Ela suspirou. "Vamos logo, sim? Mulder, voc pode ir comigo no banco de 
trs? Deixe Andrew dirigir."

"Claro, Scully. Tudo que voc quiser."

Andrew dirigiu em tempo recorde para o hospital. A cada grito de dor de 
sua me, ele apertava mais forte o acelerador. Finalmente, ele viu o 
hospital central, e depressa estacionou o carro de qualquer maneira. 

Assim que o carro parou, Mulder desceu, gritando. 
"MINHA ESPOSA EST TENDO UM BEB! ME AJUDEM AQUI!" e 
rapidamente apareceu uma maca com dois enfermeiros, e eles 
ajudaram Andrew e Mulder a coloca-la sobre a maca. 

Dentro da sala de emergncia, uma mdica conferiu o estado dela. 
"Ela j est com 8 de dilatao! Vamos direto pra sala de parto! 
Voc  o pai?" ela perguntou para Mulder, que acenou com a cabea 
estupidamente. Ele s olhava para Scully, tendo outra contrao 
sobre a maca. "V com a enfermeira para se preparar para o parto."

Andrew sabia que no poderia entrar.  Ele aguardou, resignado, 
enquanto seu pai seguia para dentro da sala. 

Os prximos 40 minutos foram os mais longos que ele j passou em 
toda sua vida. Mas, de repente, uma sensao de alegria imensa 
veio dentro dele. E ele sorriu. Tudo estava bem.

E ele riu de verdade quando seu pai apareceu, estourando as portas 
da sala do parto, gritando: " UM MENINO!!!!! VOC TEM UM IRMOZINHO, ANDREW!" 

Eles se abraaram, e Andrew o empurrou de volta para a sala, 
no querendo que sua me ficasse sozinha. 

Logo depois, ele via um pequeno pacote saindo da sala de parto no 
colo de uma enfermeira. Seguindo de perto, como um co de caa, 
ele seguiu a enfermeira, que o olhou de lado, e entrou no berrio.
Andrew viu seu irmozinho sendo limpado, embalado num cobertorzinho
e colocado num bero bem perto da janela.

De longe ele era o mais bonito. E esperto. Olhos azuis e imensos 
estava olhando diretamente para ele, e Andrew entrou na mente do beb,
 no podendo ler aquela mente pura, mas sabendo que ali estava o inicio
 de uma vida. E, de repente, ele sentiu uma coceirinha em sua mente. 

Surpreso, olhando para o beb, Andrew quase no acreditou. 

Tremendo a cabea, ele se falou. No... isso no era possvel.

E l estava de novo. A coceirinha.

E ele devolveu a coceirinha para seu irmo, e viu seu maninho rindo. 
E ele riu tambm. Na verdade, gargalhou.

E ningum entendeu nada.

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"Olha quanto cabelo, Scully! E  vermelhinho!" Mulder dizia, 
extasiado,  viso de seu filho. "E ele tem os seus olhos! E sardas tambm!"
ele disse, reparando em tudo. "Nossa, eu ia perguntar se voc fez esse beb
sozinha, mas agora estou vendo que ele  um Mulder de verdade!"
ele concluiu, depois de olhar o beb completamente.

Scully rodou os olhos e Andrew riu. Ele j tinha tido a oportunidade 
de segurar o beb, e de babar nele tambm no berrio. Uma enfermeira
 novinha, que jogou charme pra cima dele, o deixou pegar o beb rapidinho,
 caso ele lhe desse o nmero de telefone dele.  E ele deu. 
Naquele momento, ele faria qualquer coisa para poder ver seu maninho 
de perto. Ele sabia o que seu pai estava sentindo.

Seu irmo era a cara de sua me. E provavelmente ficaria mais lindo
a cada dia de vida. Como havia reparado, ele, de longe, era o beb 
mais bonito dali. E por isso, ele mantinha o olho nele, para que 
ningum o levasse. 

Principalmente depois que ele sentiu a ligao forte que tinha 
com esta criana to precoce.

"Como vamos chama-lo, Scully?" Mulder perguntou, segurando seu
tesouro em suas mos grandes. A cabea do beb cabia toda em sua
mo. Incrvel.  "Nem mesmo escolhemos o nome ainda."

Andrew olhou para sua me, rindo. Ele sabia o que ela ia fazer.
E sabia qual seria a reao de seu pai.

"Fox William Mulder Jnior."

Mulder quase derrubou o beb. Bem, exageros  parte, ele na verdade
olhou de boca aberta para Scully, "Voc no est falando srio."

Ela acenou com a cabea. "Claro que estou. Se eu no  posso te chamar
de Fox, pelo menos vou chamar algum assim."

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"E pensar que nem assim eu consigo chamar algum de 'Fox', William." 
ela sorriu para o beb, que ainda estava atento s suas palavras. 
Outra caracterstica do pai: William era um beb que no dormia com 
facilidade.  Mas como ela j tinha pensando antes, Mulder e Andrew 
tambm no dormiam, e ento faziam companhia ao beb. 

Mas ela, caa na cama na primeira oportunidade. E estava comeando 
a se sentir um pouco deprimida, dizendo que estava gorda, e isso, 
e aquilo, mesmo com Mulder dizendo pra ela que estava adorando as 
novas curvas, cheias e macias, e logo ela se esquecia de reclamar 
disso, apesar de ainda terem de esperar mais um pouco poderem fazer 
qualquer coisa alm de namorarem.

Ela olhou para William, notando suas mozinhas, e seus pezinhos, e 
tudo mais. Ele era um beb realmente lindo, e quando ela ia falar 
uma coisa, ela viu o beb virando a cabecinha para a janela, e s 
ento ela ouviu o carro de Mulder entrando na garagem.

Olhando para William, que voltou a olhar pra ela, Scully sorriu, 
nem um pouco surpresa se William era mais um 'especial' na famlia.
 "Mame te
ama assim mesmo, viu?" e ele sorriu, e virou a cabea de novo, 
e ento Mulder entrou no quarto.

"Como est a minha maravilhosa famlia?" ele perguntou, entrando 
sem a pasta, que provavelmente tinha deixado na sala, e indo direto 
para a cama. Ele se abaixou, beijou Scully, olhou para dentro dos 
olhos dela para ver seu humor, e s ento ele olhou para William, 
que o fitava com enormes olhos azuis, e um lindo sorriso no rosto.

"E como est o meu moleque?" Ele pegou William no colo, com cuidado, 
e beijou a cabea ruiva com amor, s para depois baixar a cabea 
sobre a barriguinha do beb, e com cuidado, dar um soprinho. 
Ele ergueu a cabea, e dessa vez, o sorriso de William era maior ainda.

Scully tinha fechado os olhos quando ouviu Mulder chamar William 
dessa maneira. "Mulder, no chama ele assim. Ele tem nome, sabia?"

"Sim, eu sei. E acredite em mim: ele vai preferir ser chamado de
moleque. No sei porque voc colocou o nome dele de Fox . Eu..."

"Mulder, eu j disse o motivo."

"Mas Scully, voc nem chama ele assim...." ele reclamou, e viu 
que tinha passado dos limites.

"Fox William Mulder, saiba que seu nome  o nome mais bonito em 
toda face da terra. Tenha orgulho dele, e faa com que seu filho 
tenha orgulho dele tambm. Por que voc no pode ficar contente
 com isso?" ela
chorou, e ele se arrependeu por insistir nisso. Depresso ps 
parto definitivamente no iriam ter chance aqui.

Ele s fazia isso para provoca-la, pois gostava das briguinhas
 e das reconciliaes que eles faziam - principalmente das 
reconciliaes - mas ao que parecia, ela estava num daqueles dias.

Ele se aproximou, colocando a cabea de William no ombro, e foi na direo dela. 

"Scully, meu amor, eu s estava brincando.... por favor, querida, 
no chore" Mulder murmurou baixinho, para no assustar William, 
que estava quieto, como se sentindo a angstia da me. E ento 
ele chorou.

"Oh, droga! Scully, pra de chorar! Voc est fazendo ele chorar de novo!" 
Ele disse suavemente. Isso j tinha acontecido antes. William parecia 
perceber qualquer tipo de angustia da me, e sempre que ela estava em 
dor, depois do parto, ou deprimida, ele tambm ficava deprimido. 

Scully tentou se controlar. Ela sentiu Mulder ao lado dela, tentando 
abraa-la, com William no outro brao, e ouviu o choro do beb. 
Respirando fundo, ela pegou William no colo, e ele s se acalmou depois 
que ela se acalmou tambm. 

"Parece que ele tambm no gosta de te ver sofrendo, Scully", 
Mulder tentou mudar o assunto.

"Era s o que me faltava. Mais um pra ficar no meu p." ela falou, 
mas seu tom de voz era cheio de carinho, leve, apesar dela ainda 
estar fungando. Ela no entendia o motivo de ter chorado, mas 
parecia que ela estava sensvel demais mesmo um ms depois do parto. 
"Eu pareo uma manteiga derretida."

Mulder riu. "Dificilmente eu te chamaria assim. Depois de passar 
por tudo que voc passou nos Arquivos X, voc merece ser mimada, 
Scully" ele disse, beijando-a na boca. "E fora a minha pessoa, 
s permito que meus dois filhos faam isso tambm."

Scully olhou para ele depois do beijo. "Obrigada por me agentar, Mulder." 

"Fao isso com todo prazer." Mulder olhou bem fundo nos olhos azuis, 
e a beijou de novo. Ele s parou quando ouviu uma risadinha de William. 
"Esse moleque t precoce demais pro meu gosto."

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3 meses depois

Andrew chegou em casa cansado. O trabalho hoje no foi to 
estressante quanto o trnsito! Ele estava quase pensando em no 
dirigir mais, pois nunca se acostumaria com o tipo de nervos que
 era preciso para poder andar de carro pelo centro da cidade. Ele preferia
enfrentar aliengenas!

Enquanto estacionava o carro, ele sentiu de novo aquela mesma 
coceirinha na mente de quando ele estava no hospital vendo William 
pela primeira vez, e depois nas vezes subseqentes. Sempre que eles
 estavam juntos, era como se algum estivesse tentando entrar na 
mente dele. Andrew nunca sentiu nada parecido antes.

Ele no podia afirmar que era William, pois a criana ainda 
no tinha nem seis meses! Mas era evidente que o beb acompanhava 
seus movimentos, e que os dois se entendiam perfeitamente, com
 Andrew sempre sabendo o que seu maninho precisava, antes mesmo de Scully.

Andrew estava apaixonado pelo pirralho. 

Ele riu. Seu pai chamava William de moleque, e Andrew o chamava de
 pirralho. E Scully os chamava de insensveis, alm de outras 
palavras no muito gentis, sempre os recriminando quando eles 
se referiam a William dessa maneira. E eles se defendiam, dizendo 
que isso era coisa de homem, e que ela no tinha vez no clube deles.

O que no era verdade, bvio. Ela era mais do que bem-vinda!

No comeo, Andrew percebeu que ela no estava contente com esses 
apelidos deles para o beb, e ento eles pararam. Mas depois, 
quando ela comeou a perguntar pra eles porque eles pararam, 
eles disseram que era porque ela no gostava. Quando ela admitiu 
que estava com saudades, e parecia que William tambm estava, 
eles voltaram a brincar com William dessa maneira.

Abrindo a porta, Andrew no viu ningum embaixo. Lendo em sua 
mente, ele percebeu que seus pais estavam em casa, e que William 
tinha acabado de acordar, ao que parecia.

Subindo as escadas, ele entrou no quarto do beb, no se incomodando 
em bater. Mulder e Scully estavam l dentro, com Mulder segurando 
o beb, e Scully sentada numa poltrona. Ela estava tima, tendo 
recuperado bastante da forma dela antes da gravidez. Parecia que 
isso a animou mais, o que deixou Andrew contente, pois ele tinha 
ficado preocupado quando ela ficou deprimida depois do parto.
 Mas agora, parecia que tudo estava indo bem.

"Oi, meu anjo. Como foi o dia?" sua me perguntou, e ele 
entrou, ficando de joelhos e a abraando. Ele nunca ia se cansar
 de fazer isso. 

"Foi bom, me." ele disse, olhando para ela. 
"Como voc est?"

Ela rodou os olhos  pergunta diria dele. E ela sempre respondia 
da mesma forma, assim como ele tinha pedido. De maneira sincera. 
"Estou muito bem hoje. Nada aconteceu comigo ou com William." 

Andrew acenou com a cabea. Ele tinha pedido para ela sempre 
relatar nessas palavras se estava tudo bem, pois ele estava 
atento do quo especial era William, e de quo especial era
 sua me para poder gerar um beb assim. Tudo bem que seu pai 
tinha uma boa parcela de responsabilidade sobre isso, mas num 
barco afundando, mulheres e crianas primeiro.

Principalmente no que dizia respeito  sua me e  seu irmo.

Mulder andou pelo quarto, at a janela. "Amanh vamos levar 
William para o exame dele com o pediatra. Voc vai?" ele perguntou 
mais por cortesia, pois sabia qual seria a resposta do filho.

"Mas  claro!" como se ele tivesse esquecido desta data. Ele tinha 
que estar l para verificar que tipo de exames seriam feitos no beb,
 e se ele no seria machucado sem necessidade.

"Eles so profissionais, Andrew. O mdico sabe o que faz" 
ela tentou argir, mas Andrew era teimoso. 

"No, me. Eu vou."

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Apesar de sua insistncia, Andrew no teria boas lembranas
 sobre este hospital. Foi aqui que ele ficou doente, e quase 
morreu, quase perdendo a chance de ter uma famlia. Um irmo.

Na hora do exame, ele ficou o tempo todo com William, e seus 
pais, com a permisso especial do mdico para tal. Depois do exame, 
William quis ir com ele, e Andrew, mais do que satisfeito, 
pegou seu irmozinho no colo, perguntando se podia dar uma 
volta com ele, enquanto seus pais conversavam com o mdico, 
se despedindo e marcando a prxima consulta.

Enquanto Andrew esperava no corredor, ele sentiu a presena de algum, 
e imediatamente envolveu William com os braos, o virando para longe de 
quem se aproximava. 

"Oi." disse uma voz suave.

Andrew virou a cabea e viu quem era. Uma enfermeira, bonita, com cabelos longos, 
meio avermelhados, e com os olhos verdes, o fitava, com curiosidade. 
Ela parecia amigvel. Ela era um pouco alta, e parecia conhece-lo.

"Eu te conheo?" ele perguntou.

"Acho que no" ela sorriu. "Mas, antes, me tira uma dvida... seu nome  Andrew?"

Andrew acenou com a cabea, e leu a mente dela. Ela o conhecia mesmo!  
Da poca em que ele foi hospitalizado.

"Eu sabia que te conhecia! Ah, antes de eu comear a falar sem parar, 
 melhor eu me apresentar." ela estendeu a mo. "Oi. Meu nome  Andrea." 

Andrew olhou para a mo estendida, olhou para William que estava 
fitando a moa, atento, chupando dois dedinhos na boca. Ele tirou 
os dedinhos, e sorriu para ela.

Essa foi a resposta para Andrew.

Ele estendeu a mo, e a cumprimentou. 

"Prazer em conhece-la, Andrea."

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NO ACREDITO!!!!! TERMINEI!!!!!

Gente, eu estou mais do que contente e satisfeita com este trabalho. 
Espero que vocs tambm tenham ficado contentes tambm. 

Para uma histria que teria originariamente duas partes, ela se estendeu
bem.

Como eu disse, l no comeo da fic, eu esperava que vocs se 
apaixonassem pelo Andrew, assim como eu. Acho que consegui este intento.

Mas vamos s consideraes:

Primeiro,  Mrcia e  Dia, que muito me ajudaram no comeo desta 
histria, quando eu no tinha mais idias. Depois, a Rose entrou, e 
me ajudou, e muito, em vrias partes da histria. Para vocs, meu 
trio de ouro, meu muito obrigado, e meu eterno agradecimento. Beijos 
para vocs, meninas!

Segundo, para vocs, que me escreveram feeds maravilhosos assim que 
coloquei a primeira parte no ar, me dizendo que nunca leram algo parecido, 
que estavam ansiosas para lerem a segunda parte, que me deram sugestes ao 
longo de toda histria, sempre me dando fora e incentivo para continuar. 
Confesso que se isso no tivesse acontecido, eu provavelmente teria terminado 
bem antes. Mas os emails e mensagens no frum me davam estmulo para que eu 
escrevesse uma parte melhor do que a outra, s para surpreender vocs. 
Autores de fanfictions ganham algo sim: o reconhecimento de vocs, atravs 
de seus feeds. Nos alimentem com eles. Assim ficamos fortalecidos para 
continuarmos escrevendo.

Terceiro: Um agradecimento especial para Dia, que me surpreendeu de maneira 
maravilhosa com essas promos a cada parte da fic. Dia - meu obrigado especial 
para voc, querida. Espero que voc tenha gostado
da personagem que criei em sua homenagem - a Andrea. Apesar de eu no saber 
como voc  fisicamente, ou a sua profisso, eu transformei esta personagem 
numa enfermeira em homenagem a uma grande amiga minha, que  enfermeira chefe 
no INCA. 

E por ltimo: para quem me pediu um livro II de Andrew - vocs esto lendo 
The Magician demais, hein? (referncia  srie The Magician, divididas em 
livros, e que vai para o quinto) - galera... vou avisando -  ruim, hein? 
A histria rendeu mais do que eu esperava, e eu juro que no sobrou uma 
gotinha de criatividade depois disso. Terei que me recuperar num spa e 
tomando muita gua de coco eheheheheheh.

Mais uma vez, obrigada a vocs, excers, assim como eu. 
Que Andrew permanea sempre no coraozinho de vocs.

Beijos
Edna

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2002.

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ANDREW - EPILGO
Autora: Edna Barros (Vancouver)
ednabarros@uol.com.br
www.wfics.hpg.com.br

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"ndi!" William bateu palminhas e ficou olhando para seu irmo mais 
velho, que o encarava, sorrindo.

"Isso mesmo, maninho! Andy!" ele gargalhou, jogando William no ar, 
o que fez o beb rir, deliciado.

Scully, por dentro, tremia quando via Andrew fazendo aquilo. E Mulder
tambm fazia. E para piorar, William adorava 'voar' nos braos deles.
 Mas ela sabia que eles tinham muito cuidado, atentos para no joga-lo 
muito alto, e sempre preocupados em prestar completa ateno ao que faziam,
 principalmente quando William estava envolvido.

Sentindo uma mo brincando com uma mecha de seu cabelo, ela se virou, e 
sorriu para seu marido. Mulder estava lindo, bem  vontade, neste momento
 famlia. Andrew estava a poucos metros, fazendo William andar, e no correr, 
pois era incrvel como ele era precoce. 

A primeira palavra que ele disse foi 'mam', isso aos seis meses, 
e como ele ainda estava amamentando, Mulder riu, querendo saber se 
seu filho queria a me ou mamar de novo.

Depois, foi 'pap', e foi a vez de Scully rir, pois agora ela podia 
brincar, dizendo se no sabia se William queria o pai dele ou queria 
comer papinha.

E por ltimo, foi Andrew. Mas no por fora de vontade. Na verdade,
 foi Andrew que ficou entrando na cabea de seu maninho e dizendo 
'mame', o tempo todo, sabendo que Scully ficaria imensamente 
contente por ver que a primeira palavra de William seria em referncia a ela. 

Claro que ele fez o mesmo com Mulder. E riu muito com a cara que seu 
pai fez quando William disse 'pap'.

"Ele me chamou, Scully!!! Andrew, escuta s! William, fala 'papai'". 

"Pap".

Todo mundo riu, no s de William, mas da cara de bobo de Mulder...

Agora, Scully pensava em como sua vida tinha feito uma reviravolta. 
No apenas tendo um beb que nunca esperou, mas tendo outro beb 
superdesenvolvido, Andrew, que sempre precisaria do carinho dela 
e de Mulder para ser o rapaz feliz que ele era.

Eles agora estavam desfrutando essa felicidade, fazendo uma pequena 
viagem para Nova Iorque, para fazerem compras, e ela precisou se segurar
 para os dois no comprarem tudo para William. Era s o beb apontar e
 rir para alguma coisa, que l estavam eles tentando comprar. 

Mesmo se fosse a loja inteira.

E agora, depois das compras, e do almoo, eles estavam descansando no 
Central Park, fazendo o piquenique que tinham planejado, e Scully aproveitou 
que Andrew estava tomando conta de William, e relaxou ao lado de Mulder, 
deitando na enorme manta que ela tinha trazido com esta finalidade. O sol 
da tarde estava ajudando, e ela sentiu o langor vindo sobre ela, aproveitando 
que Mulder estava acariciando o rosto dela, os braos e a barriga, a deixando 
mais sonolenta depois do lanche.

Ela ouviu um 'mam' distante, e se virou, vendo William andando na direo 
deles, com Andrew logo atrs. Ela sorriu, se virou para Mulder, e viu que 
ele estava olhando para William tambm. 

Ela esperou William se aproximar, e o agarrou, deitando-o no meio deles, 
e comeou a fazer ccegas no corpinho rechonchudo, fazendo o beb gargalhar.

"J cansou, Andy?" Mulder perguntou, incrdulo. Andrew nunca largava 
o irmo quando estava de folga, e j haviam se passado somente uma hora
 que eles estavam juntos. Os dois se adoravam! 

"Eu vi uma amiga ali e queria falar com ela. No quero levar William 
pois ele est cansado." ele se abaixou e beijou Scully no rosto, e se
 virando, saiu correndo na direo em que veio.

"Amiga, hein?" Scully ouviu Mulder dizer e ergueu uma sobrancelha. 
"Voc vai virar uma sogra, Scully!" ele disse, brincando com ela.

"Sim. Amiga. Andrew me contou sobre ela.  uma enfermeira que ele 
conheceu numa das consultas de William no pediatra. Nada demais." 
ela disse, distrada, brincando com William. Mas Mulder pegou o tom dela.

"Voc est com cime? Ora, voc sabe que Andrew te adora!"

"Eu sei, mas  que estamos juntos h to pouco tempo... 
eu no queria dividir ele com mais ningum. A famlia est muito perfeita..."

Mulder suspirou. Ele sabia que ela ia ficar to dependente de Andrew quanto ele dela. 
"Scully, voc precisa entender que nada, mas nada mesmo, vai tirar 
Andrew de ns. Pelo contrrio. Se voc no gostar da garota, com 
certeza ele no vai ficar com ela." ele tentou acalma-la, e sorriu 
de leve ao ver que ela estava lhe dando um olhar malicioso.

"Hmmm, bom saber disso. Ento, desde j esto todas reprovadas."

"Scully!"

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"Gente, olha s que gatinho..." Disse Barbara sem muita discrio.

"Fala baixo, garota!" Juli falou, mandando a bola na cabea de Barbara.

Ela levou uma bolada na cabea. "Ei! Pra com isso!"

"Se voc prestasse ateno no jogo em vez de ficar paquerando, 
isso no aconteceria", Pat falou, do outro lado da quadra. 
"Vamos contar pro seu namorado!" ela falou, rindo, para Andrea, 
que tinha jogado a bola, mas que agora tinha sua ateno completamente 
voltada para o rapaz do lado de fora da quadra.

Era ele.

Olhando para Pat, ela sussurrou. " ele..."

Pat franziu as sobrancelhas, e de repente, arregalou os olhos, virando
 rapidamente o rosto. "Nossa, Andrea, ele  realmente lindo...."

"Eu te disse."

"O que vocs duas esto sussurrando a?" Barbara falou, com a bola na mo. 
"Toma a bola, e v se no me d uma outra bolada dessas!"

"Ih, Ba, voc fala demais!" Juli falou, balanando a cabea, e se 
preparando para receber a bola do outro time.

Era sbado, e um raro, pois pela primeira vez em meses as amigas puderam 
se reunir para passarem um tempo juntas, longe dos namorados (pelo menos 
no caso de uma delas) e se divertirem  bea. Estavam jogando vlei, e 
j iam parar, quando Andrew lhes chamou a ateno.

Barbara recebeu a bola, e deu o maior show para aparecer para Andrew, 
que estava somente olhando para Andrea. O que esse cara viu nela?

Pat mandou a bola para fora, e foi pega-la.  Enquanto isso, Barbara 
foi indo na direo de Andrew, pronta para se apresentar. 

Juli a interceptou. "O que voc vai fazer?"

Barbara respondeu: "Vou l falar com ele enquanto a Pat foi pegar 
a bola. 

"Ah, voc no vai no."

Andrea se meteu entre as duas, para acabar logo com isso. "Juli, deixa pra l. 
Barbara, vamos voltar pro jogo. Alm disso, parece que ele est se afastando." 
Andrea falou, e deu um tchauzinho para ele, que acenou de volta, e ficou contente 
em ver que ele no ia embora, apenas foi sentar num dos bancos que 
estavam na sombra. Ela viu que ele se sentou ao lado de sua outra amiga.

Barbara, vendo a troca de olhares entre eles, desistiu de tentar falar com o gato. 
Bem, ela tinha o dela j...

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Andrew foi se sentar no banco, ficando um pouco longe da quadra. Depois 
que se aproximou, ele sentiu certas vibraes frenticas nas garotas, e 
viu que elas poderiam brigar se continuassem a prestar ateno nele to perto. 
Isso estava acontecendo muito com ele, alis. 

Ele viu que um dos bancos estava quase livre, pois havia uma garota l, 
escrevendo num caderno, e ela parecia muito concentrada. 

"Eu posso me sentar?" ele falou, e a garota levantou a cabea. 
Ela acenou com a cabea.

"Claro." Foi a nica resposta dela.

Andrew ficou vendo o jogo, mas os pensamentos intensos da garota ao 
seu lado o estavam incomodando. No, no incomodando. Intrigando.

Antes que ele pudesse perguntar, ele viu Andrea se aproximando para pegar a bola. 

"Oi, Andrew. Voc por aqui?" ela disse, se aproximando, mas jogando
 a bola na direo das meninas, que j estavam chamando ela de volta 
pro jogo. Andrew percebeu que ela queria conversar, mas que agora no dava. 

"Volte pro jogo, Andrea. Pode deixar que eu espero." ele sorriu, e 
ela sorriu de volta, correndo para voltar a jogar. Mas antes, ela 
parou, deu meia-volta, e falou.

"Voc no vem?"

Andrew quase respondeu, mas parou quando ouviu a voz da garota ao seu lado.

"Voc sabe que eu no posso, Dia. Fica pra prxima."

"Voc tem falado isso h anos. E no se cuida. Ainda vou te pegar e te levar 
pro mdico  fora, viu?" ela disse, indo para o jogo, dando um olhar carinhoso para a amiga.

Agora Andrew ficou curioso. Ele se virou para a garota, que estava mais uma 
vez concentrada no caderno.

Ela sentiu o olhar dele, e levantou o rosto, tranqila. "Que foi?"

"Por que voc no pode jogar vlei?"

"Eu tenho tendinite. Di muito pra dar as manchetes e saques."

"Mas voc est escrevendo. Isso no di?" ele apontou para o caderno e caneta
 que ela segurava. 

"Isso  mais forte do que eu. Estou apenas escrevendo aqui, mas depois vou 
passar horas na frente do computador para poder digitar tudo isso."

Andrew a encarou, confuso. "E por que voc est aqui?"

Ela sorriu, misteriosa. "Eu no perderia esse jogo por nada neste mundo..."

De alguma maneira, ele no conseguiu ler a mente dela. Mas antes que pudesse 
tentar mais uma vez, ele viu Andrea indo na direo dele.

"Andrew, ns vamos dar uma pausa no jogo.  Vamos conversar agora?" ela disse, 
e a garota no banco perguntou. 

"Quer que eu saia, Dia?"

"No, querida. Pode ficar a. Eu quero tomar um sorvete. Voc quer um?"

"No, obrigada." ela disse, e ficou olhando para os dois. "Alm do mais, 
eu j estou indo embora daqui a pouco mesmo. No vou esperar o ltimo
 jogo de vocs. Tenho muito o que fazer no meu computador. Alm disso, 
preciso falar com a Jo, com a Rose, com a Mrcia e com a Thais. Ah, e 
ainda tem a Darliene. E mais um monte de gente. 

"Fora as suas provas. Voc ainda vai ficar doida com tanta coisa pra fazer,
amiga. Cuidado. No quero te ver doente."

"Pode deixar, Dia. Eu estou me cuidando."

Andrew observava as duas com curiosidade. A amizade ali era forte. 

Andrea acenou com a cabea e saiu, e quando no viu Andrew atrs dela, 
parou, e esperou.

Andrew olhava para a garota no banco, e s ento percebeu que no sabia 
o nome dela. Mas ele sentia uma forte atrao por ela, mas diferente da 
que tinha com Dia, ou at mesmo com sua me. Ele precisava conhece-la. 

"Espero que nos encontremos de novo. Alis, meu nome  Andrew." ele 
estendeu a mo, e a garota apertou de volta, dando-lhe um sorriso maravilhoso e sincero. 

"Meu nome  Edna. E no se preocupe, Andrew. Ns vamos nos encontrar de novo."

Edna viu os dois se afastando, de mos dadas, e sorriu. Talvez isso 
desse certo, afinal de contas. 

Dando um ltimo floreio no que escrevia, ela terminou a histria em 
que estava trabalhando, apenas escrevendo:

FIM

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(AGORA DE VERDADE!)

Espero que vocs tenham gostado da surpresa. 
Eu tive essa idia num relance, e me desculpo por quem no foi citado, 
mas gostaria que todas vocs soubessem que vocs moram no fundo do meu 
corao, amigas. Um beijo enorme, e todo meu carinho para vocs.

Beijos mil
Edna

27 de setembro de 2002.




